Segunda, Outubro 20, 2014

OBSESSÃO

A obsessão por espíritos assusta muita gente, às vezes causando problemas que podem ser bem sérios. Mas a forma de resolver essa questão pode ser mais simples do que se imagina, desde que a pessoa obsedada realmente queira transformar sua vida para melhor.

Rosana Felipozzi
O tema dos espíritos obsessores certamente está entre os mais comentados do Espiritismo. Para falar sobre o assunto, conversamos com Regina Helena Tuma Carlin, expositora da Federação Espírita do Estado de São Paulo, onde ministra aulas no curso preparatório, básico, mediúnico e aprendiz do Evangelho. Também trabalha com palestras de assistência espiritual à família, com temas como casamento, divórcio, amor-livre, sempre com abordagens à luz da Doutrina.

Além de ter sido diretora do curso de educação mediúnica por cerca de seis anos e ter trabalhado na Casa Transitória como diretora de assistência social, Regina Helena dá aulas no Núcleo Espírita Almas Gêmeas, na Freguesia do Ó, em São Paulo, e realiza um trabalho de assistência social em sua própria residência, na Vila Madalena.

Regina nos explicou alguns detalhes a respeito da obsessão e de como nos livrarmos desse problema.



No dicionário, obsessão significa “preocupação constante, idéia fixa”. Além dessa definição, o que o Espiritismo entende como obsessão?

Obsessão é o envolvimento de uma entidade espiritual, de um espírito, com um encarnado, naquele momento em que este se encontra envolto em maus pensamentos com sentimentos de ódio, rancor e mágoa. O encarnado entra nessa sintonia, e esses espíritos alimentam a dele com outras informações, ao mesmo tempo em que são também alimentados pelo pensamento negativo, pela idéia fixa do obsedado.

Muitas vezes, a pessoa fica muito tempo com o problema da obsessão porque não quer mudar o pensamento. Mesmo participando de assistências espirituais e sendo orientada, ou ouvindo o Evangelho por muito tempo, não consegue modificar o pensamento; está sempre com aquela mágoa, com aquele rancor. E isso permanece por longo tempo, até ela realmente resolver modificar o pensamento através do Evangelho, ou se conscientizar da importância dessa modificação; e, gradativamente, ela vai se transformando, melhorando. O obsessor só se aproxima através dessa sintonia, isto é, quando o espírito e o encarnado estão na mesma freqüência. Muitas vezes, ouvimos alguém dizer que um espírito o empurrou, derrubou, ou fez alguma coisa, mas isso não acontece. Se a pessoa estiver numa faixa positiva, isso não ocorre, porque nenhuma entidade pode se aproximar e atuar se a pessoa não estiver naquela faixa negativa. Se a pessoa acorda e diz “hoje nada dá certo no meu dia”, é claro que ela já criou essa condição; então, nada vai dar cer
to no dia porque ela está pensando que não vai dar certo. É uma forma muito negativa de sentir a vida, de viver, e essas entidades aproveitam esses momentos para fazer alguma coisa, porque aquela pessoa está na sintonia de que nada vai dar certo.

E importante o que nós aprendemos com a Doutrina, como acordar e fazer uma prece, elevar o pensamento, não se envolver com coisas negativas. Muitas vezes, pode acontecer alguma coisa, mas a pessoa procura se resguardar, não entrar naquela faixa, mantendo-se distante de uma discussão, por exemplo. E, muitas vezes, as discussões começam com uma palavra: as pessoas se envolvem, ficam buscando coisas do passado; e as entidades estão ali alimentando esse tipo de atitude.



Quando e como sabemos se estamos sendo obsedados?

Pelo nosso mal-estar. A pessoa não se sente bem; tem sintomas que, muitas vezes, são inexistentes para o médico. Ela apresenta dor de cabeça, principalmente na nuca. Muitas vezes, tem dor de estômago – a revolta, a raiva, dão muita dor de estômago. Ou taquicardia. A pessoa encontra alguém de quem não gosta e o coração dispara. Aí, ela começa a perceber que não está bem.



E quando ocorre de encontrarmos uma pessoa pela primeira vez e termos esse tipo de reação? Pode ser alguma coisa do passado?

