189 - INICIAÇÃO REAL

A maioria é barrada na entrada desse palácio que reside dentro do coração, porque deseja receber a iniciação espiritual portando velhos dramas, carregando antigas mágoas.

Eles chegam aos portões do coração espiritual e querem arrombar a porta com sua arrogância. Entretanto, existem guardas que não permitem a entrada de "brutamontes" que carregam em seu seio o orgulho, a ganância, o ódio.

Esses guardiões, postados na entrada dos salões de iniciação, conseguem observar na aura da pessoa os valores necessários e só deixam passar aqueles com real intenção de crescimento e de progresso, aqueles que querem servir ao grande plano de regeneração da humanidade.

A maioria das pessoas que aporta a esse palácio e a essas salas espera ganhar alguma coisa na iniciação, quando, em verdade, elas precisam perder.

Iniciar-se é perder! É perder a arrogância, o ego.

Ninguém ganha nada ao iniciar-se em um caminho espiritual, só perde.

Perde as tolices, perde o eu. E ao perder a imaturidade, a própria pessoa nota um vasto potencial dentro de si mesma.

As luzes do Bem começam a surgir e ela então nota um tesouro espiritual resplandecente brilhando em todas as partes: dentro de si mesma e em todos os seres.

Então, esta pessoa, iniciada pelos hierofantes* do silêncio, só deseja servir, não deseja poder. Ela já não se prende a nenhuma linha em particular. E nela surge o brilho daquelas jóias da paz dentro de seu coração.

Aos salões da espiritualidade, só têm acesso aqueles de alma aberta e que trabalham generosamente a favor do progresso de todos os seres indistintamente, progresso real de todos.

Ser iniciado é ser um serviçal do Amor Maior que governa a existência e que dá vida a todos.

Não significa erguer a cabeça com arrogância, mas simplesmente erguer os olhos em direção às muitas moradas do Pai Celestial, além da Terra.

Significa agradecer as possibilidades de crescimento, de trabalho digno e a oportunidade de prosseguir.

Ser iniciado significa manifestar cada vez mais intenso brilho no olhar, um olhar que vence toda treva, sem agredi-la.

O iniciado perdeu muito, pois no caminho da iniciação real ele foi deixando as quimeras, as ilusões e desprendendo-se da ganância.

O iniciado não é mais a mesma pessoa. Morreu o homem velho, sequioso do poder; renasceu um ser dourado que alegra-se ao participar de alguma atividade produtiva e generosa a favor da humanidade.

Que todos aqueles que trilham os caminhos da Espiritualidade busquem sinceramente as salas espirituais do palácio que existe dentro do próprio coração. E que cheguem até essas salas portando a humildade real e o imenso desejo de servir ao grande plano de progresso.

Não há diploma nas salas espirituais, não há grau, promessa ou ritual. O que existe é o amor aplicado, o silêncio, a inspiração profunda, em que o aspirante à iniciação percebe, sem que ninguém lhe diga, aquela luz magnânima que a tudo compreende.

Nas salas da iniciação não há palavras, só amor, inspiração e silêncio.

- Os Iniciados -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges; São Paulo, 19/01/2000 às 01:39h)

Nota de Wagner Borges: Este texto lembrou-me a bela música "Libertas", do conjunto brasileiro "Sagrado Coração da Terra" (autoria de Marcus Viana):

LIBERTAS

Como é difícil cantar o sublime
Num país de miséria e prosperidade
Se em nossas ruas crianças são bichos
Como falar da mãe liberdade
Quantas vezes mais teremos que morrer pela utopia
mártires do grande sonho humano:
A comunhão, a tribo, o amor, o pão, a liberdade
Me diz quem é livre e senhor de si mesmo
Quem não é escravo de suas paixões
Quem domina sua mente e seus medos
No voragem de fogo dos corações
Na febre das grandes cidades
Quem não sofre o jugo e arrasta grilhões
Com o peso da dor da humanidade
Quem não chora perdido na noite?
Alguém nos falou da liberdade: Olhai os lírios do campo
e as aves do céu; não semeiam, nem fiam: escutai o seu canto
No coração da Amazônia, nas cavernas do Himalaia
O curumim e o sábio sabem andar no fio da navalha
Liberdade - Só esses podem chamar teu nome
Abre as asas sobre nós e mata nossa fome
Como pode o teu mundo nascer
Se o velho homem em nós não morrer?
Sê nossa mãe e nossa luz
Nosso farol, liberdade ainda que tarde
A rosa estrela me diz:
Já vejo a glória da manhã
As águas douradas de aquário vertidas em nós
Libertas quae sera tamem.

* Hierofante: "Mestre Iniciador".

Texto <189><21/01/2000>