1146 - PACOTES DE LUZ NA SENDA CONSCIENCIAL

(Desembrulhando os Presentes nos Corações...)
 
Aqui estamos nós, em mais uma vida encarnados na Terra.
Viemos para aprender uma série de coisas para o nosso progresso, o nosso aprendizado, a nossa evolução.
Ao longo da vida, cruzamos e convivemos com pessoas dos mais variados
tipos... Algumas delas são maravilhosas; outras, pelo contrário, são complicadíssimas.
E a vida vai seguindo... E nós vamos convivendo com a dualidade das coisas e dos seres - o melhor e o pior da humanidade, juntinho, com nós mesmos.
Dentro de nós é a mesma coisa: existe o melhor e o pior, como em cada ser humano.
Nos momentos maravilhosos, somos generosos. Porém, nos momentos tristes, somos terríveis. Então, nós oscilamos entre a nossa natureza espiritual e a nossa natureza
primitiva e violenta.
Numa hora, somos brilhantes; em outra hora, deprimidos e apagados... Sim, oscilamos em vários momentos, sem conseguir um centro de equilíbrio constante em nós mesmos.
A vida vai passando... Pessoas vão e vêm, e nós vamos aprendendo sobre o melhor delas - e o pior também -, assim como em nós mesmos.
Interpenetrando neste plano denso, existem planos invisíveis, sutis, com outras consciências que interagem com a humanidade, invisivelmente.
Algumas destas consciências são sofredoras de outros planos e que, muitas
vezes, se encostam energeticamente em nós, atraídos pela nossa tristeza ou
pelos nossos momentos horrorosos.
Em contrapartida, existem consciências mais avançadas, luminosas, que
também se aproximam de nós - nos momentos maravilhosos, por sintonia -, Luz com a
Luz.
Esses seres luminosos, chamados de mentores espirituais ou amparadores extrafísicos*, que, silenciosamente, inspiram os bons pensamentos, os sentimentos fraternos e a manifestação de energias suaves.
Essas consciências amigas, além da percepção limitada dos nossos sentidos físicos, sempre estimulam os bons propósitos, o desenvolvimento da paciência e do equilíbrio, do perdão, e do discernimento e da alegria.
Mais além destas consciências benfeitoras, existem Seres de Luz, que, sequer mantêm a forma humanóide - são Seres sem formas que nós possamos conceber.
Essas Entidades ajudam a evolução da humanidade e raramente aparecem, por serem muito sutis. A tradição hindu os chama de devas**.
São como colunas luminosas conscientes - não têm asas, não são brancas,
negras ou orientais -, e, muitas vezes, se manifestam como focos energéticos luminosos, ou formas energéticas fantásticas, pura Luz.
Quando se aproximam espiritualmente da humanidade, tocam os nossos corações, em silêncio, invisivelmente (e todo aquele que é tocado por eles, se alegra, sem saber o
motivo).
Esses Seres de Luz depositam pacotes luminosos no perímetro de nossas vidas, presentes espirituais secretos, que, à medida em que formos palmilhando nossos caminhos - e formos abrindo esses pacotes com nossas atitudes sadias -, presentes de luz se projetarão dos mesmos, à nossa frente e, também, dentro de nós.
E, ao longo da evolução, por onde formos, nós também distribuiremos
pacotes luminosos e presentes espirituais secretos para outros... E mais: algum dia, quando chegar o momento certo e passarmos para outros planos, também levaremos pacotes luminosos para outras consciências, algures...
Acima desses Seres luminosos, está a Causa Primária, a Consciência
Universal, o Grande Arquiteto Do Universo, O Todo, Aquele que é Pai-Mãe de
todos nós - interpenetrando aos Seres de luz, aos amparadores, aos espíritos
sofredores e interpenetrando a todos nós, encarnados na Terra e em outros
lugares...
     
                                   * * *
 
Precisamos desenvolver o potencial secreto que habita em cada um de
nós, aquele maravilhoso potencial de Luz, para que aumentem os nossos
momentos maravilhosos e diminuam os nossos momentos horrorosos; para que,
cada vez mais, nossa Luz possa ampliar-se, e nós possamos ser felizes - mesmo
aqui e agora, com todos os problemas, com todas as pressões e limitações -,
mesmo assim, possamos estar contentes e ser maravilhosos, em Espírito e
Verdade... Felizes, por estado de consciência e, de dentro para fora, irradiando aquela simpatia, aquela Luz, aquele Amor, aquele discernimento.
 
                                   * * *
 
O que faz os Seres de Luz se aproximarem de cada um de nós são os presentes luminosos depositados em nossos caminhos. Só nos resta, agora, desembrulharmos estes pacotes luminosos, para vermos a Luz que sai dali.
E também nos resta desembrulharmos os nossos corações daquelas tramas emocionais inúteis, daquelas emoções pesadas, que nada fazem de bom.
Precisamos desempacotar a Luz em nossos corações; desempacotar o pacote da ignorância que prende o nosso discernimento; e desempacotar a nossa má vontade em vencer e aprender as lições que a vida apresenta.
Precisamos desempacotar esse imenso pacote que está em nós, tirarmos as amarras inferiores, para que aquela coisa maravilhosa, que já existe em nós, possa se abrir e fluir... E, então, nós também nos manifestaremos como Seres de Luz, como está destinado a cada um de nós, seja hoje, na próxima vida, em outro plano, em outro orbe, e em qualquer lugar.
Está destinado a cada um de nós a felicidade e a Luz, e isso já existe dentro de nós mesmos, esperando apenas que nós possamos abrir os pacotes luminosos.
 