Pode ser um inimigo do passado. Naquele instante, a vibração dela nos envolve com coisas do passado. E isso só acontece quando ficamos chocados ao vermos a pessoa.



Qual a diferença entre obsessão, vampirismo e possessão?

O vampirismo está mais relacionado a aspectos de fluido. Por exemplo, com a pessoa que fuma, automaticamente esses espíritos vêm vampirizar, vêm recolher esse fluido emitido pelo cigarro. Com o álcool é a mesma coisa. Existem esses espíritos que são praticamente vampiros, porque eles vêm sugar essa energia. Na parte sexual também, assim como na alimentação. Muitas vezes, a pessoa não tem fome e está comendo porque alguma coisa dentro dela está influenciando. São os vampiros que vêm se alimentar desses fluidos.

Com as drogas também; todo tipo de viciação tem um correspondente na espiritualidade que nós podemos considerar como sendo esses vampiros. E quanto mais a pessoa se deixa levar e envolver por essas entidades, mais fraca ela fica, porque eles vêm sugando a energia e a mente; não dá para desviar.

André Luiz tem um caso no livro Sexo e Destino em que ele fala sobre isso; a pessoa não está bebendo, mas ela tem o campo mental favorável, e aí os espíritos influenciam para que ela beba.

No caso da obsessão, como já comentamos, é aquele envolvimento de acordo com a nossa sintonia. Quanto à possessão, existe uma coisa que Kardec apresenta no livro Obras Póstumas: há a possessão física e a possessão mental. No caso da possessão, seria a possessão dos nossos pensamentos. Ele toma posse dos nossos pensamentos, porque nós permitimos. A pessoa se envolve de uma forma negativa, e permite que essas entidades se apoderem de sua mente.

Por exemplo, a pessoa pode ter um ódio violento por alguém, e ela se transfigura; diante daquela pessoa já não é ela que age, mas o espírito agindo por ela. Há coisas que uma pessoa com ódio faz que, quando percebe, diz que não foi ela que fez. Ela sequer tem consciência do que fez, da agressão, da violência.

O ciúme também leva a pessoa a extremos, a atitudes impensadas; em que é o outro tomando atitudes pela pessoa. Ela tem o campo mental favorável e o espírito toma posse. Então, na verdade, a posse realmente é perispirítica; não é que o espírito invade o corpo da pessoa e esta sai do mesmo. Todo o processo, no caso da obsessão, da subjugação, é uma posse perispirítica. O espírito influencia e domina os movimentos da pessoa, envolvendo física e espiritualmente. Ele consegue isso pelo grau de revolta em que a pessoa se encontra. É aquela pessoa que fica cega, que entra naquela faixa bastante negativa e vai dando alimento para que o espírito a comande.



Como se dá o tratamento e a assistência de desobsessão?

A assistência de desobsessão é feita de um modo sigiloso, para que a pessoa não se contamine com aquilo que o espírito estiver falando. Vou dar um exemplo: até algum tempo atrás, as sessões de desobsessão eram públicas: o espírito se manifestava e a pessoa na platéia ficava ouvindo aquilo e dizendo “ele é o meu obsessor”, podendo revoltar-se ainda mais.

Hoje, a pessoa obsedada ouve o Evangelho, toma um passe, entra na sala e só então as entidades são vistas pelos médiuns. Os médiuns dão passividade, mas só depois que a pessoa sair da sala. Com ela no recinto, o espírito não se manifesta, porque o médium controla a mediunidade até que a pessoa se retire. Isso ocorre para que o obsedado não se envolva emocionalmente com o que vai ser dito. Muitas vezes, a pessoa se choca em saber que o espírito quer matá-la ou fazer um tipo de mal.



E no caso de pessoa obsedada que consegue ver o obsessor?

Muitas vezes, ao ver seu próprio obsessor, a pessoa se assusta e se envolve ainda mais negativamente. Mas são raros os casos, A pessoa percebe, mas não sabe distinguir. Mas se ouvir a comunicação, perturba-se ainda mais. Se ela sabe que um espírito vai fazer-lhe mal, ela não se desliga. Então, é preferível não ouvir.

Muitas vezes, no centro em que trabalhamos, a pessoa fica na escada parada para tentar ouvir o que a entidade vai dizer, o que é uma curiosidade prejudicial. A pessoa tem é que pedir a Deus que a entidade seja orientada, encaminhada, e modificar seu pensamento.



