490 - VIAJANDO NAS ONDAS DO AMPARO SERENO E FRATERNO

São agora 19h50min do dia 31 de dezembro de 2003.

Estou de férias num sítio em Jundiaí com um grupo de amigos.

Enquanto eles estão assistindo a um filme na sala da casa principal, eu estou na casa dos fundos, sentado em frente à piscina.

Sinto vontade de escrever e ligo o note-book. Passo a limpo um texto antigo e fico olhando à toa para uma névoa fina que está descendo por aqui. Ligo o som e coloco um belo CD de rock progressivo italiano (1) para escutar e curtir a beleza do momento mágico do crepúsculo, o momento do dia que mais aprecio, mesmo com a chuva fina que agora cai misturada na névoa tênue.

Enquanto curto a música e o ambiente, sinto uma descarga de energia azulada subindo da base da coluna até a região interna da nuca.

Imediatamente sinto a aura dilatar-se, notadamente na área dos ombros e da cabeça.

Fecho os olhos e percebo à minha direita o amparador Sanat Khum Maat (2). Ele faz um gesto de saudação com a cabeça, e aí percebo que ele é a causa do lance energético em andamento. Pelo seu olhar silencioso, sinto o seu nível de consciência. Ele é puro contentamento silencioso. De sua figura majestosa emana uma certa suavidade azulada característica dos iniciados na paz interior. Sinto o seu carinho me envolvendo como a um filho querido, e penso:

"Quantas vidas e experiências esse cara já passou para apresentar um nível de consciência elevado desses? Quantas vezes ele suportou o amargor da solidão e da incompreensão dos seus discípulos na sua jornada iniciática? Quanto tempo e esforço dedicados aos mergulhos profundos nos questionamentos conscienciais?"

Chamo o meu amigo Vítor para sentar aqui pertinho e se concentrar para pegar uma carona na presença desse amparador, mas sem avisá-lo sobre quem é e o que está rolando.

Parece que Sanat não veio para passar algo especificamente, mas apenas para visitar-me e compartilhar comigo o seu carinho em silêncio.

Aproveito que o note-book está ligado e pergunto mentalmente se posso apresentar-lhe algumas questões e anotar suas respostas na seqüência.

Ele concorda, mas ergue a mão direita e diz:

"Só quem sabe tudo é o TODO! O que posso responder-lhe é apenas o que sei dentro do grau relativo de conhecimentos que possuo no momento. E mesmo assim, pondere bem sobre a relatividade de sua compreensão para cada resposta apresentada. Dentro dos parâmetros do bom senso e da dignidade iniciática apropriada, é possível um colóquio espiritual sereno e de qualidade.
Sob a inspiração do Alto e de acordo com os princípios equânimes do amor e da luz, vamos unir nossas consciências no fluxo da inspiração superior."

Então, imediatamente descem duas colunas de luz azul sobre nós, uma para cada um. Sinto uma outra presença maior interpenetrando a nós dois. Noto que o próprio Sanat está num estado alterado de consciência, como se ligado a outros níveis espirituais superiores, algures...

Sinto-me ótimo, mas penso:

"Caramba! Esse troço é maior do que eu imaginava. Pensei que era só um papo espiritual, e agora entra um lance grande desses na faixa."

Dentro de minha cabeça há agora uma luz azul suave, e no meio dela surge um pequeno triângulo azulado interpenetrando as glândulas hipófise e pineal, a nuca, e os chacras frontal e do alto da cabeça.

Olho para o Vítor sentado lá fora em frente à janela e a piscina e me parece que há uma energia dourada em torno dele, com muito azul por dentro (3).

Ao mesmo tempo, percebo uma grande massa de energia ovalada dourada pairando em frente da casa principal, onde estão as outras pessoas.

Estou bem concentrado e sereno mentalmente, mas com a sensação de ser o último a saber das coisas aqui no lance. Penso em perguntar alguma coisa para o Sanat e registrar sua resposta, mas já nem lembro mais sobre o que queria saber. E também sinto que qualquer questão é agora ridícula, e que o lance que está rolando espiritualmente e que eu não vejo é muita "areia para o meu caminhão!"

