13 - SOL NASCENTE

O Sol bate no alto da casa japonesa. Vejo o reflexo de mil brilhos em seu telhado avermelhado.

A mente começa a viajar pela clarividência e vejo espiritualmente as imagens do povo japonês.

Perante meu olho espiritual, passam as imagens de gerações e gerações de japoneses. Séculos de história nipônica se desenrolam como um pergaminho espiritual-visual, plasmado diante da minha percepção.

Vejo o Japão surgindo, mudando, ressurgindo e mudando...

A linha do tempo segue e as imagens mostram o Japão espiritual transformando-se no Japão tecnológico.

A Espiritualidade se foi...

Ficou a tecnologia e também o estresse e o vazio consciencial.

A alma do povo japonês chora, agoniada, dilacerada nas entranhas de seu dragão tecnológico.

Os mais antigos estão presos a códigos de honra ultrapassados e os mais jovens estão presos no vazio-material-eletrônico.

Oh, Ilha de Edo! Seus velhos estão tristes e seus jovens estão perdidos, engolfados nas luzes artificiais das coisas.

Onde está sua alma verdadeira?

Povo japonês, onde estão seus sonhos luminosos? Que modernidade é essa que faz seu coração sofrer?

Por que essas luzes artificiais tomaram seu brilho espiritual?

Vejo novamente o telhado da casa japonesa.

O Sol já foi embora e os moradores da casa acenderam as luzes.

Porém, surge um outro Sol no zênite. Sua luz é mais intensa e percebo ondas de amor em seus raios.

É o Sol Espiritual de Buda. Sua luz-sabedoria banha toda a casa.

Percebo nessa visão um simbolismo: a casa representa o Japão!

Sinto que nesse momento a alma do Japão está recebendo o Dharma de Buda. Sim! O espírito de buda está abraçando o povo japonês.

Não sei o motivo dos espíritos me mostrarem essa visão. Mas, por intuição, sei que tenho antigas ligações com o Japão.

Não sei o futuro do povo japonês, mas sei que o Sol de Buda está brilhando nos telhados espirituais do Extremo Oriente.

Parece-me que a verdadeira alma japonesa está querendo ocupar seu devido lugar no coração das pessoas. Ela brilha sob a luz de Buda. Sua luz não é artificial, pois é um Sol de amor.

- Wagner D. Borges -
São Paulo, 9 de abril de 1998 às 18:00h
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Texto <13><04/05/1998>

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