                                   * * *
 
Muitas vezes, o plano espiritual se utiliza de ferramentas diferentes para comunicar as ideias universais aos homens, seja pela palavra de outro ser humano, ou pela música inspirada; ou, ainda, por ondas de energias sutis, que varrem o ambiente, limpando a poeira psíquica de nossos egos e dando toques sutis nos chacras***.
Há também a presença daqueles companheiros espirituais que, durante um tempo, foram nossos parentes e amigos aqui na Terra e que partiram para outros planos, bem vivos. Eles vêm em seus corpos luminosos e se aproximam nos momentos devidos e, aí, surge aquela lembrança deles (lembrança sadia, não lembrança de dor).
Surge a vontade de abraçar, em espírito, a todos eles; como surge, também, a vontade de abraçar a humanidade toda, mesmo aquelas pessoas infelizes e violentas, mesmo aquelas que nos causam mal.
Ao desempacotar os nossos corações, flui essa Luz e, aí, nunca mais será possível odiar alguém... Ah, vamos abrir os pacotes em nossas sendas, humana e espiritual, para sermos felizes, como deve ser.
 
P.S.:
Esses escritos são a transcrição de uma gravação realizada durante uma reunião com o Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB, no ano de 2006. Na ocasião, logo após um trabalho de irradiação energética com o grupo - cerca de 100 pessoas presentes -, aproveitei o momento e projetei essas palavras, que era o que o meu coração pedia naquele momento. E, por sorte, alguém do grupo gravou tudo.
Hoje, lembrei-me dessa gravacão e editei a mesma para leitura. E, agora, aqui está o registro dessa noite auspiciosa, disponibilizado em aberto para todos.
Oxalá essas palavras possam levar algo bom para outros grupos espirituais por esse mundão de Deus...
 
(Dedicado a Huberto Rohden.)
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges - mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 14 de janeiro de 2012.
 
- Notas:
* Amparador extrafísico - entidade extrafísica e positiva que ajuda o projetor nas suas experiências extracorpóreas; mentor extrafísico; mestre extrafísico; companheiro espiritual; protetor astral; auxiliar invisível; guardião astral; guia espiritual; benfeitor espiritual.
** Devas - do sânscrito - Divindades; Seres de Luz; Seres Celestes; Anjos.
*** Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi -, do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
  Os principais chacras são sete - que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
Obs.: Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de um texto do grande filósofo brasileiro Huberto Rohden. Segue-se o mesmo na sequência.
 
 
VAGALUMES
 
- Por Huberto Rohden -
 
Vislumbrei, em plena noite, tuas lanternas fosfóreas - meu pequenino vagalume.
E pasmei!
Não do fulgor das tuas luzes - mas da grandeza da tua presunção.
Achas que não há luz fora das tuas luzinhas?
Consideras tua cabeça como única fonte de toda a claridade?
Julgas que todo o mundo é tenebroso - sem tua presença?
Sabes por que tão vivos te parecem os teus "holofotes"?
Porque tão profunda é a escuridão que te cerca.
Não voasses de noite, não passasses o dia dormindo, meu ignorante vagalume - verias no céu um luzeiro imenso...
Contemplarias oceanos de claridade espraiados de horizonte a horizonte...
Verias epopéias de cores derramadas por todas as latitudes e longitudes do mundo...
Ouvirias os ares repletos de apoteoses aos raios solares...
Sentirias o perfume das flores a incensar o trono do Grande Amigo...
E tuas lanternas seriam antes trevas que luz...
Vislumbrei em plena noite tuas fosforescências cerebrais, humano vagalume.
E pasmei!
Pasmei ao ver que ignoras a tua própria ignorância.
O sábio sabe que nada sabe - o ignorante ignora que nada sabe.
Saber o seu não-saber é o princípio da sabedoria.
Ignorar a sua ignorância é fechar a porta ao saber.
Aquilo é escola primária - isto, analfabetismo completo.
Qual pequenina esfera lançada ao mar é o nosso saber no oceano do não-saber.
Quanto mais se avoluma a esfera, maior se torna o contato com as águas circunfusas - e quanto mais cresce o nosso saber, mais consciente se nos torna o não-saber que nos envolve de todos os lados.
Por isso, o sábio crê mais na sua ignorância do que na sua sapiência.
Desta, pode ele duvidar; daquela, tem plena certeza.
À medida que a Ciência aumenta - aumentam os pontos de contato com o mar da ignorância em que flutua a modesta esfera.
E como o mar é imenso e a esfera pequenina, professa o ciente sincera humildade - porque humildade é verdade.
Acende-se-lhe na alma uma sede imensa de fé...
De fé na palavra de quem saiba o que aquele ignora...
Uma fé para enriquecer a sua pobreza...
Uma fé para encher com divina plenitude a sua humana vacuidade...
E eclipsam os fulgores solares as lanternas fosfóreas...
Desperta o vagalume do sonambulismo noturno...
Para a vigília diurna...
 
(Texto extraído do livro "De Alma Para Alma" - Editora Martin Claret.)
 
- Nota: Sobre Huberto Rohden, favor ver sua coluna no site do IPPB, no seguinte endereço específico:

Texto <1146><03/02/2012>