Um Encontro Extrafísico com Daniel Douglas Home

 um encontro extrafisico com daniel douglas home
 
 

UM ENCONTRO EXTRAFÍSICO COM DANIEL DOUGLAS HOME

(Texto publicado na revista "Espiritismo e Ciência" – Número 2 - Editora Mythos)
 
- Por Wagner Borges -
Daniel Douglas Home nasceu na aldeia de Currie, perto de Edimburgo, na Escócia, em 20 de março de 1833. Provavelmente foi o maior médium de efeitos físicos de todos os tempos. Contemporâneo de Allan Kardec (pseudônimo de Leon Hypolite Denizard Rivail; 1804-1869) e de Madame Blavatsky (Helena Petrovna Hahn Fadéef de; 1831-1891), sempre trabalhou só, nunca se ligando a nenhum grupo. Suas façanhas mediúnicas foram inúmeras, muitas em plena luz do dia e observadas atentamente por dezenas de pessoas.
O autor britânico Colin Wilson (1931- ) acha que Home talvez tenha sido o mais notável e convincente de todos os médiuns que já existiram. No seu livro "O Oculto", Wilson diz o seguinte: "Home foi um dos mais inequívocos médiuns que já existiram. Se os numerosíssimos relatos de suas manifestações não constituem provas científicas, então é porque essa expressão perdeu totalmente o sentido."
Concordo com a opinião de Wilson, embora ressalvando que o médium brasileiro Carlos Mirabelli (1889-1951) produziu fenômenos que talvez se equiparem, ou até mesmo superem, os fenômenos produzidos pelo médium britânico.
A minha admiração por Daniel Douglas Home é antiga. As pesquisas realizadas e as histórias contadas a seu respeito sempre me fascinaram. Os fenômenos que produzia foram testemunhados e comprovados por centenas de pessoas em diversas ocasiões. Para ele, o lugar e o tempo não importavam, os fenômenos aconteciam de qualquer maneira, genuínos e inexplicáveis. Nunca foi apanhado cometendo fraudes. Durante as sessões mediúnicas que realizava tudo podia acontecer: mãos se materializavam em pleno ar acenando lenços ou pegando nas pessoas; móveis se moviam; e até pianos de cauda voavam pela sala. Ouvia-se música e a voz dos espíritos era audível no ambiente (pneumatofonia; voz direta). Sinos tocavam, pássaros cantavam e espíritos se comunicavam dando informações detalhadas sobre diversos assuntos que o médium desconhecia e que eram apenas do conhecimento de algumas pessoas presentes à reunião.
O grande cientista britânico William Crookes (1832-1919), que mais tarde pesquisaria a mediunidade de Florence Cook (1854-1904), pesquisou a mediunidade de Home e atestou a autenticidade dos fenômenos produzidos. Seu relatório sobre a pesquisa efetuada foi publicado no Quarterly Journal of Science - de julho de 1871.
Nele, Crookes admitia que a sua mente racional assegurava a impossibilidade de tudo o que observara, entretanto reconhecia estar plenamente convencido de que Home era capaz de levitar, segurar brasa, alongar-se e fazer com que os objetos flutuassem no ar. A contribuição de Home em favor da pesquisa parapsíquica e das ideias espiritualistas é imensa.
Home partiu do mundo físico em 1886, aos 53 anos. É do encontro com esse médium incrível, hoje desencarnado, que quero comentar.
No dia 16 de janeiro de 1989, eu estava hospedado no apartamento de um casal amigo em São Paulo. Por volta das 13 horas, estava sentado numa cadeira na sala, junto a uma mesa de fórmica, rodeada por outras cadeiras vazias. Estava só no ambiente, as outras pessoas da casa estavam conversando na cozinha. Nessa ocasião, estava pesquisando a vida de Home em dois excelentes livros: "D. D. Home: o Homem Que Falava com os Espíritos" (I. G. Edmonds; Ed. Pensamento) e "O Oculto" (Colin Wilson; Ed. Francisco Alves; vol. 2; pág.134,135).
Durante a leitura, notei alguns espíritos no ambiente (no entanto, sem divisar as suas aparências). Em dado momento, notei que um deles havia sentado em uma das cadeiras vazias em frente à cadeira em que eu estava. De início, não vi claramente a sua fisionomia, mas senti as energias agradáveis que eram emanadas na minha direção. Notei um dos amparadores espirituais* que trabalha comigo, em pé, atrás da minha cadeira.
Telepaticamente ele me orientou para que eu parasse a leitura e relaxasse para observar melhor o visitante espiritual que estava sentado em frente a mim.
Iniciei uma exteriorização de energia e as minhas percepções se ampliaram.
