LIVRE

Há momentos na vida em que os pequenos gestos e atitudes se tornam majoritários.

Um sorriso franco, um abraço apertado, uma palavra que leve o “sol” para dentro das pessoas. A imagem de uma flor, a fotografia de um filho, o olhar natural de um cão dócil, o colo sempre abençoado da mãe, entre tantas outras dádivas, passam a fazer mais efeito que as revistas de gente pelada, ou se a pessoa que você deseja liga ou não para você, ou se a celulite, os pneuzinhos e os fios brancos já estão aparentes.
Quando o amor permeia, ele varre todas as outras coisas e as coloca para baixo do tapete das emoções. O amor permanece. Sempre! Faz com que toda a monstruosidade verta em ternura.

Amar é atemporal, intransitivo, nunca se conjuga, ao contrário da paixão, que tem prazo de validade e contra-indicação.

As paixões moram no estômago. O amor conta as batidas do coração. A paixão é escrava. O amor é livre! As pessoas se libertam através dele. E por mais que estejamos escravizados, encarcerados por meio do ódio da raça humana, a fé, que é a certeza inabalável da esperança, sobrevive e nos mostra um caminho de perseverança, acompanhado de compaixão e sabedoria.

As fronteiras existem para demarcar o egoísmo. O amor rompe os limites do impossível.

Poder, dinheiro, sexo, tudo é transitório na vida. Um dia, tudo isso se cala e desta maneira se instala o vazio.

O amor pode ser calado, porém sempre grita sua liberdade de dentro para fora, e de fora para dentro. Você pode estar na escuridão, todavia o amor preenche o peito com as luzes do Universo. Você nunca está preso, você sempre se liberta quando tem amor!



P.S.: Esse texto foi inspirado numa foto do pai iraquiano que acolhe seu filho sob o jugo americano (ver a foto logo abaixo).


- Mauricio Santini -
São Paulo, 25 de maio de 2004.

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