Quarta, Outubro 01, 2014

TRANSE E MEDIUNIDADE

Nesta entrevista, realizada há quatro anos, o escritor espírita Lamartine Palhano Jr. explica os tipos de transe mediúnico de acordo coma doutrina espírita.

Pelo site www.irc-espiritismo.org.br
O que é realmente o transe?

Quero lembrar que Allan Kardec perguntou aos espíritos se os médiuns, na hora das manifestações, permaneciam num estado especial. Os espíritos responderam que estavam numa espécie de "crise", tanto que isto gerou o termo "crisíaco".

Mas naquele tempo, a psicologia ainda não usava o termo "transe", que é uma corruptela de uma situação "transacional", que passa de um estado para outro, no caso, de um estado mental. Hoje se sabe que o que se chama "transe" é um estado alterado da consciência, onde há dissociação psíquica, que pode ser superficial (consciente) hipnogógico (semiconsciente) e profundo (inconsciente). O transe é anômalo porque ele é ocasional. Neste caso, não podemos, por exemplo, classificar o estado de sono porque é uma situação normal.

O transe está sempre presente em todas as manifestações mediúnicas?

Como eu disse, a mediunidade é um tipo de transe, por isso devemos compreender os outros tipos de transe para definir o que é realmente mediunidade.

A emancipação da alma, ou projeção astral, não considerada como caráter mediúnico, mas como capacidade inerente do ser. Poderia esta ser considerado uma forma de transe?

Evidente. É um transe anímico, no qual o espírito do próprio tem essa liberdade de emancipar-se, numa espécie de dissociação psíquica já referida. Veja o capítulo de O Livro dos Espíritos chamado "Emancipacão da Alma".

Por que, no início, quando a mediunidade está "aberta", sentimos tanta coisa: dores, doenças?

Falta de treino e de orientação para o "transe canalizado", que tenho estudado de modo cansativo nos últimos tempos.

A primeira publicação que fiz a respeito está no capítulo 11 do livro Transe e Mediunidade, Editora Lachâtre. Sem esse treinamento, os médiuns permanecem com seus canais psíquicos abertos à revelia, recebendo todos os tipos de freqüências mentais.

Quais os procedimentos corretos quando uma pessoa, não espírita e não estudiosa, entra em transe, debatendo-se e dizendo coisas desconexas?

Por isso eu estou insistindo em que o espírita aprenda sobre o "transe", porque um tipo de situação dessa pode ser um "transe patológico" (esquizofrênico, psicótico, efeitos de drogas, obsessivo etc. ). E para ajudar melhor, o espírita deve reconhecer o transe e tomar as providências cabíveis, junto ao socorro médico ou aos recursos espíritas, como a ordem moral de afastamento dos espíritos, passe, irradiação etc.

Existe uma forma para se identificar a mediunidade intuitiva?

No livro Transe e Mediunidade tem essa explicação. No caso da intuição, ela vem inteira, direta e muitas vezes seguida do nome do espírito que está intuindo, o que se transforma em ação imediata. A observação constante do fenômeno dará segurança ao médium intuitivo e também, outros médiuns próximos podem confirmar o sentimento recebido.

Uma outra coisa importante para se observar é o resultado positivo provocado pela ação nascida da intuição. A intuição é a primeira variedade mediúnica surgida na humanidade. Veja o livro Evolução em Dois Mundos, de Chico Xavier (espírito André Luiz).

Quais são os tipos de transe e qual a sua origem? Segundo a conceituação espírita, o transe tem origem endógena e exógena. Poderia nos explicar?

Os tipos básicos de transe são: 1) patológicos. Ex: delírio febril, coma, trauma craniano, psicose, depressão, esquizofrenia, epilepsia etc. 2) farmacógenos: provocados por drogas e medicamentos como tranqüilizantes, calmantes, anfetaminas e ecstasy, cocaína, heroína, crack, álcool, fumo etc. 3) anímico: Quando o indivíduo é capaz de emancipar-se por si mesmo, por sua vontade, ou não, naturalmente ou sob estímulo. Veja pergunta número 420 de O Livro dos Espíritos. 4) transe provocado: a) hipnose auto ou hetero; b) mediúnico, provocado por espíritos bons ou maus; c) farmacógenos (já citado).

Esses são os tipos básicos. Endógenos são os provocados por distúrbios patológicos neuro-anímicos, por liberação ou inibição de neurotransmissores; os exógenos, transes provocados mediante estímulos externos.

