1259 - AURORA

Quando o Amor é um estado de consciência, tudo se transforma.
A treva da ausência se torna presença!
A solidão escura e fria se torna alvorada.
E os olhos ganham o brilho do amanhecer.
O espaço se abre na Luz de um novo despertar.
Então o coração toca suavemente o Multiverso.
Sem sair do lugar, ele beija o infinito.
(A magia do Amor transformou sua dor em Luz).
O tempo dança à sua frente, como por encanto.
(As dores de outrora se foram; ficou o Amor).
Do fundo do abismo brotou a Luz!
E o que era apego e prisão, tornou-se estrela.
Quem ama mesmo, não arrasta correntes.
Pois, a Luz do amanhecer no brilho do olhar nada pesa.
E o nascer do sol não faz barulho algum!
A Luz é presente do Amor. É graça. É voo sutil.
Quem se permite perder a graça, embaça a visão.
Quando o coração não reconhece o presente, perde as asas.
Quem dá abrigo à treva, perde o amanhecer nos olhos.
Quem carrega correntes, perde o voo sutil.
Cada dia é um presente, que, só se sente, vivendo...
Quem ama, compreende e reconhece o presente.
E, vive contente, para voar melhor, com graça.
Seu coração sabe que a Luz não pesa nada.
Na aurora do despertar da consciência, tudo é Presença!*
A Magia do Amor é alquimia interior: transmuta a velha dor em Luz renovada. Então, o milagre acontece: a solidão escura e fria se torna alvorada!
 
P.S.:
O poeta celta cantou:
“Na Luz eu me curei.
Na Luz eu dancei e cantei.
Na Luz eu reconheci o presente.
Na Luz em morri e renasci.
Na Luz eu limpei o olhar.
Na Luz eu vim; nela eu estou; nela eu vou...
Na Luz, na Luz, na Luz... do Amor!”
 
(Quem, em seu coração, compreende a aurora espiritual, realmente compreende o que é Paz e Luz.)
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
 
- Nota:
* Quando os antigos iniciados celtas admiravam os momentos mágicos do alvorecer e do crepúsculo, costumavam dizer: “Isso é um assombro!”
E assim era para todas as coisas consideradas como manifestações grandiosas da Natureza e do ser humano.
Ver o brilho dos olhos da pessoa amada, a beleza plácida da lua, a alegria do sorriso do filho, ou o desabrochar de uma flor eram eventos maravilhosos.
Então, eles ousavam escutar os espíritos das brumas, que lhes ensinaram a valorizar o Dom da vida e a perceber a pulsação de uma PRESENÇA em tudo.
A partir daí, eles passaram a referir-se ao TODO QUE ESTÁ EM TUDO como a PRESENÇA que anima a Natureza e os seres.
Se a luz da vida era um assombro de grandiosidade, maior ainda era a maravilha da PRESENÇA que gerava essa grandiosidade.
Perceber essa PRESENÇA em tudo era um assombro!
E saber que o sol, a lua, o ser amado, os filhos, as flores e a Natureza eram expressões maravilhosas dessa totalidade, levava os iniciados daquele contexto antigo da Europa a dizerem: “Que assombro!”
Hoje, inspirado pelos amigos invisíveis celtas, deixo registrado aqui nesses escritos o “terno assombro” que sinto ao meditar na PRESENÇA que está em tudo.
E lembro-me dos ensinamentos herméticos inspirados no sábio estelar Hermes Trismegisto, que dizia no antigo Egito: “O TODO está em tudo! O Inefável é invisível aos olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração.”
O TODO ou A PRESENÇA, tanto faz o nome que se dê.
O que importa mesmo é a grandiosidade de se meditar nisso; essa mesma grandiosidade de pensar nos zilhões de sóis e nas miríades de seres espalhados pela vastidão interdimensional do Multiverso, e de se maravilhar ao se perceber como uma pequena partícula energética consciente e integrante dessa totalidade, e poder dizer de coração: “Caramba, que assombro!”

Texto <1259><31/05/2013>