1674 - REVELATION - III*

1674 revelation iii
 

 
REVELATION – III*
O Céu Azul do Henrique.
 
É madrugada de outono.
E eu me lembro de uma linda canção**...
Novamente ele aparece aqui no meu lar.
Ele está tão sério e concentrado, nem parece o rapaz que conheci.
Ele faz um gesto com uma das mãos e, pelas vias da telepatia, ele me diz:
“Sempre ligado espiritualmente, né Wagner?
Fui eu que projetei a lembrança da música em sua mente...
Para você se ligar e me perceber no seu ambiente.
Agora, você está me percebendo claramente.
Não estranhe o meu jeito de hoje, é como eu sou mesmo.
Eu sempre fui tímido e reservado, mas alegre por dentro.
Eu era cheio de sonhos, mas algo dentro de mim me apertava.
Era o resultado do meu passado me cobrando (eu tinha pesadelos).
Meus pais nada sabiam, pois eu tinha vergonha de contar para eles.
Eu não queira preocupá-los. Eu só queria estar com eles e com meu irmão.
O meu céu era azul da cor de Krishna***, mas eu sentia algo escuro vindo...
E foi assim que aquela paulada na minha cabeça me tornou livre novamente.
Por favor, diga para minha família como eu estou e que agradeço a eles.
Que sigam a vida com garra e jamais se deixem levar por lembranças tristes.
Eu lhe peço que fale hoje mesmo com eles sobre minha presença, é importante.
Eles entenderão, fique sabendo. Só basta isso nesse momento.
Wagner, o Amor de Deus sempre proverá o coração dos que fazem o Bem...
Eu quero agradecer a você também, por sempre me receber com carinho.
Você sempre me viu como criança, por isso estranhou quando me percebeu aqui.
Eu sou mais do que o menino de antes e agradeço a Deus, por tudo mesmo.
Hoje, o meu céu é azul, mas sem nuvens escuras... é Céu de Krishna.
Fale aos meus pais desse Amor que sinto (não só por eles, mas por todos).
É o mesmo Amor que você está sentindo agora... Amor sem fronteiras.
Diga ao meu irmão que nunca deixe de sonhar... ele entenderá!
(Às vezes, alguns vão... Outras vezes, alguns vêm...)
Quando escutar essa música novamente, lembre-se de mim, como sempre.
Um abraço, Wagner (pai da Helena, não me esqueci dela)”.
 
P.S.:
Mais uma vez, o Henrique apareceu e deixou um perfume de flores no meu lar.
É homem feito, ou, melhor dizendo, espírito sempre feito.
O Amor que ele emana é típico daquelas consciências extrafísicas pacíficas.
Pelo jeito, continua gostando da música “November” (assim como eu).
Ah, têm coisas que o Amor Divino provê... coisas além desse mundo.
Porque há algo mais: Um Amor e uma Luz, sempre.
Agora, eu vou ligar para os pais do Henrique (vou acordá-los com certeza).
Em seguida, vou escutar “November” novamente.
(Enquanto o Amor cresce, eu diminuo... e, assim, a Luz se faz no meu coração.)
 
Paz e Luz!
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 2 de abril de 2019.
 
- Notas:
* Henrique era um jovem artista de 22 anos, amigo das minhas filhas (principalmente da Helena) e filho de um casal amigo. Ele foi agredido com um taco de beisebol na cabeça dentro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em 21 de dezembro de 2009. Ficou em coma até outubro de 2010, quando, finalmente, voou de volta para casa, lá em cima nas estrelas...
Obs.: Para melhor compreensão desses escritos, sugiro aos leitores que leiam as duas partes anteriores desse texto, postadas nesses links:
** A canção é a “November”, do vocalista e guitarrista americano Christopher Cross. Para quem quiser aprecia-la, deixo na sequência dois links do site do YouTube.
Christopher Cross:
- "November (Two Hearts)" - Studio, 2011 – 
- "November (Two Hearts)" - Live, 2011 – 
*** Krishna - o maior dos avatares (emissários divinos) entre os hindus. O mestre de Arjuna, conforme narrado no Bhagavad-Gita (parte essencial do épico “O Maha-Bharata).

Texto <1674><03/04/2019> 

Tags: Wagner Borges

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