876 - BABAJI – O PADRINHO ESPIRITUAL SECRETO III

(A Bênção Serena e Lúcida do Sol de Amor)

 
Amigo, não tenho flores para homenageá-Lo.
Desculpe-me. Minhas mãos estão vazias.
Eu não esperava Vê-lo. Na verdade, estava distraído.
Por isso, não captei seus sinais precursores.
No entanto, meu coração está cheio de amor.
E Você é como um padrinho espiritual para mim.
Quantas vezes Você me ajudou, em tantas vidas?
Na maioria delas, eu nem percebi.
Do Invisível, Você velava, como sempre fez...
Eu sei que Você está aqui e no Alto, ao mesmo tempo.
Sei que trabalha no silêncio das grandes almas livres.
E que também viaja pelo coração dos homens.
Você conhece cada um, por dentro da alma.
Sabe das luzes e dores que cada um carrega.
E compreende a todos... No silêncio que abençoa e cura.
Você é discreto, pois não quer personalismos ou seguidores.
E só se deixa perceber quando quer, pelos seus próprios motivos.
Eu estava distraído, mas Você me despertou.
E, agora, enquanto escrevo, compreendo. E começo a rir...
Como eu sou bobo. Por favor, desculpe-me pela tontice.
A madrugada está escura e gelada e eu estava encolhido de frio.
Então, fiquei retraído e não vi a sua estrela prânica** chegando.
Mas, agora eu fiquei esperto e o topo de minha cabeça*** acendeu.
Sim, eu sei, meu amigo. Nem só de pão vive o homem...
A fome de amor e espiritualidade mata mais do que parece.
E os homens são arrebatados pelo turbilhão de suas emoções densas.
Por isso, a necessidade de vibrações suaves e amigas para todos.
Na ação silenciosa, nos bastidores do mundo, Você faz seu trabalho.
O mundo não vê, mas Você permanece velando secretamente.
Suas ondas de serenidade viajam invisivelmente, tocando corações...
Enquanto o mundo gira, Você opera tranquilamente no centro.
Gerações de homens se sucedem na Terra, mas Você segue velando...
Modismos alienantes surgem e desaparecem, e Você continua silenciosamente...
Civilizações crescem e decaem, e Você ora pelo bem de todos.
As eras se sucedem, como deve ser... E Você permanece nas lides invisíveis.
Ah, Babaji! Se o mundo soubesse a barra secreta que Você segura...
E como eu gostaria de ter, aqui e agora, pelo menos uma flor para Você.
Mas eu só tenho um coração confiante e a vontade de crescer.
Esse mesmo coração que sente uma bênção secreta viajando com esses escritos...
Para outros corações, por esse mundão de Deus afora... 
 
P.S.:
A madrugada está tão fria, mas tem um sol aqui.
Um sol de amor, para fazer raiar a aurora da consciência cósmica.
O sol de Babaji! O sol do Samadhi****. O sol da serenidade e da lucidez.
Que Sua luz abençoe aos homens de todos os lugares, raças e culturas.
Minhas mãos estão vazias. Mas é com elas que escrevo o que o coração ordena.
Babaji, por favor, em lugar de flores, aceite meu coração. É tudo que tenho.
 
(Dedicado a Jesus, Krishna e Lao-Tzé - como quer Babaji).
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges (sujeito com qualidades e defeitos, 46 anos de “encadernação”, espiritualista que não segue nenhuma doutrina criada pelos homens da Terra, sejam elas ocidentais ou orientais, e que é apenas um escrivão das coisas do espírito, por motivos que só Deus é que sabe.)
 
- Notas:
* Os dois textos anteriores podem ser acessados para leitura no seguinte endereço específico do site do IPPB: http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5082.
Babaji é nome carinhoso dado ao mestre hindu que modernizou as práticas de Kriya Yoga. Para mais detalhes sobre o seu trabalho, sugiro aos leitores a leitura do excelente livro “Autobiografia de Um Iogue”, de autoria de Paramahansa Yogananda - editado em português pela Self-Realization Fellowship e pela Editora Lótus do Saber.
Obs.: Não confundir o avatar Babaji, aqui citado, com outros iogues e mestres que tomaram para si, como nome iniciático, o mesmo nome. Inclusive, não existe nenhuma foto dele. O que há são ilustrações baseadas nas descrições feitas por Paramahamsa Yogananda e outros. Logo, qualquer foto ou suposta aparição de Babaji nos tempos modernos (seja em livros ou em sites da Internet), não procede.
** Estrela Prânica - do sânscrito, prana - sopro vital; energia; força vital.
No contexto iogue é a estrela espiritual, manifestação do plano divino. Para melhor compreensão sobre isso, sugiro ao leitor o texto "A Canção das Estrelas-Bebês", no seguinte endereço específico do site do IPPB: http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=2322.
*** Topo da cabeça – região onde está situado o Chacra Coronário, que é o centro de força por onde entram as energias celestes. É o chacra responsável pela expansão da consciência e pela captação das idéias elevadas. É também chamado de chacra da coroa. Em sânscrito o seu nome é sahashara, o lótus das mil pétalas. Está ligado à glândula pineal.
Obs.: a pineal é a glândula mais alta do sistema endócrino, situada bem no centro da cabeça, logo abaixo dos dois hemisférios cerebrais. Essa glândula está ligada ao chacra coronário, que, por sua vez, se abre no topo da cabeça, mas tem a sua raiz energética situada dentro dela. Devido a essa ligação sutil, a pineal - também chamada de “epífise” - é o ponto de ligação das energias superiores no corpo denso e, por extensão, tem muita importância nos fenômenos anímico-mediúnicos, incluindo nisso as projeções da consciência para fora do corpo físico.
**** Samadhi – do sânscrito - expansão da consciência; consciência cósmica.
Obs.: Enquanto passava essas linhas a limpo, lembrei-me de um poema de Rabindranath Tagore, o grande poeta hindu do século 20. Segue-se o mesmo na seqüência.
 
 
 
FLOR DE LÓTUS
 
- Por Rabindranath Tagore -
 
No dia em que a flor de lótus desabrochou,
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia, e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um estranho perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente do verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim.
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu próprio coração.
 
- Texto extraído do livro “Gitanjali” – Edições Paulinas.
 
- Nota de Wagner Borges: Rabindranath Tagore - escritor indiano, nasceu em Calcutá em 1861 e desencarnou em Bengala em 1941. Depois de educação tradicional na Índia, completou a formação na Inglaterra entre os anos de 1878 e 1880. Começou sua carreira poética com volumes de versos em língua bengali. Em 1913, recebeu o prêmio Nobel de literatura. Desde então, traduziu seus livros para o inglês, a fim de lhes garantir maior difusão. Em suas poesias, Tagore oferece ao mundo uma mensagem humanitária e universalista. Seu mais famoso volume de poesias é Gitanjali (Oferenda poética). Fundou, em 1901, uma escola de filosofia em Santiniketan, que, em 1921, foi transformada em universidade.
 


Texto <876><03/09/2008>

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