1554 - HÁ ALGO MAIS... UM AMOR, UMA LUZ. - CXX*

1554 ha algo mais um amor uma luz cxx
 
 
 
HÁ ALGO MAIS... UM AMOR, UMA LUZ. – CXX*
(Quando a Música das Esferas Chama o Coração...)
 
Quantas vezes nós olhamos sem ver?
Quando nossas quimeras embaçaram nossa mente...
Ah, nós já embarcamos em tantas ilusões!
E, por vezes, fizemos o nosso coração perder a canção...
Sim, aquela mesma que o sábio Pitágoras falava, “das esferas”.
Entramos e saímos dos corpos perecíveis há tanto tempo...
Nós ainda continuamos os mesmos?
A Terra gira e nós também, de vida em vida...
Nós estamos realmente aprendendo algo?
Ou só estamos repetindo antigos hábitos e novamente perdendo a canção?
Nós ainda trilhamos a senda com os passos inflamados de arrogância?
A criança dentro de nós ainda brinca?
Nós estamos no mundo, mas não somos do mundo...
Nós estamos humanos, nesse momento, mas somos espíritos!
Nossa pátria verdadeira não é em país algum!
Nós somos as centelhas vitais do Amor mais lindo de todos...
Então, por que nos esquecemos disso e parecemos estranhos para nós mesmos?
Quando olhamos para a abóbada sideral, sentimos saudade de algo mais...
Um Amor, uma Luz.
Nós ainda dançamos na chuva?
E quando raia mais uma aurora, nós agradecemos o dom da vida?
Ah, nós nos esquecemos de tantas coisas...
A canção das esferas continua por todos os planos da vida universal...
E nosso coração sente falta de ouvi-la (assim como o poeta “ouvia estrelas”).
O tempo de crescer é sempre agora, todo tempo!
Então, podemos voltar a dançar e brincar na chuva de nossas risadas.
Nós podemos voltar a “ouvir estrelas”, igual criança diante do infinito...
A canção do Eterno continua e os sábios a recolhem em seus corações.
Por isso, Pitágoras alertava: “quem não escuta a canção, perde a conexão!”
Ah, como nós nos esquecemos disso?...
Sem a canção, o coração esfria e somos tragados pelo vazio existencial.
A Terra não é uma colônia de férias! É escola da vida...
Nós precisamos aprender algo, para honrarmos o nosso tempo por aqui.
Então, um dia, no tempo certo, retornaremos para a “Casa das Estrelas”.
Porque há algo mais... Um Amor, uma Luz!
E a canção continua... sempre!
 
P.S.:
No meio da madrugada, um amigo extrafísico veio e me disse:
“Escreva algo para os corações que sentem falta de ouvir estrelas.
Com palavras de fogo vivo, forjada na Casa das Estrelas, cante o Eterno.
Relembre a todos da Força do Espírito!
O Grande Arquiteto Do Universo canta...
E em todas as esferas de vida os sábios recolhem essa canção de vida.
Depois, descem à Terra para ensinar isso aos homens de boa vontade.
Sim, eles descem para relembrar a todos que é preciso dançar na chuva...
E eles falam de um Amor e uma Luz... algo mais.”
Então, eu escrevi essas linhas, ouvindo estrelas...
E torcendo para que outros corações também estejam ouvindo.
Ah, tem uma criança dançando e rindo dentro do meu coração.
Porque eu sei que há algo mais...
Um Amor, uma Luz.
 
(Dedicado a Pitágoras e Olavo Bilac**).
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 23 de março de 2017.
 
- Notas:
* Esse texto fará parte do segundo volume do livro “Há Algo Mais... Um Amor, Uma Luz”.
Obs.: o primeiro volume do livro está disponibilizado para download gratuito no site do IPPB – www.ippb.org.br
** Ver o texto “Os Versos de Ouro de Pitágoras”, postado no seguinte link: http://www.ippb.org.br/textos/221-os-versos-de-ouro-de-pitagoras
Também sugiro aos leitores dar uma olhadinha nesses dois textos abaixo, pois os mesmos enriquecerão a leitura desses escritos de hoje:

** Enquanto eu passava a limpo essas linhas, rolava aqui no meu som o CD “Room V” – da banda americana de rock Shadow Gallery. Então, para quem quiser apreciar algumas de suas lindas canções, deixo na sequência os links do Youtube para as três músicas que mais gosto desse trabalho.

Shadow Gallery:
- "Rain" (accoustic version) - https://www.youtube.com/watch?v=b-xBJ0FBvpg
Obs.: Não resisto e deixo, na sequência, um poema de Olavo Bilac, que tinha olhos de diamante e via para além do zimbório celeste.
 
VIA LÁCTEA (XIII)
 
“Ora (direis), ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!”
Eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
 
E conversamos, toda a noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
 
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
 
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
 
- Olavo Bilac* -
(Extraído do livro “Poesias” - 1888).
 
- Nota:
* Olavo Bilac (1865-1918): foi jornalista e um dos maiores poetas brasileiros - e também membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
 

Texto <1554><29/03/2017>

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