183 - MINHA HISTÓRIA


Minha história é igual a de qualquer outro nos dias de hoje.

Fui um rapaz audaz, esperto, cheio de planos e desejos, mas fui engolfado pela maré das drogas.

Bati de frente no asfalto da vida e me quebrei bem feio. Não estraguei só a minha vida, mas a dos meus pais e amigos também.

Ralei pra cacete por causa das drogas. Quem está de fora não sabe a merda que é virar trapo por dentro. Se o viciado não usa a droga, um misterioso vácuo de angústia aparece e deixa o cara bem louco. Nessa hora, ele é capaz de fazer qualquer coisa para adquirir a maldita! É capaz até de bater nas pessoas que ama. Torna-se um foco de dor para aqueles que o amam. É como se um redemoinho interno sorvesse qualquer possibilidade de ponderação.

Cara, vocês não tem idéia do que é o inferno das drogas. Não sabem nada da dor que consome a intimidade do viciado. Vocês tentam curar as pessoas com teorias estúpidas de como viver. Mas, não vêem o óbvio bem na cara de vocês: dói pra cacete ser viciado!

Quando lembro-me de ver minha mãe chorando no dia da minha morte, sei bem da cagada que fiz. Como eu queria ter sido diferente.

Porra! Eu vim no mundo pra vencer e ser feliz. Como é que eu entrei nessa?

Que mundo é esse movido a pó branco? Que vida é essa que faz as pessoas quebrarem a cara?

Mesmo depois da morte, tenho que continuar batalhando contra essa maldita! Continuo desejando-a, talvez até mais do quando estava na Terra. Se não fosse a ajuda que tenho tido dos médicos luminosos, já teria enlouquecido. São eles que me ajudam a segurar a barra. Esse pessoal é legal!

Estou tentando vencer essa parada e irei conseguir. Não sei o que vocês acham, mas essa vida é louca e quem usa drogas é mais louco ainda.

Quando lembro-me das crianças passando fome no mundo e penso no dinheirão que gastei fazendo merda, fico ferrado da vida! Se eu fosse esperto como pensava que era, teria vencido o jogo.

Sabe por que é que me mandaram escrever isso aqui?

É porque viciado só escuta viciado. Só dá atenção mesmo pra quem passa pelo mesmo drama e entende o que é. Quem passou pelo fogo, carrega as queimaduras pra mostrar. Sabe da ardência e por isso pode falar.

Se a minha história puder ajudar alguém, mande isso para os outros. Vou me recuperar e torço pra quem está nesse rolo se safar enquanto é tempo.

Morrer não mata ninguém, mas expõe as dores diante da própria pessoa. Joga pra fora nossas angústias e mostra que não havia barato nenhum, só merda.

A morte não livra ninguém de si mesmo. Quem está bem, fica bem. Quem está mal, se ferra!

Tomara que a galera leia isso e saiba que o redemoinho é fatal. Tomara que eles se virem logo, antes de se quebrarem nos asfaltos da vida.

Não tenho soluções de como resolver essa coisa. Sou só um viciado tentando me recuperar além da morte. O que posso dizer é que a droga dá muita porrada dentro da nossa mente. Ela machuca muito e afasta as pessoas do que elas têm que fazer na vida. Ela transforma os caras em babacas que pensam que são espertos.

Cara, você tá tonto, hein? Já acabei de dizer o que quero. O pessoal que me trouxe aqui manda dizer pra você tomar um banho e ficar quietinho em casa descansando.

Eles são muito legais e gostam muito de você. Eu também gostei de você porque você se expõe e tenta ajudar os outros, mas não gostei da música que tá rolando aqui.

Vou nessa, cheio de esperança.

- Van -
(Recebido por Wagner Borges; São Paulo, 12 de dezembro de 1999 às 22:10 h)

PS: Enquanto recebia esses escritos do rapaz, tive que lutar com fortes tonturas. Embora ele não seja maléfico, senti suas energias no meu chacra coronário e isso ocasionou as tonturas. Fora isso, ele é bastante agitado. Durante o tempo em que ele esteve aqui, os amparadores hindus que o trouxeram também estavam no ambiente fazendo um trabalho energético.
No momento em que ele surgiu aqui em casa, eu estava escutando um disco do Genesis ("...Calling All Stations..."; 1997) e lendo um gibi dos X-Men para distrair a mente depois de uma semana de trabalho intenso.
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Texto <183><12/12/1999>