1142 - SOL NASCENTE – II*
(Conversando com Dois Espíritos Japoneses)
Amigos, o Coração do Buda** não é oriental ou ocidental.
Porque o Amor não tem fronteiras...
E a maior honra não está em matar ou morrer por algum ideal, mas, em trabalhar em prol da Paz... E nenhum imperador desse mundo é Senhor do Céu!
Portanto, só o Todo é que pode decidir sobre o mérito de cada Ser.
E a Terra do Sol Nascente é onde o astro-rei se levanta na linha do horizonte... E isso é em todos os lugares – a cada amanhecer.
Sabe?... Eu vejo vocês como meus irmãos... Porque, outrora, eu também fui japonês. E a Ilha de Edo mora em meu coração... Assim como a Luz do Buda.
Mais do que isso ou aquilo, todos nós somos cidadãos do universo. E a nossa pátria real é no centro do Grande Coração do Eterno.
Sim, somos irmãos... E o Sol Nascente é de todos os seres.
Sabe?... Eu vi o Espírito do Buda abraçando a Alma do Povo Japonês.
Parecia um enorme Sol alaranjado sobre os céus do Japão. E a sua Luz era só Compaixão Serena...
Então, eu me lembrei dos kamikazes japoneses – e de Hiroshima e Nagazaki -, e orei pelos meus irmãos japoneses.
E também me lembrei daqueles que passaram pelo doloroso resgate cármico dos terremotos e tsunamis em terras nipônicas. E orei mais ainda...
Contudo, mais do que o sofrimento deles, eu senti o Amor do Buda guiando-os... Porque o Sol d’Ele estava iluminando suas jornadas por entre os planos.
Ah, meus amigos, o Grande Sol Nascente é o do Amor.
E eu agradeço a vocês pela visita e pela atenção.
Que os nossos corações também sejam pequenos sóis de Amor.
P.S.:
Eu penso nos rapazes kamikazes da época da Segunda Guerra Mundial – e em suas famílias -, e vejo os pés dourados do Buda.
Eu penso em Hiroshima e Nagazaki, e vejo surgir uma linda flor de lótus azul – plasmada espiritualmente pelos mentores espirituais em homenagem ao povo japonês.
Eu penso nas vítimas dos terremotos e tsunamis, e vejo o Sol do Buda brilhando nos céus do Japão.
Eu penso na Alma do Povo Japonês – incluindo os seus descendentes que moram em outros países -, e oro em silêncio.
Sim, eu penso nos meus irmãos japoneses, encarnados e desencarnados, e vejo uma Luz maravilhosa... Então, eu agradeço ao Buda, enquanto o meu coração canta “Om Mani Padme Hum”...***
(Com respeito e admiração pelo Povo Japonês – de outrora e de hoje.)
Paz e Luz.
- Wagner Borges – cidadão do universo.
São Paulo, 02 de dezembro de 2011.
- Notas:
* Escrevi essas linhas após ter visto em meu quarto dois rapazes japoneses desencarnados - trajados à moda japonesa antiga. Eles seguravam uma caixa quadrada embalada em um tipo de papel vermelho, cheio de caracteres japoneses. E dentro dela havia uma luz intensa, que atravessava o papel. Era como um pequeno sol dentro de uma caixa embrulhada com papel fino avermelhado.
Então, eles me saudaram e me disseram que dentro daquela caixa estavam os nomes de muitos rapazes que tinham sido kamikazes durante a Segunda Guerra Mundial. E que eles dois trabalhavam numa equipe extrafisca de auxílio a esses pessoal do lado de lá. Também me explicaram que muitos desses rapazes estavam reencarnados em vários lugares do mundo e continuavam recebendo a assistência invisível do grupo deles.
E, para minha surpresa, me pediram que eu escrevesse sobre isso, porque, segundo eles, seria uma forma de confortar muitas famílias japonesas e seus descendentes.
E eu fiz isso, de todo coração, nessas linhas aqui grafadas.
E me senti honrado pelos meus irmãos japoneses.
Obs.: Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som um belo trabalho da banda “Bruce Hornsby e The Range” (projeto do vocalista e tecladista americano Bruce Hornsby). Trata-se do CD “Scenes From the Southside” – de 1988. As músicas “The Valley Road” e “The Show Goes on” (2ª e 5ª músicas do CD, respectivamente) são muito bonitas. Inclusive, ambas podem ser acessadas no site do Youtube, nos seguintes endereços específicos:
Em tempo: A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB e pode ser acessada no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/index.php?option=com_content&;amp;view=article&id=10318:1078-sol-nascente&catid=31:periodicos&Itemid=57
** Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um Ser iluminado e desperto.
*** Om Mani Padme Hum - do sânscrito - sua tradução literal é: "Salve a joia no lótus". Esse é um mantra de evocação do boddhisattva da compaixão entre os budistas tibetanos e chineses. Om é a vibração do TODO. Mani é a "Joia espiritual que mora no coração"; ou seja, é o próprio Ser, a essência divina. Padme / Lótus é o chacra cardíaco que envolve, energeticamente, essa joia sutil. Hum é a vibração dessa compaixão do TODO vertendo a luz pelo chacra cardíaco em favor de todos os seres.