Levanto-me e vou para fora me sentar ao lado do Vítor. Explico-lhe que está rolando um lance com o Sanat e conto-lhe sobre as cores que vi em torno dele. Ele me confirma contente que estava justamente sentindo-se interpenetrado por energias azuis e douradas.

Chamo os outros amigos que estão na outra casa para tomarem um carona no lance. O pessoal senta junto e em círculo e se concentram.

Pego a aparelho de som e coloco um belo CD de mantras hindus para rolar.

Acima de nós surge uma poderosa emanação de luz, algo não-físico brilhando no céu, como uma imensa cobertura luminosa se espalhando pela imensidão celeste. Aquilo é puro contentamento sereno em forma de luz.

Sinto que consciências elevadas sediadas em outros planos estão vertendo energias criativas para a humanidade neste momento. Amor sereno banhando o mundo invisivelmente.

No sítio ao lado alguém coloca uma música alta para tocar e começa o barulho de pessoas bebendo e conversando alto à espera do ano novo. Aqui, aumento o som e nem ligo para a barulheira da galera.

Lá em cima aquela luz; aqui embaixo nós reunidos e embalados por uma sensação de contentamento sereno banhando nossas consciências e corpos.

Agora sei porque o Sanat estava com aquele jeito especial. Como sei, também, que ele não precisava ter falado nada mesmo. Essa onda serena já diz tudo sem dizer nada! Esse amor incondicional entrando no peito já comunica tudo além das palavras. Essa paz suave descendo em nós já exprime a grandeza espiritual que não se percebe com os sentidos da carne, mas apenas na sintonia perene dos atributos do próprio espírito, centelha divina mourejando na gleba terrena as experiências necessárias ao seu despertar pleno.

Na carona dessas vibrações superiores, damos as mãos e pensamos em compartilhar essa coisa boa com a humanidade em silêncio. Não é preciso dizer nada para o grupo reunido, pois sei que eles estão pensando e sentindo as mesmas coisas, e agradecendo pela chance de viajar sutilmente nas ondas serenas de enriquecimento das consciências entranhadas na lidas do espírito e da carne.

Ficamos ali por um tempo, até que desce uma chuva fina. Então, corremos para dentro da casa e ficamos conversando alegremente sobre o lance e o que cada um sentiu. A sensação é a de que ganhamos um presentão da Espiritualidade.

Não percebo o Sanat agora, mas agradeço a ele por ter iniciado essa carona espiritual especial. Oxalá possamos aproveitar esse presente em forma de pensamentos, sentimentos e ações sadias na existência.

Sejamos felizes, mesmo que ninguém entenda.

Façamos o bem, dentro de nossas possibilidades, mesmo que nos critiquem por isso.

Sejamos leais aos valores espirituais que almejamos, sempre lembrando de que há outras consciências nos observando e torcendo por nós incondicionalmente. Consciências serenas que não são dadas a fenômenos espalhafatosos, que nos amam sem nada pedir, jamais nos julgam, só amparam em silêncio, mesmo que ninguém acredite.

Sim, sejamos felizes, e que os nossos olhos tenham o brilho do infinito (4).


Paz e Luz.

- Wagner Borges -
(Sujeito com qualidades e defeitos, 42 anos de "encadernação", carioca radicado em São Paulo há anos, espiritualista sem medo de ser feliz, e neófito da vida.)
Jundiaí, 31 de dezembro de 2003.

Notas:

1. Cd. "Canto Di Primavera", da banda Banco, um dos principais conjuntos do rock progressivo italiano.

2. Sobre Sanat Khum Maat, o leitor poderá encontrar mais detalhes em nosso site nos textos 111, 138, 139, 203, 231, 337, 353, 357, 369, 371, 373, 411, 418, 463, 470, 478 e 482 (na seção de textos
periódicos enviados semanalmente).

3. Ver a série de textos "O Projetor Azul e Dourado" na minha coluna da revista on line de nosso site – www.ippb.org.br

4. No dia seguinte, ao passar a limpo esses escritos, e ainda sob o impacto espiritual de tudo que rolou, escrevi um texto sob o comando do coração, para deixar o lance registrado de outra maneira e também para agradecer ao Grande Arquiteto Do Universo, por tudo. Segue o mesmo na seqüência.
continua

Texto <490><30/01/2004>

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