205 - ENTREVISTA COM WAGNER BORGES SOBRE O LIVRO VIAGEM ESPIRITUAL II

(Entrevistadora Mônica Allan)

Mônica - Wagner, como nasceu a idéia de desenvolver um livro de projeção (Viagem Espiritual II) com tantas ilustrações?
Wagner - É que a maioria dos livros de projeção não tem muitas gravuras e nós queríamos um livro em que o leitor pudesse entender facilmente o que ele nunca viu, através de muitas ilustrações e textos explicativos. Assim, a mecânica da projeção, o relacionamento com os amparadores e tudo que envolve o projetor fora do corpo, tanto espíritos grossos como os bacanas, está reunido em um único livro. E com uma abordagem que leva mais em conta a relação amparador-projetor, já que a maioria dos livros não fala a respeito disso e os pesquisadores de Projeciologia têm evitado a parte espiritual. Trata-se de um erro porque ao sair do corpo você vai encontrar espíritos e isso não significa que é Espiritismo. Significa apenas que os espíritos existem. Neste aspecto, o livro está desmitificando e mostrando que a relação do projetor com os espíritos é muito forte e profunda e que isso não tem nada a ver com filosofia alguma.

Mônica - Na sua opinião, a projeção não está separada da espiritualidade?

Wagner - Não. Uma coisa está misturada à outra. Ao sair do corpo, você passa para o plano espiritual, plano onde os espíritos vivem. Você está se misturando à dimensão deles. Eles vêm e se misturam à nossa, para ajudar. Não há como separar isso. O que se deve separar é a parte religiosa. Mas a relação dos seres humanos com os espíritos sempre existiu e sempre vai existir. Afinal, o que é um espírito? É um ser humano desencarnado. A turma desencarnada vai reencarnar e vice-versa. Essa é a única diferença e, na minha opinião, essa separação que os pesquisadores de Projeciologia querem fazer não tem razão de ser. A nossa intenção ao publicar um livro não é só dar uma noção geral do que é a projeção da consciência, mas sim melhorar a pessoa, fazendo com que ela questione a respeito de suas horas de sono, de onde se encontra a consciência dela durante esse tempo que poderia ser aproveitado para se aprender algo. Então o objetivo do livro é tornar mais pessoas conscientes da importância de uma postura mental diferente que direciona para algo positivo dentro e fora do corpo.

Mônica - No livro "Viagem Espiritual" tínhamos textos psicografados da sua equipe extrafísica. Qual é a influência desta equipe neste novo lançamento?

Wagner - Da minha equipe não, eu que sou da equipe deles, é o contrário. Este lançamento é um trabalho de pesquisa que eu mesmo escrevi. Não é portanto um trabalho mediúnico, embora também tenha alguns textos psicografados. Os textos que eu escrevi tinham toda uma inspiração deles junto. Vários aspectos foram eles que me sugeriram, assim como também me influenciaram a fazer algumas mudanças.

Mônica - E qual foi o critério usado para avaliar certos aspectos da projeção e não outros?

Wagner - Os critérios foram dois : meu próprio estudo e a influência espiritual deles. Não se escreve um livro desses sozinho. Tanto eu para escrever e a Glória para desenhar, fomos nos inspirando espiritualmente e isto ela mesma pode te falar. Este livro com tantas gravuras é uma novidade na área, e já estava planejado há muitos anos no plano espiritual. É algo programado pelos espíritos para se materializar do lado de cá.

Mônica - Quer dizer que todo o trabalho é realmente desenvolvido em equipe, não existe mesmo a separação da espiritualidade com a projeção?

Wagner - Não existe. Eu trabalho com esta equipe tanto quando saio do corpo como através da mediunidade. Eu não faço nada sozinho, meu trabalho é guiado por eles. Mas isso não significa que eu não tenha autonomia. Faço o que quero, mas é óbvio que existe "o dedinho espiritual" deles em muita coisa que faço. A mesma coisa no que se refere a esse livro que eu mesmo escrevi como pesquisador. Existe muito da minha experiência pessoal como projetor e muito da minha experiência como viajante espiritual junto de todos esses espíritos.

Mônica - Você costuma dizer que cada noite é uma aventura para o projetor astral. Quais são as aventuras que os leitores poderão buscar a partir desse livro?

Wagner - Eu coloquei algumas técnicas no livro para as pessoas tentarem certas práticas. Mas o simples fato da leitura e da observação das gravuras já é uma potente sugestão que fica gravada na mente da pessoa e induz a uma experiência fora do corpo. Eu aconselharia a pessoa a ler antes de se deitar e a deixar o livro ao lado de sua cama todas as noites. A própria capa do livro já é uma sugestão visual muito importante.

Mônica - Wagner, como é lançar um livro a respeito de algo que a maior parte das pessoas nem se lembra de vivenciar e a outra parte, mesmo quando informada, ainda tem medo do assunto?

Wagner - Isso é inevitável. Tem muita gente que naturalmente não vai entender esse livro, por medo ou por falta de conhecimento mesmo, ou ainda por falta de estrutura da consciência para um assunto desse nível. Porém, muita gente vai entender e muita gente que está tendo projeção sem saber o que é, vai ler e compreender o que está acontecendo, deixando até o medo de lado. O simples fato de descobrirem a projeção como um fenômeno natural faz com que esses leitores se sintam mais tranqüilos. E se não entenderem muito desse assunto, pelo menos terão certeza de que isso não é loucura mas que, pelo contrário, pode levá-los a algo extremamente positivo. O que já é um grande passo para começarem a entender o assunto.

