1165 - O OURO DE PACHA-MAMA*

Ó, Pacha-Mama!
O Espírito do Condor esteve aqui e pediu que eu escrevesse alguma coisa sobre a Senhora.
Mas, o que eu poderia dizer que os xamãs andinos já não tenham dito?
Talvez, a Alma da grande floresta amazônica possa me inspirar...
Ou, quem sabe, o arco-íris que vi hoje pela manhã.
Ah, já sei: vou voar espiritualmente sobre os Andes e pedir inspiração às grandes montanhas (que, outrora, foram beijadas pelo mar).
Sim, que a Luz dos Andes desça em meu coração, em Espírito e Verdade.
 
* * *
 
Ó, Grande Mãe!
A Terra é a nossa Morada neste momento. É a nossa Escola. É nossa Amiga.
E a Senhora conhece os mistérios da natureza.
As névoas andinas são o Seu Hálito Vital.
O arco-íris é o Seu Sorriso Colorido.
O povo simples da floresta e das montanhas são os seus filhos queridos.
Ah, o Espírito do Condor me levou bem alto e me disse:
“O céu sobre os Andes é o manto celeste de Pacha-Mama!”
Então, eu vi a Sua Luz sutil descendo sobre os povos andinos.
Ah, Pacha-Mamma!
Eu vi o que os xamãs também veem: o Seu Amor abençoando os andarilhos das montanhas...
Eu vi o que os antigos conquistadores espanhóis não viram – e, portanto, não conseguiram conspurcar.
As riquezas que eles cobiçavam não estavam no Império Inca, mas, no Seu Abraço invisível e generoso.
O brilho que eles buscavam só poderia ser percebido em outros planos, nas luzes do coração... O Seu Ouro – além da percepção dos sentidos grosseiros -, o Seu Amor brilhando sobre os Andes.
O Ouro que os xamãs acharam, em Espírito e Verdade. E que os povos simples acharam nas preces à Senhora.
Não, os conquistadores de Pizarro** não conseguiram pegar a verdadeira riqueza, só destruíram o Império Inca...
Porque eles não acharam o Ouro real – o Seu Amor -, e, por isso, não conquistaram a si mesmos. E, talvez, muitos deles estejam hoje reencarnados entre os povos andinos.
E, dessa vez, quem sabe, eles procurem o Ouro verdadeiro, em Espírito e Verdade... E eu sei que a Senhora os abraça como seus filhos queridos também.
Ah, Pacha-Mama, eu não sei mais o que dizer.
O Espírito do Condor já voou para longe... E é a minha hora de colocar os pés de volta nas terras amigas do Brasil.
Assim como os xamãs andinos, eu também digo:
“Obrigado, Mãe!
Que o Seu Ouro brilhe em nossos corações, em Espírito e Verdade, enriquecendo nossas jornadas, humanas e espirituais.”
 
P.S.:
Escrevi essas linhas num impulso anímico-mediúnico, enquanto estava no espaço Semeando Luz, em Caxias do Sul (onde eu realizava um curso). Enquanto eu esperava o pessoal da casa chegar para o almoço, subitamente estalou em minha mente o nome de Pacha-Mama. Então, sentei-me e fiz esses escritos.
E quando eu mostrei os mesmos aos meus amigos do grupo, tive uma surpresa (e eles também). Ocorre que eles estão organizando uma viagem para os Andes nos próximos meses, e haviam feito uma reunião para acertar detalhes da mesma.
Mas eu não sabia de nada disso! Ou seja, a atmosfera espiritual do lance já estava no ar - e eu só captei-a psiquicamente e converti a sua essência em palavras.
Daí, nasceram esses escritos em homenagem a Pacha-Mama, a Mãe dos andarilhos simples dos altiplanos. E eu adorei ter sido veículo dessa atmosfera espiritual das montanhas da América do Sul, pois senti uma energia muito legal vindo junto.
Como sempre, recebi o lance de mente e coração abertos, e me senti muito honrado por ter grafado essas vibrações sutis... E se é da Luz, estou dentro, sempre de forma universalista, seja lá de onde venha a energia.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
Caxias do Sul, 31 de março de 2012.
 
- Notas:
* Pacha-Mama (do quíchua Pacha, "universo", "mundo", "tempo", "lugar", e Mama, "mãe", "Mãe Terra") - é a deidade máxima dos Andes peruanos, bolivianos, do noroeste argentino e do extremo norte do Chile.
** Francisco Pizarro González (Trujillo, Estremadura, 16 de março de 1476 — Lima, 26 de junho de 1541) - foi um conquistador e explorador espanhol que entrou para a história como o "conquistador do Peru", tendo subjugado o Império Inca.

Texto <1165><13/04/2012>

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