UTOPIA DE UM DIA QUE IRÁ CHEGAR

- por Fernando Golfar -

Um dia haverá de chegar, onde ao amanhecer encontraremos um mundo em paz, reflexo do nosso íntimo, para que possamos compartilhar, uns com os outros, a nossa essência em SER.
Um dia haverá de chegar, onde a fome não fará mais parte da rotina da humanidade, e que todos poderão sentar-se à mesma mesa e compartilhar do mesmo pão, como irmãos.
Todos como uma só consciência. Todos sendo uma essência única.
Um dia haverá de chegar, onde a discórdia religiosa ficará para fora das igrejas e templos, e todos, independentemente de qual seja sua crença, se verão e se respeitarão como verdadeiros seres divinos.
Um dia haverá de chegar, onde as guerras político-partidárias deixarão as nações, libertando-as dos grilhões do egoísmo e do auto-favorecimento, pois o mais importante será o bem estar de todos os homens, e não apenas o bem estar de alguns poucos.
Ah... Um dia haverá de chegar, onde a escravidão física, monetária ou ideológica se extinguirá, dando lugar à tão sonhada liberdade; a ponto de podermos olhar nos olhos de nosso semelhante e respeitá-lo pelo que ele é, e não pelo que eu gostaria que ele fosse.
Compreenderemos que existe dentro de cada ser um Deus latente, potencialmente bom e justo, que segue a linha reta entre os pilares da sabedoria e do amor.
Um dia haverá de chegar, onde vamos entender que a cor da pele não fará a mínima importância, pois vamos senti-la pelos olhos do coração; e realmente entenderemos a verdadeira importância que cada um tem na vida de todos.
É claro que, quando esse dia chegar, faremos aos outros apenas o que gostamos para nós, e não esperaremos nada em troca pelo que fizermos; não apontaremos o dedo no rosto de ninguém, taxando-o disto ou daquilo, apenas porque acreditamos nisso ou naquilo.
Respeitaremos e seremos respeitados; amaremos e seremos amados; entenderemos e seremos entendidos; evoluiremos a ponto de analisar quanto tempo estamos perdendo em manter nosso mundo somente da cor que nós queremos, do jeito que nós pretendemos, ou no formato que mais nos agrada.
Não existe nenhuma novidade nisso que escrevi, até porque cada ser humano entende que este é o caminho a seguir; mas, qual de nós será o primeiro?
Quem fará o trajeto inicial, provando ser possível viver materialmente num mundo assim?
Quem se dará ao respeito de não apontar mais o dedo para aqueles que, por muitas vezes, fizeram apenas o que achavam ser o melhor a fazer (imbuídos das melhores intenções de amizade)?
No entanto, infelizmente, cada um de nós prega o ato do outro em uma cruz e o excomunga da vida.
Qual de nós será o primeiro a dizer, sem se sentir humilhado ou por baixo?:
“Por favor, me desculpe!”
Um dia haverá de chegar...

São Paulo – Agosto de 2006.

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