Mônica - Como a sua experiência inicial com a projeção, numa época em que a informação estava "oculta", influenciou você a lançar este livro hoje?

Wagner - Eu tinha 15 anos quando comecei a ter projeções espontâneas. Era a década de 70 e não se tinha tantos livros ou cursos a respeito desse assunto. Hoje, apesar da quantidade de livros, as pessoas comuns continuam sem acesso a esse tipo de informação. Então este livro, que tem uma bibliografia específica sobre o assunto, vai servir como uma espécie de guia para muita gente se aprofundar mais na Projeciologia, já que existem muitos livros por aí mas com uma linguagem técnica demais e longe de ser acessível ao povo, às pessoas de entendimento comum. E o objetivo deste livro é trazer o assunto da projeção mais para perto dessas pessoas para que elas também tenham uma chance de descobrir o potencial dentro delas. Caso contrário, a Projeciologia ficará muito elitista, só para um grupo de pesquisadores. A orientação espiritual que eu tenho é a de abrir esse assunto de uma maneira mais simples, correta e sem nenhum artifício técnico, facilitando a informação e tornando a projeção mais acessível a todos.

Mônica - Wagner, por que você tem uma relação especial com a ilustração da capa do livro?

Wagner - (risada...) A relação especial que eu tenho com o desenho da capa é que o amparador hindu que está ali flutuando é o Rama, um dos espíritos que me passou várias mensagens no Viagem Espiritual I e que a Glória desenhou sem saber quem era. E a mesma coisa aconteceu com o desenho da contracapa, uma cidade hindu que a Glória fez inspirada e que existe mesmo. Isso tudo tem muito a ver comigo, com a minha ligação pessoal com eles... eu estou ligado a essa equipe de hindus da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. É isso que faz a capa ser tão especial para mim, já que as ilustrações do interior do livro retratam um trabalho que faço desde os 15 anos e, pela própria experiência, sei que tudo ali é importante.

Mônica - O que mais você gostaria de falar para as pessoas a respeito da projeção, além de tudo que está no livro?

Wagner - O que eu gostaria de acrescentar é que as pessoas não devem buscar a projeção com leviandade nem como uma brincadeira espiritual. Este assunto é muito sério e para a pessoa poder caminhar nele e buscar uma projeção consciente, ela deve ter sempre dois objetivos: buscar conhecimento que a ajude a amadurecer e buscar ajudar aos outros com este conhecimento e essas energias que foram adquiridas extracorporeamente. A projeção pede objetivos sadios, por isso, as pessoas devem elevar seus pensamentos para os amparadores ao se deitarem e, dessa maneira, oferecerem-se para ajudar outras criaturas. Isto é, para servir a humanidade, através da projeção ou da maneira que for... através de pensamentos e sentimentos, por boas intenções... As pessoas têm que tomar consciência de que ao ler um livro, o corpo mental delas vibra na frequência do que se está lendo. É isso que faz a leitura sobre projeção, a leitura espiritualista ser fundamental, já que cria a conexão, mesmo inconsciente, com seres bondosos extrafísicos. Dessa forma, eles conseguem passar uma intuição e até mesmo influenciar positivamente as pessoas para o crescimento. A relação entre o projetor e o amparador, eu repito, é a coisa mais forte que existe na projeção. Sem espíritos, de quê adiantaria você sair do corpo sem ter com quem se relacionar e interagir? Os espíritos são parte integrante da Projeciologia mesmo que muitos pesquisadores tentem negar isso.

Mônica - Wagner, depois dessa "Viagem" que você e a Glória estão nos proporcionando, o que mais está a nossa espera?

Wagner - O Viagem Espiritual III. Na verdade, eu tenho mais quatro volumes que deverão ser lançados oportunamente. Sempre com os desenhos da Glória para ilustrar cada tema especificamente, embora com um número menor de ilustrações.

Mônica - Quer dizer que temos à frente uma longa viagem?

Wagner - Uma longa viagem até o volume VI. Desde o material da Cia. do Amor, a Turma dos Poetas em Flor, que é de textos psicografados de poetas e cronistas brasileiros desencarnados, até um outro que é um "mix" de textos meus, como escritor, com textos dos amparadores, além de um outro a respeito da vida após a morte dedicado às pessoas que perderam um familiar. Na verdade, estes assuntos não são novidade. O que diferencia o nosso trabalho é a maneira como ele é abordado, com uma linguagem mais simples e moderna. Não há nenhum rótulo religioso nesse trabalho, eu não pertenço a nenhuma linha espiritual e não quero rótulo nenhum. Eu sou um espírito e trabalho com tudo de bom que possa melhorar o lado espiritual e não quero rótulo nenhum. Eu sou um espírito e trabalho com tudo de bom que possa melhorar o lado espiritual do ser humano e que, por repercussão, melhora o lado material. Não sou guru de ninguém. Sou um ser humano comum que almoça, janta e vai ao banheiro todos os dias. A única diferença é que tenho a capacidade espiritual mais aberta do que a média das pessoas e vejo coisas que as pessoas ainda não vêem. Por isso mesmo, tenho a obrigação de passar tudo para o papel e expandir esse conhecimento para os outros.

Mônica - Para que as próprias pessoas possam se desenvolver e tratar esse assunto com uma naturalidade maior?

Wagner - Exatamente. As pessoas devem tratar todos esses assuntos de maneira natural porque eles não são sobrenaturais, pelo contrário, eles pertencem à vida.

Obs: O livro "Viagem Espiritual II" está disponível em nosso site (texto integral com todas as ilustrações).


Texto <205><23/03/2000>

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