1168 - AMOR NO CORAÇÃO – AURORA NO OLHAR...

(O Toque Espiritual de um Deva* Numa Noite de Domingo)
 
Ainda agora, aqui em casa, enquanto eu meditava e ponderava serenamente sobre algumas coisas, senti a presença de um Ser de Luz junto a mim. Ele tocou nos meus ombros e, imediatamente, desceu uma onda de energia agradável por todo meu corpo.
Eu não o via, mas sentia sua presença majestosa no ambiente. E também sabia que ele trazia algo do Alto – um  presente celeste.
Então, ele me disse, em Espírito e Verdade:
“Irmão, escuta.
O teu coração te chama...
Na linha do Amor Que Ama Sem Nome.
Porque o Céu também fala aos homens.
E isso é em teu coração.
Então, escuta – e escreve...
Com todo teu coração.”
Bom, eu fiz o que ele me sugeriu.
E os motivos disso são justos e de acordo com a Luz.
E, mais do que ele – e eu mesmo -, quem sabe disso é a Presença**.
Eu só sei agradecer o presente.
É isso. Então, que esses escritos cumpram sua função...
E que seus eventuais leitores leiam tudo com olhos brilhantes.
Sim, com o olhar do amanhecer...
 
                                                                * * *

Quem ama, porta a Luz do coração no semblante e na maneira como vê o mundo.
Por isso, os antigos celtas diziam que o olhar de quem ama tem o brilho do amanhecer... E também ensinavam que isso era um presente.
Sim, um presente da Presença que está em tudo!
Porque a aurora do olhar revela aquilo de que o coração também está cheio.
E isso é a Luz. Por isso, quem ama sente alegria – e transborda...
Ah, isso é a cheia da Luz desaguando no mar da consciência.
E não há  ninguém que consiga mensurar o que é isso.
Não se compra. Não se vende. Não tem tempo ou lugar.
Não se explica... Só se sente.
E faz a aurora transbordar pelo olhar.
É o brilho do Amor. E não há nada igual.
E, talvez, só os seres de Luz é que percebam tal riqueza.
Porque o semelhante atrai o semelhante!
A Luz chama a Luz. E o Amor chama o Amor.
É sintonia. É coisa de alma para alma.
Não depende da forma. E nem da mente.
É coisa do coração. E vira sol no olhar...
É presente. E quem reconhece isso, agradece à Presença.
Porque não há nada igual. É riqueza de consciência.
E, mesmo na escuridão, faz o Ser caminhar firme e lúcido.
Porque a Luz do amanhecer está no olhar de quem ama.
 
P.S.:
Há uma Luz que brilha mais do que bilhões de sóis juntos.
É a essência da alma.
Essa é a Luz que brilha no coração.
(E que transborda pelo olhar de quem ama***).
 
Gratidão.
Paz e Luz
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma - agradecido ao deva que tocou nos centros energéticos dos meus ombros e me fez escrever sobre a riqueza do Amor e da Luz no Ser.
(Ah, como eu gostaria que, por aquelas vias misteriosas e maravilhosas do Alto, o toque luminoso do deva também viajasse junto com esses escritos – em Espírito e Verdade – como um presente secreto para todos, por obra e graça da Presença...)
São Paulo, 26 de março de 2012.
 