Supomos que um médium cobre por seus trabalhos espirituais. Poderia essa mediunidade ser autêntica e eficaz?

A mediunidade não é propriedade dos espíritas, tanto quanto os poderes psíquicos de cada um. O problema de não cobrar por ação mediúnica foi uma recomendação dos espíritos a Allan Kardec, baseados em que os poderes mediúnicos são movimentações dos espíritos e, por isso, os médiuns não deviam cobrar, porque receberam o dom nesta vida. No entanto, é uma questão cultural. Nos Estados Unidos, por exemplo, o médium que não cobra é tido como feiticeiro.

Pode-se afirmar, com certeza, que toda pessoa que boceja seguidamente no momento da reunião mediúnica, se não estiver sob a influência do cansaço, está sob má influência espiritual?

Não significa má influência. Significa perda. Algumas pessoas se condicionam a determinados estímulos, mediantes os quais começam a bocejar. Entretanto, não pode ser descartada uma ação obsessiva.

Cabe ao presidente, através de outros médiuns presentes, fazer uma "varredura psíquica" no indivíduo que está apresentando esses sintomas, e descobrir as causas. Meu procedimento é esse.

O Livro dos Médiuns nos diz que quando um médium não age corretamente, os espíritos acabam por abandoná-lo, ficando este sem a sua mediunidade. Por que então vemos médiuns trabalhando para espíritos perturbados sem perderem a faculdade mediúnica?

Não devemos entender as coisas ao pé-da-tetra. Os espíritos superiores não são maus para abandonar seus protegidos. O que acontece é que os médiuns, com as suas atitudes estranhas e inadequadas, diminuem o tônus vibracional, não permitindo a facilidade da ação superior. Os espíritos protetores respeitam essa atitude por causa do livre-arbítrio, e não significa propriamente que o médium "perde a mediunidade", porque o seu corpo hereditariamente tem a possibilidade do transe mediúnico.

Duas coisas podem acontecer: os médiuns se sintonizam com os planos inferiores e continuam médiuns, ou os seus guias, considerando as energias compensadas do bem já realizado pelo médium, o protegem de modo especial para que não seja "pasto" para os "vampiros espirituais", de forma que, aparentemente, "perdem a mediunidade".

No caso, se um médium clarividente vier a perder seu dom, por atos assim, poderia ele voltar a ver caso se modificasse vibracionalmente?

Ele teria que ganhar a confiança de seus protetores novamente. E preciso entender que médium não é médium de uma mediunidade só. Cada médium possui em si mesmo uma dinâmica psíquica que pode alcançar diversos níveis de variedades mediúnicas, e isso é bem observa do quando se atenta para o fato.

A clarividência é apenas uma variedade, mas se ele diz ou se dizem para ele sempre que ele é um clarividente, ele bloqueia as outras possibilidades que ele tem. Tenho prova disso em meus experimentos no CIPES.

Em um dos seus livros, você coloca que o transe tem vários graus. Como poderia nos explicar isso?

Tem vários graus e várias intensidades. As intensidades, eu comentei no início: superficial, hipnogógico e profundo. Os graus, nós temos: intuitivo, semimecânico e mecânico. Esses graus referem-se aos transes motores. Ex: psicofonia, psicografia e psicopraxia (ação psíquica). Com relação aos transes psico-sensoriais, nós temos desde o pressentimento, criptestesia, premonição, clariaudiência, clarividência, olfativos e psicometros.

A psicometria pode ser enquadrada como fenômeno mediúnico ou anímico?

Ë uma possibilidade anímica, podendo ser secundada por espíritos.

No atendimento fraterno existe a manifestação mediúnica?

Se no atendimento fraterno existe o passe e a água fluidificada, naturalmente vai existir liberarão de ectoptasma num transe de natureza biológica, além da psíquica. Se no passe se está transmitindo energias psíquicas, o passista, mesmo que esteja consciente de tudo, está em transe superficial, e, como não poderia deixar de ser, o paciente que está sendo magnetizado também está em transe leve. Pergunte ao paciente o que ele sentiu no momento, e ele vai dizer o que sentiu.

Se o passista, no momento do passe, perceber a natureza dos problemas do paciente, o que há de ser feito, ele está em transe, que pode ser anímico ou mediúnico. O mais provável é que seja anímico (energias corporais), com auxílio das energias espirituais. Veja maiores informações na obra de André Luiz.

