1010 - ESTRELAS NOS OLHOS – FOGO DO ESPÍRITO III

E eu escuto com o coração, além dos sentidos do corpo.
O vento sopra uma brisa, por onde os espíritos cantam.
Enquanto eu vejo uma grande estrela extrafísica.
E dela vem uma luz suave, tão cálida e serena...
Ah, alguém canta sobre um Grande Amor, de forma linda.
E diz que há um fogo doce e encantador nos olhos de quem ama.
Eu escuto e compreendo... E me alegro com os toques gentis.
Porque eu vejo além da noite... A magia do amor sussurrando reflexões.
E penso: “Será que outros corações também estão escutando essa canção?
E essa imensa estrela, quantos estão vendo-a, agora, em espírito e verdade?
E essa alegria que se sente, que dinheiro nenhum do mundo paga?”
Ah, essas ondas serenas... Que beijam as praias secretas do espírito.
E esse amor, que é como um fogo doce e arrebatador, que me faz de betume.
Que derrete o meu coração... E me faz rir de mim mesmo.

P.S.:
Eu vejo a estrela e escuto a canção, tudo em espírito, além dos sentidos...
Porque eu vejo a magia do amor viajando na noite dos homens tristes e sem fé.
E eu me alegro tanto, por ver isso; e por escutar os sussurros cheios de reflexões.
Porque os espíritos cantam a sabedoria na brisa que sopra na noite...
E daqui eu escuto, e escrevo sobre isso, como deve ser.
Porque eu sei que o vento da vida levará esses escritos por esse mundão de Deus...
Até outros corações, em espírito e verdade, para tocá-los, gentilmente.
Ah, eu sei disso, sim. E agradeço à estrela que cantou a luz aqui, nessa noite mágica.
Que as ondas do amor beijem as praias secretas de todos os corações.

(Dedicado ao poeta Khalil Gibran**, ao mestre Jesus, e aos rishis*** que enviaram a estrela sobre minha cabeça.)

“Quando o coração fala ao coração, não há mais nada a dizer.”

Gratidão e Amor.
Alegria Serena e Lucidez.
Paz e Luz.

- Wagner Borges – betume no fogo do espírito, 48 anos de “encadernação”, sentindo-se igual criança diante do infinito e, também, cada vez menor, diante de um Grande Amor, que não se explica, só se sente...
São Paulo, 15 de dezembro de 2009****.

- Notas:
* A duas partes anteriores desse texto estão postada no site do IPPB – www.ippb.org.br –, nos seguintes endereços específicos:
Parte I: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5641
Parte II:
https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5962
** Khalil Gibran (1883-1931) - ensaísta filosófico, romancista, poeta e pintor americano de origem libanesa, Gibran - cujo nome completo em árabe era Jubran Khalil Jubran - produziu uma obra literária marcada pelo misticismo oriental, que alcançou popularidade em todo o mundo. Suas obras mais conhecidas são: "O Profeta" e "Jesus - O Filho do Homem".
*** Rishis – do sânscrito – sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads.
**** Enquanto eu passava a limpo esses escritos, rolava aqui no som duas belas baladas da banda italiana de rock progressivo “Le Orme”. São as músicas “Amico Di Ieri” e “Calypso” – faixas 2 e 14 do segundo disco – da edição dupla do CD. “Studio Collection - 1970-1980” – que é uma coletânea de sucessos da banda lançada na Itália no ano de 2005.
Obs.: Para dar mais detalhes sobre a estrela mencionada no texto, estou postando na sequência um texto pertinente ao tema, que já foi postado pelo site do IPPB no ano de 2007. Segue-se o mesmo logo abaixo.





CANÇÃO DA ESTRELA PRÂNICA

A luz da estrela prânica* brilhou
E o amor imperecível derreteu-me no fogo do Supremo.
O sol e a lua giravam no céu do meu coração,
Enquanto o universo se tornava canção.
A canção era D’Ele...

Escutando-a, soltei-me na luz...
Deslizei na esteira da consciência cósmica,
Lado a lado com os devas, que cantavam a glória D’Ele.

O corpo, moído de viver, ficou me esperando lá na Terra.
Enquanto ele descansava, em espírito eu tocava o Akasha** e ria...
Além das bordas do tecido vivo do universo, eu voava feliz...
Eu sabia que corpo e espírito, universo e riso, e tudo mais era D’Ele.

Nas ondas da consciência cósmica, eu viajei pelo mistério D’Ele.
Naquela serenidade lúcida, eu respirava luz pura.
Dissolvi-me na canção do amor Que Ama Sem Nome!
Tornei-me luz branca brilhante...
Na contínua corrente do Todo, tornei-me canção D’Ele.

O fogo do supremo transformou o meu vil metal em ouro.
O velho eu, enferrujado, curvou-se, diante da magnitude D’Ele.
O pensamento silenciou e o coração fremiu no ouro renovado.
Na iniciação estelar, Ele é o Grande Hierofante*** de todos.
Neófito e discípulo, mestre e guardião, templo e vida, tudo é D’Ele.

Nas pistas siderais, a dança do despertar aconteceu, mais uma vez.
O Grande Dançarino me arrebatou em seus passos eternos.
Eu não era mais meu, era D’Ele; e tudo mais era Ele!
Tudo é Ele! Tudo é Ele! Tudo é Ele!

P.S.:
Diante da canção de Brahman****, o que mais eu poderia dizer?
O pensamento se foi na luz branca... E o velho eu capitulou, finalmente.
E o coração fremiu, pois, na senda do eterno, é só o amor que se expressa.
O iniciado é eterno aprendiz do Todo e seu templo é o universo.
Ele sabe que, quando o Espírito fala ao Espírito, não há mais nada a dizer.

(Esses escritos são dedicados aos sábios Lao-Tzé, Paramahamsa Yogananda e Francisco de Assis, e à Mãe Sarada Devi).

Paz e Luz.

- Wagner Borges – gotinha espiritual no oceano cósmico de Brahman e, como dizia Paramahamsa Ramakrishna, “apenas o menino da Mãe Divina que viaja pelos ventos do Espírito”.
São Paulo, 04 de setembro de 2007.

- Notas:
* Estrela Prânica – do sânscrito, prana – a força vital; a energia – no contexto iogue é a estrela espiritual, manifestação do plano divino. Para melhor compreensão sobre isso, sugiro ao leitor ler o texto “A Canção das Estrelas-Bebês”, no seguinte endereço específico do site do IPPB: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=2322
** Akasha – do sânscrito – o éter universal; a energia cósmica primordial.
*** Hierofante - dentro do contexto das iniciações esotéricas da antiguidade, era o mestre que testava o neófito – calouro – nas provas iniciáticas.
Quando se afirma que o Supremo é o Grande Hierofante, é no sentido de que Ele é o Supremo iniciador de todos os seres, pois está em tudo! Ele é o Primeiro Amor; A Primeira Luz, Fonte de toda vida; simplesmente, o TODO que está em tudo.
**** Brahman – do sânscrito - O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência, além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.


Texto <1010><27/04/2010>