106 - A RELATIVIDADE DOS OPOSTOS
Na verdade, somos hipnotizados culturalmente pela sociedade onde vivemos.
Dependendo do país onde a pessoa vive, ela ganha condicionamentos locais de acordo com o pacotão cultural vigente. Daí, tantas religiões e países com conotações de bem e mal tão diferentes.
A Natureza nunca é boa ou má, é apenas a Natureza. O uso que fazemos de seus elementos é que caracteriza a qualidade de alguma coisa. Yang e Yin são os aspectos complementares de todas as coisas, já que são polaridades do CHI (força vital). É o eterno jogo das polaridades (branco e preto, macho e fêmea, alto e baixo, quente e frio, claridade e escuridão...) que dita o ritmo do Universo interdimensional.
Os ciclos da vida são absolutamente naturais.
O que é bom ou ruim depende do enfoque de cada um. Os altos e baixos fazem parte do jogo.
Onde alguém vê algo como bruxaria, outro com mais esclarecimento perceberá apenas a manipulação das energias da natureza para fins específicos sob o comando da vontade do operador (se a operação energética é criativa ou não, aí depende de cada caso). Onde uma pessoa reprimida vê em um ato sexual o pecado, outra mais esclarecida verá apenas um relacionamento natural entre duas pessoas.
Toda questão reside nisso: o enfoque que cada um dá em cima de cada questão.
Os mestres taoístas tentaram mostrar isso de várias maneiras. O Yin e o Yang são apenas os movimentos vitais do CHI. É o claro e o escuro, lados da mesma moeda da Natureza, repercussões naturais do misterioso príncipio causal: O TAO!
Porém, uma coisa é óbvia: Deve-se tomar muito cuidado para não confundir o jogo de opostos da Natureza com as nossas contradições internas. Não confundir a escuridão natural, contraponto da luz, com as trevas do nosso ego. Não confundir a lua e a escuridão da noite, contraponto da luz do sol, com a escuridão de nossos anseios egoísticos ou os aspectos sombrios ocultos em nós mesmos.
Luz é energia. A energia é a base da existência. Logo, tudo é expressão dessa mesma luz em graus variados de densidade. A sabedoria consiste em mergulharmos nas águas mais turvas e profundas e vermos nelas a mais brilhante expressão da luz. Em outras palavras: luz é aquilo que dissolve a treva do ego e leva o ser na direção da evolução.
A luz do alvorecer e a noite estrelada são apenas a Natureza, nada tendo a ver com qualidades morais de qualquer coisa.
A criança que nasce e o velho que morre são apenas ciclos da Natureza, Yin e Yang manifestando-se.
Atividade e passividade, meros aspectos complementares dos ciclos vitais.
Bem e mal são relativos, mas em nós, bom senso, discernimento e amor manifestados são fantásticos e trazem pura plenitude. Já as trevas do nosso ego, não são as trevas da Natureza, são apenas nossa "meleca interior".
Os mestres taoístas ensinaram a sabedoria de conviver com os opostos, mas nunca se viu um deles prejudicando alguém. Como alguém em equilíbrio poderia prejudicar a outro? Tudo é o TAO! Agir ou não-agir (wu-wei) são questões determinadas pelas circunstâncias. Os sábios taoístas sabiam o momento de cada coisa, por isso não se submetiam à ação da ansiedade. Eram puro equilíbrio e serenidade viajando em um mar dinâmico de CHI. Não eram bons ou maus, eram sábios! Mas, uma coisa é certa: eles não carregavam trevas na consciência!
O TAO não é bom ou mal, é apenas o TAO. É a misteriosa urdidura do príncipio vital.
- Wagner D. Borges -
Texto <106><11/04/1999>
