219 - 219 - REFLEXÕES DE UM ESCRITOR DA ALMA

Ele porta condições extrafísicas muito boas. É dotado de uma calma reflexiva e tem um olhar cheio de sabedoria.

Em dado momento, ele fala do mestre de olhos Sattva*. Trata-se de um dos rishis (sábios) que compilou os Upanishads** na antiga Índia. É um dos seres espirituais que tenho a sorte de receber orientações e que o nosso amigo escritor também admirava profundamente.

Feita essa introdução, vamos a transcrição dessas duas conversas entre escritores interdimensionais.

* * *

Andei por bibliotecas e templos sagrados do mundo inteiro.

Vi o momento mágico do nascer e do pôr-do-sol incontáveis vezes.

Banhei-me nos plácidos raios da lua em muitas noites de meditação.

Vivi só, mas acompanhado por tudo isso.

Refleti, questionei e expus minhas idéias em livros.

O vento da vida espalhou meus escritos.

Observando você lendo-os, lembrei-me das palavras de um sábio de nome Omar:


"Solidão, solidão...

Silenciosa companheira de meditação.
Em sua quietude vejo incontáveis mundos e meus olhos brilham.
Somos companheiros de reflexão
e podemos voar além da tosca imaginação dos homens.
Sim, podemos ir aos suaves picos da serenidade,
no sagrado recinto do Eu divino...
no infinito de nós mesmos."

Idéias fomentam reflexões. Está a cargo dos leitores o uso do raciocínio claro e baseado no discernimento. Ampliar a consciência ou desviá-la de seu curso é escolha de cada um. O escritor semeia idéias. Cabe ao leitor selecionar os temas de seu interesse e refletir em cima deles. É seu trabalho fazer a digestão mental do que lê a aproveitar o que for sensato.

* * *

Salve, meu amigo.

Não há lugar mais sagrado do que a "terra do nosso coração". É o nosso lar secreto, morada natural de nossa essência indissolúvel.

Somos do mesmo povo, meu amigo. Ambos buscamos a mesma Sattva.

Vivi só, na penumbra dos sonhos e no alvorecer da alma.

Aventurei-me por caminhos ocultos que, quando bem iluminados pelos faróis do conhecimento aplicado, revelaram-me apenas o caminho do coração.

Retirei o véu do ilusório e olhei a verdade de frente.

Vi o dragão do ego devorando-me sem piedade.

Chorei em silêncio...

Passo a passo, lutei tenazmente com ele e me fortaleci.

Caíram as escamas de minha ignorância e me senti livre, pela primeira vez, completo em mim mesmo.

Não havia mais a pata do dragão pressionando meu coração.

Trabalhei muitos anos em silêncio.

Refleti muito.

Tive muita ajuda invisível e muitas consciências extrafísicas inspirando-me a escrever. Principalmente daquela consciência magnânima e amorosa, daquele mestre de olhar sereno e profundo.

Você sabe, pois já foi abençoado tantas vezes por esse olhar. Sabe que o amor comunicado nesse olhar silencioso é portador da pura sabedoria dos rishis.

Quantas vezes, na solidão do meu quarto, eu me lembrava desses olhos e sentia-me compelido a escrever. Sem nada dizer, ele era o mentor dos meus escritos, apenas olhando-me com amor inspirador.

Muitas vezes, cansado das luzes e do barulho da cidade grande, pensei em isolar-me no campo, bem longe da agitação urbana e seu ritmo frenético, repleto de consumo rápido e brilhos fugazes, mas desprovido de conteúdo veraz em suas vias. Porém, lembrava-me dos olhos dele e tornava a escrever.

Eu, o iogue de outrora, reencarnado e preso numa cidade da Europa. Por isso, através de sua psicometria, você notou minha nostalgia. É verdade. Meu coração queria bater asas e voar para longe, para aquele olhar espiritual.

Em plena efervescência cultural dos anos 60 e 70, rock, drogas e pubs barulhentos, eu venerava a quietude e os acordes de piano e violino, e escrevia...

Muitos anos de reflexão se passaram e, no momento certo, desprendi-me do corpo físico e adentrei o plano espiritual suavemente.


Nesse momento final, estava só em meu quarto, mas senti a presença do mestre dos olhos Sattva ali juntinho de mim.

Fui puxado tranqüilamente para fora do corpo por uma força invisível, que me projetou para dentro de um portal de luz que se abriu em frente e acima de mim.

Entrei na luz e adormeci contente.

Em todo esse processo eu estava tranqüilo, pois tinha amplo conhecimento do que se passava. Benditas horas de meditação e reflexões ponderadas, tinham treinado minha alma para aquele momento final.

Despertei dois dias depois em um lugar de campo aprazível, mas situado nos planos invisíveis. Você conhece bem esses trâmites espirituais e fica desnecessário e repetitivo narrar os fatos de minha vida extrafísica daí em diante.

Quando o vi compulsando as páginas do meu livro e sentindo como eu era naquela época de vida, não resisti e vim visitá-lo mais uma vez.

Somos iogues e escritores, meu amigo. Mas, ao contrário de mim, você consegue viver na cidade e superar com bom humor a saudade da pátria espiritual.

Quando se sentir sozinho e cansado, lembre-se dos olhos-sattva do mestre.

Ele olhou por mim e olha por você agora.

Ele vem do "país secreto" que sempre busquei em minhas andanças e pesquisas.

Ele vem do lugar dos rishis, com os olhos brilhando de amor, olhar nossos corações-iogues trabalhando no burburinho do Ocidente.

Meu amigo, estou esperando uma visita extrafísica sua.

Quem sabe poderemos escrever algo juntos?


(Já está na hora daquela flor do Himalaia florescer. Pense nisso!)


- Um Escritor da Alma -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 28 de maio de 2000.)

* Sattva (do sânscrito): equilíbrio; pureza. É uma das três gunas (cordas) da manifestação fenomênica (Prakriti): rajas, tamas e sattva.

** Upanishads (do sânscrito): Parte final dos Vedas, as escrituras inspiradas da antiga Índia.

Texto <219><28/05/2000>

Texto <513><20/04/2004>