Para minha surpresa, aquela pessoa sentada à minha frente era nada mais, nada menos que Daniel Douglas Home. Observei com bastante atenção a sua fisionomia. Tinha cabelos castanhos claro, meio encaracolados, partidos ao meio. Seus olhos eram grandes e azuis, expressando uma mistura de inteligência, ingenuidade e ironia. Tinha bigodes e estampava um sorriso simpático. Seus lábios eram finos e os dentes perfeitos. Era magro e estava vestido com um sobretudo cinza por cima de uma camisa branca. No conjunto, denotava ser um homem fino e elegante.
Procurei observá-lo com muita atenção, pois além de ser sensitivo, sou também um pesquisador. Quando vejo um espírito, a primeira coisa que faço é exteriorizar energia na sua direção. Utilizo esse processo para verificar se aquilo que estou vendo é realidade ou uma forma-pensamento criada pelo meu subconsciente, fruto de ilusão ou de algum condicionamento mental meu.
Aquele era realmente o Daniel Douglas Home. Ele acenou para mim e sentou-se em outra cadeira (ou seja, no duplo extrafísico da mesma). Depois retornou à cadeira anterior. Às vezes, ele olhava para o lado, sorrindo e dialogando com um dos espíritos que ali estava, e que eu não percebia pela clarividência. Pelo que observei e senti, as condições espirituais de Home eram ótimas.
Em dado momento, o ambiente foi inundado por uma luz branca muito intensa, envolvendo a mim e a Home ao mesmo tempo. Senti que aquela luz me energizava e, ao mesmo tempo, extraía ectoplasma do meu corpo, na altura do plexo solar.
Aquelas energias retiradas eram direcionadas, em primeiro plano, para alguns espíritos doentes que estavam no ambiente, trazidos pelos amparadores extrafísicos. Em seguida, eram direcionadas para fora do local, com o objetivo de ajudar pessoas à distância.
A minha lucidez começou a diminuir, o que é natural quando um médium está doando energias. Nesse instante, Home começou a dialogar comigo telepaticamente...
Disse-me que a mediunidade de efeitos físicos (ectoplasmia) é a mais espinhosa de todas, pois as sensações são as mais penosas para um médium. Falou-me que a catalepsia, a letargia e a prostração do corpo físico eram uma constante na sua vida, quando encarnado. Também disse que a projeção da consciência era um assunto que o seduzia, mas devido às circunstâncias de sua vida, não prestara muita atenção nessa faculdade parapsíquica, relegando-a a segundo plano e tratando-a, até, com certa leviandade. Não obstante isso, tivera algumas experiências fora do corpo bem reais**.
Deu-me alguns conselhos pessoais referentes à ectoplasmia e cura mediúnica. Após isso, deu um sorriso de despedida e começou a desaparecer lentamente dentro daquela luz que nos envolvia.
Após sua partida, cochilei por alguns instantes, até que uma forte descarga de energia banhou todo o meu corpo, deixando-me bastante ativo. A luz que envolvia o ambiente foi diminuindo gradativamente até desaparecer totalmente. Os espíritos haviam partido!
Analisei com calma a visita que recebera, um verdadeiro presente, e agradeci mentalmente aos amparadores espirituais, ainda emocionado, a oportunidade que eles haviam me concedido.
Algumas pessoas provavelmente duvidarão desse relato, classificando-o como fantasia subconsciente da minha parte. A essas pessoas devo informar que trabalhando há muitos anos com experiências fora do corpo e a mediunidade sei distinguir claramente um espírito real de uma forma-pensamento. Além disso, posso identificar um espírito pelas energias que sinto emanar dele, o que, obviamente, é diferente no caso de uma forma-pensamento, que não gera esse tipo de energia consciencial. Se Home fosse uma fabulação inconsciente de minha mente, o amparador extrafísico não chamaria a minha atenção para observar melhor o visitante.
Sobre Home, eis o que diz Colin Wilson em "O Oculto": "Home compunha uma personalidade artística, mas não criava, no sentido usual da palavra. Ao contrário de Jung, era muito superficial - jamais questionava os espíritos nem se dedicava a uma reflexão mais séria. Foi sempre um frequentador da alta sociedade, percorrendo a Europa toda a cear com a realeza. O que não teria descoberto tivesse ele sido um ´viajante da mente´ como Jung!".
 
- Notas:
* Amparadores Espirituais – entidades extrafísicas e positivas que ajudam na evolução de todos os seres; mentores extrafísicos; protetores astrais; auxiliares invisíveis; guias espirituais; benfeitores espirituais.
** Há um relato projetivo de Daniel Douglas Home no livro “D. D. Home – O Homem Que Falava com os Espíritos”. O mesmo pode ser acessado nesse link:
http://www.ippb.org.br/textos/378-uma-projecao-de-daniel-douglas-home 
 
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