1402 - HÁ ALGO MAIS... UM AMOR. UMA LUZ. – LXXXI*

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HÁ ALGO MAIS... UM AMOR. UMA LUZ. – LXXXI*
 
Aqui estou eu, escrevendo sei lá sobre o que...
Eu, o Atman**, através das mãos que são testemunhas dos meus atos.
Aqui estou eu, lembrando-me de Shiva e de sua dança vital...
Eu, a centelha viva de um Grande Amor, que está em tudo!
Aqui estou eu, vendo a chuva cair no fim da tarde da grande metrópole...
Eu, o princípio imperecível, como estrela dentro do corpo.
Aqui estou eu, ouvindo uma linda canção e pensando no infinito...
Eu, cidadão do universo em forma humana, aprendendo a viver.
Aqui estou eu, queimando as minhas ilusões no fogo do discernimento...
Eu, desbravador dos mares de mim mesmo, navegando para o Porto de Brahman.
Aqui estou eu, vendo a chuva cair dos meus olhos admirados com a Luz...
Eu, viajando nas ondas da Espiritualidade, cada vez mais contente por isso.
Aqui estou eu, em mais uma vida carnal, mas, vindo de outro lugar, algures...
Eu, o viajante estelar, honrando o corpo, mas sem perder a minha essência.
Aqui estou eu, olhando a vida como o Amor olha, cada vez mais admirado...
Eu, lótus de Krishna nas águas do mundo, tentando fazer o meu melhor (Darma).
Aqui estou eu, escrevendo sobre essas coisas do espírito, que são etéreas...
Eu, neófito do Todo***, o Grande Hierofante, que é o meu Primeiro Amor.
Aqui estou eu, lembrando-me de Jesus e pensando em tudo aquilo que não vejo...
Eu, em Espírito e Verdade, caminhando pela senda com Ele nas ondas do Bem.
Aqui estou eu, lembrando-me da Paz do Buda sentado embaixo da árvore Bo...
Eu, que me atrevo a pensar que Ele também gostaria de ouvir essa linda canção.
Aqui estou eu, lembrando-me de Rama, e pensando nos caminhos do Darma****.
Eu, lutando a grande batalha dentro de mim mesmo no Ramayana do meu coração.
Aqui estou eu, lembrando-me da Mãe Iemanjá, que me lava nas águas do Amor...
Eu, de mente e coração abertos, seguindo pelas trilhas do Universalismo.
Aqui estou eu, lembrando-me dos poetas que enriqueceram a vida com seu labor...
Eu, admirador de Kabir, Rumi, Olavo Bilac, Fernando Pessoa e Khalil Gibran.
Aqui estou eu, lembrando-me de Maria, Mataji e Kuan-Yin, sempre com gratidão...
Eu, admirador da compaixão dessas mulheres maravilhosas, mães de todo mundo.
Aqui estou eu, vendo a chuva cair lá fora e aqui dentro também, nos meus olhos...
Eu, que não sei de grandes mistérios e iniciações, só sei sentir o meu coração.
Aqui estou eu, escrevendo sobre aquilo que não se explica, só se sente...
Eu, o Atman, admirado com a canção e a chuva, nas ondas de um Grande Amor.
 
P.S.:
Ah, aqui estou eu (e o pequeno Rama também*****).
Eu, e esses escritos.
E esses mentores extrafísicos...
Que só agora eu vi no meu lar.
E que me dizem, em Espírito e Verdade:
“Viva, cresça, ame, pense, ria, e siga...”
Ah, aqui estou eu (e, por sintonia, você também, caro leitor)...
Eu, você, o Rama, a chuva, a canção e algo mais... Um Amor. Uma Luz.
 
(Dedicado aos meus amigos que já passaram para outros planos de manifestação e que hoje moram na Casa das Estrelas.)
 
Paz e Luz.
Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 06 de março de 2015.
 
- Notas:
* Esse texto fará parte de um novo livro sobre vida após a morte que publicarei em breve (com diversos textos alusivos à temática da imortalidade da consciência).
** Atman – do sânscrito – o espírito (princípio imperecível); a centelha vital do Todo; a essência espiritual; o Ser eterno...
*** O Todo - expressão hermética para designar o Poder Absoluto que está em tudo. O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos. Quando se afirma que o Todo é o Grande Hierofante, é no sentido de que Ele é o Supremo iniciador de todos os seres, pois está em tudo!
Obs.: Hierofante - dentro do contexto das iniciações esotéricas da antiguidade, era o mestre que testava os neófitos (calouros) nas provas iniciáticas.
**** Darma – do sânscrito “Dharma” – dever, missão, programação existencial, mérito, bênção, ação virtuosa, meta elevada, conduta sadia, atitude correta, motivação para o que for positivo e de acordo com o bem comum.
Obs.: Um dos maiores exemplos de consecução correta do Darma é a história do grande Rama, narrada pelo sábio Valmiky no épico “O Ramayana” (um dos clássicos do Hinduísmo)
***** Rama – é o meu parceirinho de jornada (um cãozinho da raça YorkshireTerrier, de seis anos de idade).
Obs.: O seu nome é justamente uma homenagem ao grande Rama, o príncipe-herói do épico “O Ramayana” - e sétimo avatar de Vishnu na Cosmogonia hinduísta.

Texto <1402><27/03/2015>