- Notas:
* Deva – do sânscrito – Divindade; Ser de Luz; Entidade Celeste; Anjo.
** A Presença - metáfora celta para o Todo que está em tudo. Quando os antigos iniciados celtas admiravam os momentos mágicos do alvorecer e do crepúsculo, costumavam dizer: “Isso é um assombro!”- E assim era para todas as coisas consideradas como manifestações grandiosas da Natureza e do ser humano. Ver o brilho dos olhos da pessoa amada, a beleza plácida da lua, a alegria do sorriso do filho, ou o desabrochar de uma flor eram eventos maravilhosos. Então, eles ousavam escutar os espíritos das brumas, que lhes ensinaram a valorizar o Dom da vida e a perceber a pulsação de uma PRESENÇA em tudo.
A partir daí, eles passaram a referir-se ao TODO QUE ESTÁ EM TUDO como a PRESENÇA que anima a Natureza e os seres. Se a luz da vida era um assombro de grandiosidade, maior ainda era a maravilha da PRESENÇA que gerava essa grandiosidade.
Perceber essa PRESENÇA em tudo era um assombro! E saber que o sol, a lua, o ser amado, os filhos, as flores e a Natureza eram expressões maravilhosas dessa totalidade, levava os iniciados daquele contexto antigo da Europa a dizerem: “Que assombro!”
Hoje, inspirado pelos amigos invisíveis celtas, deixo registrado aqui nesses escritos o terno assombro que sinto ao meditar na PRESENÇA que está em tudo. E lembro-me dos ensinamentos herméticos inspirados no sábio estelar Hermes Trismegisto, que dizia no antigo Egito: “O TODO está em tudo! O Inefável é invisível aos olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração.”
O TODO ou A PRESENÇA, tanto faz o nome que se dê. O que importa mesmo é a grandiosidade de se meditar nisso; essa mesma grandiosidade de pensar nos zilhões de sóis e nas miríades de seres espalhados pela vastidão interdimensional do Multiverso, e de se maravilhar ao se perceber como uma pequena partícula energética consciente e integrante dessa totalidade, e poder dizer de coração: “Caramba, que assombro!”
*** Enquanto eu passava essas linhas a limpo, rolava aqui no meu som a linda canção “Shining Star” – de uma das bandas americanas de rock progressivo que adoro, o Spock’s Beard. Se alguém quiser ouvi-la, o seu link específico no site do Youtube é o seguinte: http://www.youtube.com/watch?v=TkiNch11FtQ 
Mais dois links de lindas canções deles:
“Open Wide the Flood Gates” - http://www.youtube.com/watch?v=iqIYIN49CT8
Obs.: Segue-se abaixo um outro texto que poderá enriquecer bastante esses escritos de hoje. 


 
LUZ - A MÃE E MENTORA DE TODOS OS INICIADOS ESPIRITUAIS
 
A confiança de um iniciado está na Luz.
É Ela que o guia em todas as jornadas.
Ela é sua força diante das adversidades.
Por Ela, ele ama e trabalha.
Às vezes, Ela entra pelo alto de sua cabeça.
Outras vezes, pelos seus pés e pela base de sua coluna.
Mas Ela sempre procura o seu coração.
Ela sabe onde o espírito mora.
E ele A recebe como a uma Mãe querida.
Os seus mestres o ensinaram bem. Eles lhe disseram:
“Respeite a Luz, e Ela o dignificará!”
Por respeito a Ela, ele respeita a si mesmo, e aos outros.
Pois ele A vê em cada ser. E sabe que Ela é Mãe deles também.
Mesmo que eles ainda não saibam disso, ele sabe.
E isso basta para ele ser como é... Pelo tempo que vier.
Nada pode separá-lo da Luz. Ele é filho d’Ela!
E ele jamais trairá sua Mãe, por nada nesse mundo (e nem no outro).
Pois ele se fia n’Ela, em qualquer condição ou plano de vida.
Ah, o iniciado sabe que é só veículo da Luz e que é d’Ela que emana todo poder.
Por isso, ele jamais se vangloria de coisa alguma. Sabe que, sem Ela, ele é nada.
E com Ela, o Amor se faz em seu coração... E ele avança na senda.
Por Ela, ele ora. Muitas vezes, chora, pois sente o toque d’Ela transformando-o.
E sente mais: através dele, a transformação de outros, algures...
Pois o Amor viaja em silêncio, por entre os planos, por obra e graça d’Ela.
Por vezes, ele sente o coração de outros iniciados, também trabalhando em silêncio... E sabe que os valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade são os mesmos deles.
E eles se encontram na mesma Luz, que é a Mãe de todos eles, de todos os lugares. Eles se sentem e se tocam, de coração a coração, na mesma egrégora* que abraça o mundo.
Eles se encontram longe dos olhares vazios, algures, no mesmo Grande Coração...
Ah, o iniciado sabe com quem anda, no mundo dos homens, e no dos espíritos.
Em ambos, ele anda fiado na Luz. Ela é sua Mãe, e ele jamais A trairá, por nada!
Ele aprendeu bem: o Poder vem d’Ela. Ele é só seu veículo...
Ele reconhece seu papel e, por isso, a arrogância não turvou o seu olhar de frieza.
E seu coração virou sol! E ele caminha agradecido pela senda. Essa é sua riqueza.
E, por onde ele segue, o Amor se faz, pela Luz...
 
Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges - eterno neófito da Vida...
São Paulo, 25 de fevereiro de 2009.
 
- Notas:
* Egrégora - do grego 'Egregorien', que significa 'velar', 'cuidar' - é a atmosfera coletiva plasmada espiritualmente num certo ambiente, decorrente do somatório dos pensamentos, sentimentos e energias de um grupo de pessoas voltado para a produção de climas virtuosos no mundo.
É a atmosfera psíquica resultante da reunião de grupos voltados para trabalhos e estudos baseados na LUZ. Pode-se dizer que toda reunião de pessoas para a prática do Bem e da Virtude - independentemente de linha espiritual - forma uma egrégora específica, uma verdadeira entidade coletiva luminosa, à qual se agregam várias outras consciências extrafísicas alinhadas com aquela sintonia espiritual para um trabalho interconsciencial.
Provavelmente foi por isso que Jesus ensinou: "Onde houver dois ou mais em meu nome, aí eu estarei."
Muitos dizem que não se deve misturar egrégoras de trabalhos diferentes, porém, quando o Amor se manifesta, desaparece qualquer ideologia doutrinária, e só fica o que interessa: a LUZ.
No dia em que os homens despertarem para climas mais universalistas e cosmoéticos, com certeza esse mundo será melhor de viver.
Viva a LUZ, pouco importa o nome, o grupo ou a doutrina que fale dela. E viva os mentores espirituais que ajudam a todos, independentemente de credo, raça ou cultura esposada.
Obs.: Enquanto passava essas linhas a limpo, lembrei-me de um poema de Rabindranath Tagore, o grande poeta da Índia. Deixo-o na sequência, como um corolário de Luz ao final desses escritos.

 
A COLHEITA*
(Parte 25)
 
- Por Rabindranath Tagore -
 
O pássaro da manhã já está cantando. Quem é que lhe traz as notícias do dia antes que desponte o amanhecer, quando o dragão da noite ainda mantém o céu preso em suas escuras e frias espirais?
Pássaro da manhã, conta-me como foi que o mensageiro do Oriente encontrou o caminho para chegar ao teu sonho, em meio à dupla noite do céu e das folhas?
O mundo não acreditou quando gritaste: “A noite se foi! O sol está chegando!”
Desperta, ó tu que dormes! Descobre tua fronte, esperando a primeira bênção da luz e, cheio de alegre fé, canta junto com o pássaro da manhã.
 
(Extraído do livro “Poesia Mística - Lírica Breve” - Editora Paulus).
 
- Nota:
* Rabindranath Tagore - escritor indiano, nasceu em Calcutá em 1861 e desencarnou em Bengala em 1941. Depois de educação tradicional na Índia, completou a formação na Inglaterra entre os anos de 1878 e 1880. Começou sua carreira poética com volumes de versos em língua bengali. Em 1913, recebeu o prêmio Nobel de literatura. Desde então, traduziu seus livros para o inglês, a fim de lhes garantir maior difusão. Em suas poesias, Tagore oferece ao mundo uma mensagem humanitária e universalista. Seu mais famoso volume de poesias é Gitânjali (Oferenda poética). Fundou, em 1901, uma escola de filosofia em Santiniketan, que, em 1921, foi transformada em universidade.

Texto <1168><24/04/2012>