128 - DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DA MULHER AO AMOR


- Jacques Salomé -

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Mergulhado em uma profusão de luzes, cores, vibrações e sentimentos que trafegam por minha aura, lembro-me das pessoas amarguradas e dos desvalidos emocionais de todo tipo. Penso nos que clamam por vingança e naqueles que estão intoxicados de ódio e melecas emocionais variadas. Eles estão padecendo de asfixia afetiva, pois seus chacras cardíacos estão bloqueados ao mais simples sorriso. Também lembro-me dos arrogantes que não se permitem amar. Eles têm medo da troca, da vulnerabilidade que é a entrega ao outro e do poder de transformação do amor. Também penso naqueles que padecem de paixões doentias, onde seu suposto amor não passa de delírios emocionais que só causam dor. São presas de obsessões psíquicas e monoideísmos esquisitos.

Penso em como é difícil perdoar, sorrir e seguir...

Possuído por sentimentos brilhantes, que só aumentam a lucidez, a alegria e a espiritualidade, lembro-me de um texto do padre cristão Anthony de Mello, extraído do livro "O Enigma do Iluminado"; Ed. Loyola:

"O amor não é uma relação. É um estado de ser. O amor existia antes de qualquer ser humano. Antes de você existir o amor existia. Eu disse a vocês que quando o olho está desobstruído o resultado é a visão. Você não pode fazer nada para conseguir o amor. Se você compreendesse os seus deveres, apegos, atrações, obsessões, predileções, inclinações, e se desprendesse de tudo isso, o amor apareceria. Quando o olho está desobstruído, o resultado é a visão. Quando o coração está desobstruído, o resultado é o amor."

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Há um pergaminho de luz em nosso coração espiritual. Podemos escrever palavras de amor e paz em suas páginas. Tudo depende do que buscamos em nossos pensamentos, sentimentos e ações. Nossas energias sintonizam-nos com outras consciências. Algumas delas estão dentro de um corpo físico. Outras, mais além, em corpos espirituais, nas dimensões extrafísicas.

Influenciamos e somos influenciados uns pelos outros, em constantes interações interdimensionais. Não caminhamos sozinhos. Somos cidadãos cósmicos, o universo é nossa pátria e o coração é nossa casa.

Mesmo em meio à todas as turbulências da vida humana e de estarmos expostos a todo tipo de problemas, ainda há espaço para amar, sorrir e viajar... em um texto, no céu do coração, em um poema, na espiritualidade, em um abraço, em uma música ou nas asas da inspiração.

Estamos permeados por um amor incomensurável, mas, abafados por questões variadas, não percebemos isso normalmente. É nessa hora que um texto, uma música ou alguém que amamos faz com que nos lembremos de alguma coisa transcendente. Daí, percebemos uma canção serena propagando-se em nossos centros vitais. E, apesar de tanta encrenca, dentro e fora de nós, essa canção sutil diz: "te amo, te amo, te amo... forever!"

Concluindo estes escritos, deixo aqui a palavra inspirada de Saulo de Tarso, a grande voz de Jesus na Terra, que também escutava a canção de amor dentro de seu coração e transformou a própria vida por isso.
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Texto <128><16/06/1999>