1675 - VIAJANDO NA NAVE DO DISCERNIMENTO CONSCIENCIAL

1675 viajando na nave do discernimento consciencial
 

 
VIAJANDO NA NAVE DO DISCERNIMENTO CONSCIENCIAL
(Texto publicado originalmente na Revista Sexto Sentido, número 81, p. 23 e 24 – Ano de 2007.)
 
- Por Wagner Borges.
 
Há muito tempo, várias tradições religiosas falam da vinda de um ser superior para colocar a casa em ordem na Terra. Para uns, é o Cristo; para outros, o Maytreya; e outros esperam a descida de Kalki ou de algum outro luminar espiritual. Ou seja, existe sempre alguém esperando a descida de algum ser celeste por aqui.
Na verdade, essa esperança é antiga. E o que muda são apenas os discursos e os arautos que pensam representar o ser em questão, cada um com sua suposta verdade, sempre calcada na fé (que deve ser respeitada sempre, pois a liberdade de expressão é direito inalienável de cada um, desde que não “encha o saco” dos outros que pensam diferentemente, nem tente doutrinar o discernimento alheio).
Porém, quando as coisas não acontecem como o esperado, ou a profecia de alguém falha, a decepção aparece. Então vemos vários fiéis abandonando a nave de sua fé porque o lance esperado não rolou; e outros, reinventando explicações e remarcando datas, como se suas consciências dependessem da descida de alguém de fora para resolver suas encrencas de dentro.
Há muitas explicações e muito “disse me disse”, mas poucos fatos concretos para embasar o que se acha; e também, pouca fé, pois quando o coração arde verdadeiramente na sintonia de algo maior do que o ego humano, pouco ou nada representa a profecia ou o arauto tal; vale mais o que o amor diz dentro da alma; vale mais sentir a luz de dentro, que sabe, mesmo sem ver.
Logo, a preocupação maior deveria ser portar tal luz dentro do coração e não se deixar envolver por pessoas e coisas de fora, sempre sujeitas a mudanças de interpretação ou de foco.
A nave vai pousar ou não? Jesus, Kalki, o anjo e os ETs vão descer ou não?
Sinceramente, sei lá! E isso não tem importância alguma, pois o melhor está dentro de cada ser humano mesmo. O ruim é não tomar consciência de que o perigo está na nave dos próprios pensamentos não descer no campo de pouso do coração e, assim, perder-se na necessidade de seres celestes de fora terem que vir fazer o serviço por nós.
Esse é o grande perigo: valorizar a vinda de alguém de fora, prescindindo da própria capacidade de regeneração e progresso. Esquecer-se de que é uma centelha do Todo que está em tudo, privar-se de andar pelas próprias pernas e venerar o céu de fora, esquecendo-se do céu de dentro, real e muito mais próximo do que se imagina.
Sei lá o que vem por aí... Tudo é possível, mas é uma benção não depender de possibilidades relativas (como tudo na vida) para ser feliz. Com nave ou sem ela; com Cristo Krishna ou Buda; com espíritos, ETs ou anjos; precisamos todos nós de uma boa dose de discernimento e amor em nós mesmos.
Precisamos ser felizes, aqui e agora; o momento presente é o que existe; o amanha dependerá do que realizarmos hoje. E, mesmo que não fosse assim, ainda dependeria de cada um e nós a mudança de dentro, pois ela é sensível ao que pensamos e fazemos.
Se os grandes mestres descerem por aqui novamente, penso que é isso o que eles diriam aos homens. E se eles não descerem, penso que a própria consciência, no tom do bom senso e da inteligência, é que deveria dizer isso a si mesma.
De qualquer forma, ao observar os olhares injetados dos supostos arautos e suas reações diante de quem não aceita seus vaticínios, prefiro ficar mesmo com o bom e velho discernimento em ação.
Na nave de minha vida, quem voa alegre e pousa feliz sou eu!
Que, um dia, finalmente role um contato com outros seres do universo, não porque alguém vaticinou isso, mas porque é provável mesmo, principalmente tendo consciência da imensidão sideral e do anseio de conhecer outras plagas do cosmo, que não deve ser coisa apenas dos seres humanos.
Que esse encontro seja num dia bem ensolarado, longe de vaticínios apocalípticos e de pessoas medrosas, para saudarmos junto com eles a beleza da Natureza.
Para voarmos alegres e pousarmos felizes, juntos. Até lá, vamos tocando a bola e tentando ser felizes da melhor maneira possível, aqui e agora, pois o que somos depende do que pensamos e do que fazemos. E isso ninguém jamais fará em nosso lugar (nem Cristo ou os ETs): evoluir por nós!
Com nave ou sem elas; com Cristo ou não; discernimento a todo vapor, por favor!
 
- Nota:
Esses escritos não são direcionados a alguém (ou a algum grupo) especificamente. E retratam naturalmente apenas meu ponto de vista (relativo, como o de todos) sobre a sobreposição de vaticínios religiosos com a temática ufológica. Ninguém é detentor da verdade. Por isso, precisamos de mente aberta, pois, na vida, tudo é possível; mas, sem abdicar do filtro do bom senso e do discernimento nas ponderações. E também, sem irritações descabidas ou ataques pessoais aos outros por causa dessa ou de outra opinião; para quem raciocina, a questão é sempre a discussão de ideias, nunca sobre pessoas.
 
- Wagner Borges é nascido no Rio de Janeiro, em setembro de 1961; é pesquisador espiritualista, projetor extrafísico, conferencista e autor de vários livros, dentre eles a série “Viagem Espiritual”, sobre as experiências fora do corpo.
É o fundador do Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas (IPPB – www.ippb.org.br )
É colaborador de várias revistas e colunista de vários sites da internet.


Texto <1675><05/04/2019>

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