A VIAGEM ASTRAL NÃO TEM DONO!

- por Luiz Otávio Zahar* -

Vivemos em um mundo complexo.
Até pouco tempo atrás bastava a alguém estudar algum assunto com mais afinco para ser considerado um especialista. Hoje este especialista seria considerado um generalista, isso quando não fosse considerado um simples curioso.
Este é um fenômeno que acontece em todas as áreas da ciência. Se no passado você era médico, era médico e ponto final. Mais tarde surgiram as especialidades, como a ortopedia, ginecologia ou endocrinologia. Hoje estas especialidades se encontram superadas, falando-se de especialistas em ombro, mão, mama, tireóide, fígado, etc.
Se, por um lado, isso demonstra um conhecimento cada vez maior da natureza do corpo humano, com uma vastidão de detalhes que incapacita a um único ser humano deter todo o conhecimento a respeito de qualquer assunto, cria, também, as condições para a construção de castelos de conhecimento inacessíveis aos mortais comuns.
Como eu já disse antes, este exemplo que dei na Medicina está ocorrendo em todas as áreas do conhecimento e também no estudo e na pesquisa das viagens astrais.
No passado, o estudo das viagens astrais fazia parte de um corpo de conhecimentos restrito aos iniciados. Veja bem, apenas parte de um todo, não era TODO o conhecimento. Com o advento da imprensa e o barateamento dos custos de produção bibliográfica, este conhecimento, antes restrito a pequenos grupos, se democratizou e se espalhou por toda a humanidade.
Com a revolução ocorrida nas comunicações, nos últimos 50 anos, as viagens astrais passaram a fazer parte do nosso cotidiano, tema de conversa de botequim, de histórias em quadrinhos infantis, de programas cômicos. Se você digitar "viagem astral" no site do Google, irá receber mais de 430.000 sites, só em língua portuguesa.
O interessante é que no caminho inverso do que até hoje ocorreu, alguns grupos passaram a pesquisar a viagem astral e foram se fechando em si mesmos. São institutos, associações, sociedades, que pretendem saber mais sobre o assunto ou com mais profundidade. Muitos imaginam que se tornaram os guardiões deste novo Santo Graal. Novas nomenclaturas são criadas para fenômenos conhecidos há milênios.
Isto é extremamente perigoso porque o uso de novos jargões dificulta o debate, tornando por vezes ininteligível o entendimento do assunto debatido, senão pelos iniciados em suas respectivas agremiações...
É compreensível que novos fatos demandem a criação de novos nomes. Quem poderia falar em clone na idade média, ou de células-tronco no século passado?
Por outro lado, criar nomes para situações ou coisas já "batizadas" só ajuda a criar mais confusão e dificultar a maior divulgação do conhecimento.
Àqueles que começam agora o seu estudo das viagens ou projeções astrais, fica aqui o meu conselho. Procurem manter a mente aberta, estudem em fontes variadas, não excluam qualquer fonte de conhecimento, por esta pertencer ao Instituto A ou B, ou mesmo não pertencer a nenhuma comunidade. Os livres pensadores por vezes têm muito a oferecer e não devem ser desprezados**.
A capacidade de saída consciente do corpo físico durante o sono é uma capacidade anímica, inerente ao ser humano, sem nenhuma vinculação religiosa, filosófica ou partidária. Tenha sempre em mente que os relatos de viagens astrais existem desde que o homem colocou seus pés sobre esta Terra.
A viagem astral não tem dono.

Rio de Janeiro, 06 de julho de 2006.

- Notas de Wagner Borges:

* Luiz Otávio Zahar é um grande amigo do Rio de Janeiro e um dos maiores pesquisadores das experiências fora do corpo do país. É médico há 23 anos, com especialização em Medicina do trabalho, Homeopatia, Acupuntura e Urologia. Mestrando em saúde ocupacional. Formação em Hipnologia médica e PNL. Nos anos 70 e 80 praticou hatha e raja yoga, além de fazer o curso de Meditação Transcendental®. Criou, em 1999, a lista de discussão pela internet VIAGEM ASTRAL (http://br.groups.yahoo.com/group/viagemastral/), que conta atualmente com cerca 800 membros.

Teve sua primeira projeção espontânea aos 15 anos, e desde então vem estudando e pesquisando as experiências fora do corpo. É colunista da revista on line do site do IPPB. Mantém um excelente blog sobre as experiências fora do corpo na internet: http://obe1.blogspot.com/ - e mais um site: http://hps.infolink.com.br/lzahar/obe/

** Quando o Zahar faz o seu alerta para os estudantes das experiências fora do corpo estudarem o tema com a mente aberta, sem fechar pacote com esse ou aquele sistema de estudo, tem toda razão. Inclusive, recentemente postei uma nota no fim de um texto justamente falando sobre isso. Peço permissão ao Zahar para postá-la aqui nessa nota, para corroborar o que ele está dizendo. Segue-se a mesma logo abaixo:

“Há diversos grupos e pesquisadores trabalhando bem com a projeção da consciência, cada um seguindo seu próprio jeito e abordando o tema da maneira que lhes parece a mais adequada. Alguns são mais técnicos, outros mais universalistas ou espiritualistas, e outros ainda ligados a alguma filosofia em particular. Por isso, sugiro aos leitores que dêem uma olhadinha na seção de bibliografia sobre o tema em nosso site (www.ippb.org.br). Lá estão listados livros das mais diversas abordagens e aí a pessoa tem a opção de escolher o que lhe parecer mais adequado em seus estudos. Na verdade, o ideal é sempre manter a mente e o coração abertos para tudo o que for positivo e recusar tudo aquilo que for deletério, venha de que fonte vier, pois não há nada perfeito nesse planeta, e os seres humanos (eu incluído, obviamente) não dominam nem as mais simples emoções, quanto mais um assunto como a projeção da consciência; fazer uma síntese inteligente e criativa de todas as informações, filtrando tudo com o crivo do discernimento e do bom senso e buscando sempre o crescimento, não só espiritual, mas principalmente como ser humano bacana. E ainda aumentar o bom humor, pois sem ser feliz, de que adianta estudar algum tema desses?

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