Qual é a seqüência do tratamento?

O que André Luiz diz é que, muitas vezes, enquanto a pessoa está ouvindo o Evangelho, a entidade já está sendo tratada e encaminhada para a espiritualidade. Depois, a pessoa toma o passe porque faz parte da condição da assistência espiritual. Como eu já disse, na primeira vez, o espírito pode até ser levado para um tratamento na espiritualidade, já tendo se desligado do encarnado, que precisa continuar ouvindo o Evangelho. Muitas vezes, percebemos que a pessoa se entusiasma com a Doutrina, passa a dar assistência espiritual às escolas, quer conhecer o Evangelho, passando a fazer os cursos, que também dão sustentação espiritual. Muitas vezes, nós observamos que o aluno está sendo tratado durante o curso. Então, é importante que a pessoa faça cursos, que se interesse.



E como é a conversa com o espírito?

O doutrinador tem mais de ouvir do que falar, porque é aquele momento em que a entidade desencarnada tem a oportunidade de falar sobre o que está sentindo, o que está se passando com ela. O doutrinador tem só de amparar. É como se um filho chegasse com problemas em casa; você deixa que ele desabafe e, depois, incentiva a coisas boas. No caso do obsessor, é a mesma coisa: o doutrinador tem de ser um irmão, um pai para aquela entidade, tratá-la com carinho, com respeito e ouvir o que ela tem a dizer, e não explorar as falhas. O doutrinador vai agir e orientar com amor, mostrar o lado bom do espírito.



Às vezes, são entidades que já estão há muitos anos sofrendo.

Elas ficam no sofrimento porque são menos esclarecidas. As vezes, nem sabem que morreram, e só despertam no Centro Espírita. O pensamento cria algo muito negativo em torno de nós, mesmo desencarnados. Então, o espírito desencarnado permanece naquela criação mental, e se alimenta dela.

Existem as orientações de André Luiz, no livro Entre a Terra e o Céu, em que ele fala de um velhinho que há cem anos estava de cócoras no canto de uma casa que ele tinha construído; até que fizeram o Evangelho no Lar e ele, ouvindo aquelas palavras, despertou e começou a ser doutrinado. Mas, durante cem anos, ele ficou ali de cócoras, vivendo os fatos que aconteceram com ele no passado.

Muitas vezes, também, o espírito se desliga, mas o encarnado não. Então, o encarnado mantém os mesmos pensamentos negativos e, mais uma vez, se liga a outras entidades.



Depois de encaminhados, qual o lugar para onde esses espíritos vão?

Na espiritualidade, existem locais onde eles são recebidos e têm orientação. Nós lemos, nos livros de André Luiz, sobre aquelas aulas que são ministradas aos espíritos, que vão começando a ter um sentido diferente do mundo espiritual.



São as Casas Transitórias?

Sim, são os locais de socorro. Eles são trazidos aos centros espíritas, onde estudam. Quando eles podem, vêm e assistem às aulas. O que nós observamos, também, é que nas salas de aula existem como se fossem alto-falantes para que eles possam ouvir e participar da aula. A sala é ampla, e eles ocupam uma parte do recinto para ouvirem as explanações. Eles são trazidos por outros espíritos para que participem das aulas junto com os alunos. Uma coisa interessante: quando nós fazemos a palestra sobre aborto, há a presença de espíritos abortados; eles são levados, todos amparados, para ouvir. E, muitas vezes, eles até se aproximam de mães que fizeram aborto para acariciá-las, e percebemos a emoção delas.

Muitas vezes, a mãe comete o aborto e fica obsediada pois o espírito da criança afoitada fica cobrada o ato praticado. Durante a palestra, o espírito é orientado. Antes do conhecimento da Doutrina Espírita, entendia-se que a vida só passava a existir quando o bebê nascia. Para a Doutrina, a vida começa no momento da concepção.

O espírito obsessor, então, tinha a necessidade de reencarnar, e sua vida foi cortada. Essa é uma obsessão que podemos dizer que foi “provocada”.



Os obsessores são espíritos apegados à matéria, vingativos, mas também podem ser familiares que nem sabem que estão nos prejudicando?