Esse mantra é mais conhecido como o "mantra da compaixão". É um dos mantras mais poderosos que conheço. Pode ser concentrado, mentalmente, dentro do peito – como se a voz mental estivesse reverberando ali –, ou dentro de qualquer um dos chacras que a pessoa desejar ativar. No entanto, o melhor lugar para ele é realmente o chacra cardíaco, pois o que chega ali é distribuído para todo o corpo, pela circulação do sangue comandada pelo coração, e também a todos os outros chacras do corpo energético.
O chacra frontal, na testa, também é excelente para a prática desse mantra, pois o que chega nele é distribuído ao longo da coluna pelos nádis – condutos sutis de transporte energético pelo sistema –, e comunicado a todos os outros chacras abaixo dele. Esse é o motivo pelo qual vários mestres iogues sempre aconselham aos seus discípulos iniciar alguma prática bioenergética por ele.
Um livro excelente sobre isso é o do pesquisador iogue japonês Hiroshi Motoyama, "Teoria dos Chacras", lançado no Brasil pela Editora Pensamento.
Eis alguns CDs maravilhosos que contêm esse mantra:
- Laíze, com a participação de Áurio Corrá nos teclados e arranjos - CD. "OM", pela Gravadora Alquimusic – Brasil - A segunda faixa desse disco é um canto de amor e faz um bem enorme ao chacra cardíaco. É amor em forma de ondas sonoras.
- CD. "Tibetan Incantations - The Meditative Sound of Buddhist Chants", pela Gravadora Music Club, Série 50050 – England - A segunda faixa é de uma profunda alegria e melhora o humor do ouvinte. É alegria em forma de ondas sonoras. A terceira música é o mantra Om Mani Padme Hum cantado a cappella pelos monges tibetanos. Esse álbum tem 74 minutos de música.
- CD. "Six-Word Mantra of Avalokitesvara - The Avalokitesvara Boddhisattva Dharma Door Vol. ll", pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2109 – E.U.A. - Esse CD foi feito por músicos chineses e direcionado para a cura de órgãos internos pelo mantra Om Mani Padme Hum. Entretanto, como a pronúncia é chinesa, o mantra fica Om Mani Pa Me Hung. Seu efeito é bem forte. Nesse trabalho, o lance é mais de energia do que de amor. É vitalidade em ondas sonoras.
- Beijing Central Juvenile Chorus - CD. "Wingsong of The Lotus World", pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2152 – E.U.A. - Esse disco é cantado por um coro juvenil chinês. Aqui o Avalokitesvara, criador do mantra Om Mani Padme Hum – representado pelos chineses na figura da Deusa da compaixão "Kuan-Yin" –, é reverenciado em um belo canto que encanta o coração do ouvinte sensível. Esse disco é paz em ondas sonoras.
- Buedi Siebert – CD. “Om Mani Padme Hum”, pela Gravadora Real Music, Série RM – 4040 – E.U.A. – Esse CD contém diversas versões do mantra Om mani Padme Hum. É excelente para momentos de prece, práticas meditativas, práticas de Ioga e momentos de inspiração e conexão espiritual.
- Fan Li-bin – CD. “Sound From the Cosmos”, pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2112 – E.U.A. – Nesse trabalho de fortes vibrações, Fan Li-bin, vocalista nascido em Taiwan e exímio praticante de mantras, procurou realizar uma conexão espiritual do mantra Om Mani Padme Hum com os chacras. Aqui a pronúncia do mantra é cantada como Om Ma Ni Pa Mei Hum.
- Craig Pruess – CD. “Sacred Chants of Buddha”, pela Gravadora Heaven on Earth Music, Série HOEM – 12 – England – A terceira faixa deste CD é uma versão do mantra Om Mani Padme Hum elaborada para profundo relaxamento psicofísico.
Obs.: Finalizando esses escritos, deixo na sequência a letra de uma linda canção de Gilberto Gil, de 1988, que homenageia o Japão.
DO JAPÃO
- Gilberto Gil -
Do Japão
Quero uma máquina de filmar sonhos
Pra registrar nas noites de verão
Meu corpo astral leve, feliz, risonho
Voando alto como um gavião
Que filme dentro de minha cabeça
Todo pensamento raro que eu mereça
Toda ilusão a cores que apareça
Toda beleza de sonhar em vão
Do Japão
Quero também um trem-bala-de-coco
Pra atravessar túneis do dissabor
Quero um microcomputador barroco
Que seja louco e desprograme a dor
Visitar um templo zen-desbundista
Conversar com um samurai futurista
Que me dê pistas sobre o sol-nascente
Que me oriente sobre o novo amor
Do Japão
Quero uma gueixa que em poucos minutos
Da minha queixa faça uma paixão
Descubra novos sentimentos brutos
E, enfeitiçada, tome um avião
E a gente vá viver num outro mundo
Pra lá do Terceiro ou Quarto ou Quinto Mundo
Onde a rainha seja uma açucena
E a divindade, a pena do pavão.
Texto <1142><17/01/2012>
