150 - ECLIPSE SOLAR E TEXTOS SAGRADOS


De modo abrupto, faz-se noite em pleno dia, em uma grande faixa do Planeta, para que todos admirarem as maravilhas do Céu, e a Onipresença de uma Ordem Perfeita, de equilíbrio, harmonia, uma força que governa o Universo inteiro.

De tão frequente, este fenômeno tem sido banalizado, explicado quase que tão exclusiva e cientificamente, que deixamos as idéias de Deus de lado, e nos atemos a seguir em frente, sem sequer parar para pensar, como pode acontecer tamanha "coincidência": astros tão distantes e de volumes tão diferentes, aparentarem para nós, serem do mesmo tamanho e peso; Sol e Lua, dois grandes luzeiros;

Gênesis:

A criação do céu e da terra e de tudo o que neles se contém.

1.14 - E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados (ou estações) e para dias e anos.

1.15 - E sejam para luminares na expansão dos céus, para alumiar a terra. E assim foi.

1.16 - E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas.

1.17 - E Deus os pôs na expansão dos céus para alumiar a terra.

1.18 - E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que era bom.

Salmos:

Deus é Louvado pelas suas obras e por sua permanente benignidade.

136.7 - Aquele que fez os grandes luminares, porque a sua benignidade é para sempre;

136.8 - O sol para governar o dia, porque sua benignidade é para sempre;

136.7 - A lua e as estrelas para presidirem a noite, porque sua benignidade é para sempre;

Porém, por conta deste mistério, Eclipse, o desaparecimento do Sol ou da Lua, muito se teme, pois em Verdade, nada se conhece o suficiente, já que muito se há dito a respeito dos sinais, e indícios da chegada de um tempo:

Apocalipse:

Vem e Vê: A abertura dos primeiros seis selos

6.12 - E, havendo aberto o o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue.

6.13 - E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte;

6.14 - E o céu retirou-se como um livro que se enrola; todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.

S. Mateus:

O sermão continua: A vinda do filho do homem.

24.29 - E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potencias dos céus serão abaladas.

24.30 - Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem, vindo das nuvens do céu, com poder e grande glória.

24.31 - E ele enviará os seus anjos com um rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus;

Isaías:

A ruína de Babilônia e o livramento de Israel

13.10 - Porque as estrelas dos céus e os astros não deixarão brilhar a sua luz; o sol se escurecerá ao nascer, e a lua não fará resplanceder a sua luz;

13.11 - E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre o ímpios a sua iniquidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos.

Ezequiel:

Lamentação sobre o Faraó, rei do Egito.

32.7 - E, apagando-te eu, cobrirei os céus, e enegrecerei as suas estrelas; ao sol encobrirei com uma nuvem, e a lua não deixará resplandecer sua luz.

32.8 - Todas as brilhantes luzes do céu enegrecerei sobre ti, e trarei trevas sobre a sua terra, diz o Senhor Jeová.

Joel:

A terrível carestia

2.10 - Diante dele temerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor.

S. Marcos:

A vinda do Filho do homem

13.24 - Ora, naqueles dias, depois daquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz.

13.25 - E as estrelas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas.

13.26 - E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória.

S. Lucas:

O sermão profético continua: a volta do Filho do homem.

21.25 - E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angustia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas;

21.26 - Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo. Porquanto as virtudes do céu serão abaladas.

21.27 - E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e glória.

21.28 - Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque vossa redenção está próxima;

Assim vemos que quando Sol e Lua desaparecem no Céu - com tanta "carga simbólica" de textos sagrados, tão impregnada por tanto tempo (uns poucos milhares de anos) na mente de milhões e milhões de pessoas, acerca destas sinalizações, torna-se difícil não se fazer nenhuma alusão à chegada do final dos tempos; fim de um mundo, acontecimentos nefastos, catástrofes, tragédias, coisas deste tipo;

Nem mesmo em Ptolomeo encontramos tantos motivos para temer a presença dos Eclipses; No Tetrabiblos, obra que descreve e organiza grande parte do legado astrológico da antiguidade, na Parte IV, do livro segundo, está registrado o modo como que os antigos sábios miravam as relações entre o fenômeno dos Eclipses e os acontecimentos na terra, nos diversos países daquela época, na segunda metade do século II.

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Assim, a Astrologia em si não pode ser responsabilizada por essa crendice de fim de mundo, em fogo e guerras, holocaustos e apocalipses; tão apregoada por quem aposta ou investe no caos, e se alimenta do medo, do temor e da ignorância que ainda predomina em grande parte da humanidade.

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Pelo contrário, o conhecimento da Astrologia nos permite "Mirar os Céus" de uma outra forma, perceber esses eventos celestes como mais um grande espectáculo de manifestação da mão de Deus no nosso destino - e a nossa capacidade de compreensão dos símbolos, de estabelecer relações entre os fenômenos do Céu e os acontecimentos e a vida na terra, é uma grande oportunidade que nos tranqüiliza, e nos torna mais senhores de nós mesmos, nos leva a crescer e a ampliar cada vez mais as possibilidades do Ser e do eterno vir a Ser.

E, eu, particularmente, como Astrólogo Contemporâneo, impregnado pela mente científica do século 20, que acredito, acima de tudo, na possibilidade de evolução da consciência do Ser Humano, não posso professar, e nem compartilhar a crença de que o temor é a melhor forma de fazer o Ser Humano olhar para o Céu, elevar sua cabeça para o alto de sua dignidade, e evoluir de seus estados anímicos mais primitivos de medo, e de submissão a um deus todo poderoso que castiga, destrói e subjuga a todos que não se submetem a Ele; quando, a todo instante, Ele nos sinaliza, através da natureza, com o Seu amor, e a eterna possibilidade de nascermos de novo, a cada dia, a cada nova Lua, eclipsada ou não, a cada nova primavera.

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Assim repudio veementente todos aqueles, Astrólogos ou não, que se aproveitam do terrorismo catastrófico da virada do milênio, cultuando a resignação, o caos, o "cada um por si e deus por ninguém", para depois pregaram a salvação através de seus sistemas de crenças limitados à sobreviverem às custas disso.

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Orai e Vigiai

- "Pai Nosso que estás nos Céus..." podemos percebê-Lo no Sol que nasce e se põe todos os dias, em harmonia perfeita na dança que faz com a Lua no Céu, dando origem aos prodigiosos Eclipses, que ampliam nossa percepção do tempo para os meses, os anos e as estações; "Venha a nós o Vosso Reino..." permitindo que vivamos em nossas casas e famílias, essa mesma possibilidade de harmonia existente em todos os Cosmos; pois enquanto pais somos Sóis para nossos filhos; enquanto filhos somos Luas orbitando em torno da Mãe; "Assim na Terra como no Céu !"

"O que está em cima é como o que está em baixo para que se cumpram os mistérios da vida."

- José Maria Gomes Neto -
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Texto <150><08/08/1999>