Sim, são espíritos extremamente ligados à matéria, que insistem em permanecer no erro, mantendo atitudes adquiridas enquanto vivos, como vingança, mágoa, destruição; ou até mesmo, no caso de extremo apego aos bens terrenos, permanecem como se ainda fossem donos da casa, do carro, da roupa, etc. Estes últimos, muitas vezes, não desejam fazer o mal; apenas não querem que ninguém faça uso daquilo que acreditam que ainda lhes pertence.

As pessoas somente são obsediadas se houver afinidade vibratória. Caso contrário, não ocorrerá. Eles se cansam após um período de tentativas e desistem. Onde há oração, leitura do evangelho e vigilância, não ocorre assédio dos espíritos obsessores.



Como mudar essa situação de sermos, às vezes, nossos próprios obsessores, com nossos pensamentos negativos?

Às vezes, a pessoa fica fechada dentro dela mesma, não quer saber de nada; tudo para ela é tristeza, amargura, não participa da vida. Nós tivemos alguns casos assim, em que para a pessoa tudo é ruim; ela não quer viver, não quer participar. Tem uma oportunidade de tal uma melhora espiritual e física, mas não aceita. Essa é uma auto-obsessão, a pessoa está sempre negativa, rancorosa, sem participar, e não quer ajuda. E mesmo se alguém ajudar, ela não aceita. Pode até ir a um centro espírita, mas continua da mesma forma, sem que nada penetre. Existem exemplos de pessoas que não aceitam receber o passe; então, a energia não chega a ela.



Quais são as alternativas para a auto-desobsessão?

Um exemplo que gosto de lembrar, é o da fila do banco. Tudo em nosso país tem fila. A desordem e a desorganização geram a fila. Quando uma pessoa vai para uma fila, ela demonstra seu estado de espírito. Ela pode começar calma, depois ficar irritada, falar alto, descontrolar-se, brigar, etc... Como também pode levar um livro ou uma revista para enfrentar o desgaste e aproveitar melhor o tempo ali perdido. Essa é uma atitude entre tantas alternativas.

Outra seria ouvir música, cantar, brincar com um animalzinho, caminhar, cuidar de plantas etc... As artes, em geral, fazem as pessoas mudar seu pensamento fixo nas coisas mundanas, elevando-as a um degrau acima do normal.



A cura, então, está no autoconhecimento, na mudança de conduta e na reforma íntima?

A reforma íntima é a transformação de valores, a modificação da sua maneira de ser e de viver. Muitas vezes, dizemos aos alunos: “Vocês estão aqui há dois ou três anos; imaginem vocês há três anos. Vocês sentem que modificaram?” E a maioria sente que modificou. Isso é a persistência; você começar a sentir que viver melhor, com pensamentos melhores, é melhor para você. Não participar de discussões, de brigas, não buscar as coisas mais erradas. Não perceber só o errado, porque, muitas vezes, a pessoa só percebe o que há de errado.



Terapia ou análise ajudam a dar suporte em tratamentos espirituais? É bom ter um apoio terapêutico?

Em muitos casos, em que o tratamento espiritual não é suficiente para auxiliar em casos de obsessão mais acentuada, o tratamento terapêutico e fundamental.

Existem centros espíritas que possuem em suas dependências psicólogos especializados para dar acompanhamento a essas pessoas. Na Federação Espírita, palestras e cursos são dados e acompanhados por esses profissionais.

A ABRAPE (Associação Brasileira dos Psicólogos Espíritas) esta levando para os centros espíritas esse atendimento. A última vez que conversei com a Dra. Ercília Zilli, ela disse que estava levando o pessoal para a FEBEM, conversando com os jovens, porque isso é importante. Você vai conseguir salvar, orientar, encaminhar esses jovens, desligar o pensamento deles das coisas negativas, ou seja, da obsessão, através da terapia.

Ir aos centros espíritas é importante também. A pessoa faz muitos tratamentos, recebe assistência, mas não se desliga da raiz da questão. Quando faz a terapia, consegue essa libertação. Acho muito importante o trabalho que a ABRAPE está fazendo junto aos centros espíritas. A pessoa passa a se conhecer melhor, se relacionar melhor com os outros, e os espíritos menos esclarecidos não se aproximam, porque não encontram brecha.

(Extraído da revista Espiritismo e Ciência 13, páginas 26-32)

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