O transe tem várias origens, podendo apresentar combinações diversas na forma. Que formas são essas? E como podemos caracterizá-las?

Como foi dito, há vários tipos de transe. Por exemplo, a origem de um transe patológico, como no caso do delírio febril é uma febre; no caso de esquizofrenia, é a depleção das dopaminas; no caso das depressões, são os problemas com serotoninas, se consideramos o problema como de origem orgânica. Se for um problema de ordem espiritual, temos que considerar a erigem como uma incompetência de viver e uma revolta íntima (conforme Jung). Então, cada tipo de transe pode ter diversas origens. Não há espaço aqui para definir as origens de cada tipo de transe.

"Mediunidade" é igual a "medianimico"?

Mediunidade foi o termo utilizado por Kardec, que também se utilizou do termo "mediaminique". Aksakof utilizou o termo "anímico" (de "anima", alma).

Como a mediunidade vem atrelada às possibilidades anímicas do médium, o termo mais completo para a definição seria "medianimico". Mas o termo "mediunidade" já está consagrado.

Deixe-nos uma mensagem final.

Gostaria de lembrar que o espírito humano não está preso no corpo como se estivesse dentro de uma caixa. Ele irradia por todos os lados, podendo receber e emitir irradiações mentais (pensamentos) de níveis diferentes, adotando aqueles pensamentos que lhe são mais afins. Então, somos potencialmente médiuns, e se não temos a devida vigilância mental, corremos o risco de estarmos vivendo o pensamento de outrem, e não o nosso próprio.

Daí, o conselho básico de Santo Agostinho, na pergunta 919 de 0 Livro dos Espíritos sobre a questão do "conhece-te a ti mesmo". Só podemos dizer se somos ou não médiuns se os efeitos da nossa ação psíquica forem ostensivos ou sob observação experimental. Com relação ao transe mediúnico em si, é preciso exercitar as possibilidades que vão se apresentando e não decidir qual mediunidade que queremos ter, pois então corremos o risco de bloquear os gérmens das nossas possibilidades medianímicas latentes.

O conselho dos espíritos é que essas forças devem ser desenvolvidas acompanhadas de renovação moral, para que possamos vencer as forças inferiores que nos cercam neste mundo de expiação e provas.


TRANSE E MEDIUNIDADE

Trecho do livro Mediunismo, de Ramatís.
Psicografia de Hercílio Mães. Editora do Conhecimento.



Alguns médium com os quais temos tido contato afirmam resolutamente que nada se recordam do conteúdo espiritual que recebem dos desencarnados, deixando-nos convictos de que todos eles são absolutamente sonâbulos.

O médium sonâmbulo que for incapaz de avaliar de imediato ou posteriormente, ao menos, um só pensamento dos comunicantes desencarnados, além de muito raro, é um dos tipos mais apropriados para atender às pesquisas cientificas e identificar os espíritos dos “falecidos”, cumprindo a finalidade da alma. No sonambulismo perfeito enquadra-se melhor o médium de fenômenos físicos, que, em geral, só depois do transe completo é que fornece o ectoplasma para a consecução de trabalhos mediúnicos desse gênero. Ele precisa submeter-se passivamente aos técnicos do Além, para lograr o melhor êxito possível na fenomenologia de materializações, voz direta, transportes ou levitações, que se produzem pela manipulação da força ectoplásmica que se exsuda pela contextura perispiritual do médium.

Conforme já vo-lo dissemos, os desencarnados comunicam-se pelo cérebro perispiritual dos médiuns intuitivos. Nos sonâbulos acionam-lhes diretamente o cérebro físico e no médium mecânico movimentam-lhe a mão na psicografia inconsciente. Entretanto, sempre o médium terá um conhecimento parcial daquilo de que é intermediário, pois só nos casos de obsessão completa, em que se entidades malévolas, depois de tenaz ação “diabólica”, conseguem assenhorear-se completamente do comando mental do obsidiado, é que então se poderia aceitar o sonambulismo absoluto e sem qualquer lampejo de razão.

É certo que muitos médiuns, embora sejam sinceros e bem intencionados, alegam que são sonâmbulos e que de nada se recordam do transe mediúnico, temerosos de não inspirarem a devida confiança aos seus ouvintes. Nem sempre o fazem por vaidade ou má intenção, pois é evidente que o público fica mais convicto das comunicações do Além quando crê no completo alheamento do médium naquilo que transmite mediunicamente.

(Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 28, páginas 26-29)

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