240 - NEÓFITOS DA VIDA, FILHO DO MESMO TODO


A ignorância das realidades da vida espiritual tornam as pessoas ridículas em suas práticas espirituais.

Muitos querem desenvolver fenômenos incríveis, mas são medrosos e têm medo do que supostamente gostariam de ver. Querem ver o Além, mas têm medo de olharem para si próprios e verificarem a quantidade de coisas ruins que mourejam em seu íntimo.

Quando alguém lhes fala de valores elevados, irritam-se facilmente. Preferem a superficialidade tão comum a quem trafega nas vias espirituais cheio de leviandade.

O que os move no caminho espiritual são seus desejos egoístas e uma certa ânsia por poderes psíquicos. Não querem crescer, querem poderes.

Não almejam o amor e nem a claridade de quem galga os degraus de luz com atitudes dignas no seio do mundo comum.

Querem ser iniciados nos arcanos espirituais, mas seus pensamentos são vulgares e suas emoções são mais mundanas do que os que nada sabem desses assuntos. São mais profanos do que os profanos comuns, pois têm o acesso ao conhecimento que liberta, mas portam-se equivocadamente em relação aos objetivos de suas buscas espirituais. São profanos de luxo!

Exigem técnicas especiais para o desenvolvimento dos poderes psíquicos, mas não portam a paciência necessária para a colheita dos resultados.

Não têm disciplina para perseverarem e estão sempre em busca de alguma fórmula espiritual milagrosa que lhes abra as percepções ou de algum exercício infalível.

Raramente ponderam sobre as responsabilidades inerentes a esses estudos e práticas.

Quanto maior o conhecimento, maior a responsabilidade.

Carregam duas bolsas em suas atividades (humanas e astrais): uma na mente e a outra no coração.

A bolsa mental está repleta de condicionamentos e arrogância.

A bolsa do coração está lotada de mágoas e egoísmo.

Muitas vezes, os espíritos infelizes os assediam cutucando justamente essas bolsas. Costumam agarrar-se nelas e acompanham essas pessoas por onde elas vão.

Não precisa abrir a clarividência para ver esses espíritos e nem sair do corpo para encontrá-los. Basta olhar dentro das bolsas!

O encontro consigo mesmo é amargo e doce. Todo iniciado nos arcanos espirituais sabe disso na prática, pois já chorou muito pisando nos vários espinhos psíquicos espalhados pelas pistas de sua própria alma. Trilhou becos obscuros e trilhas perigosas em si mesmo, onde sua única lanterna era seu discernimento e seu amor pela luz.

Munido de grande respeito pelos objetivos colimados e sempre caminhando com modéstia e responsabilidade, encontrou a GRANDE LUZ em si mesmo. Permitiu-se ser possuído por um amor transbordante. O véu de Ísis foi erguido no templo de sua alma e o manto da ilusão dissolveu-se.

No profundo amargor de suas provas, ele percebeu a doce presença do INEFÁVEL guiando seus passos.

Em silêncio, ele curvou a cabeça e prometeu servir aos ditames da LUZ e lutar tenazmente contra a ignorância.

Prometeu servir a humanidade da forma que lhe for possível e ser canal da ESPIRITUALIDADE a favor do progresso de todos os seres.

Seu grau iniciático está presente em suas atitudes diárias: é incapaz de fazer o mal a alguém.

Seu trabalho é preciso: sabe por onde anda e como executar sua tarefa no mundo.

Seu mestre é o AMOR.

Sua ordem é a do BEM.

Seu arcano é simples: trabalhar na LUZ.

Os buscadores levianos querem os poderes, não o trabalho. O iniciado quer o trabalho, não o ego.

Na óbvia diferença entre os objetivos dos dois fica evidenciada a qualidade da viagem espiritual de cada um.

No cadinho da experiência, a vida fará ocorrer a grande alquimia: transformará, pelas vias das experiências diárias e comuns, os corações de ferro em corações dourados de ouro espiritual peneirado nas areias iniciáticas da própria alma.

Para os levianos de plantão, um recado: a ânsia pelos poderes parapsíquicos talvez revele reminiscências inconscientes de antigas experiências com magia trevosa em vidas passadas. Nesse caso, a natureza bloqueou na vida atual alguns desses potenciais como forma de proteger esses incautos que geraram péssimas causas no passado.

Só há uma forma de lidar com isso e desbloquear esses potenciais: usá-los com a nítida finalidade de amadurecimento e como expressão da alma que labuta pela melhoria de todos os seres. Fazer o BEM sem olhar a quem e munir-se de muita paciência na jornada da vida. Transformar o trevoso de ontem no radiante de hoje.

E, acima de tudo, esvaziar as bolsas da mente e do coração e colocar no lugar o discernimento e a fraternidade em ação.

Ninguém é perfeito e a trilha ascencional é íngreme. Mas, o esforço vale a pena!

O prêmio não é nenhum poder ou mestrado espiritual. É apenas um estado de alegria íntima independente de circunstâncias exteriores.

É aquele brilho nos olhos de quem trabalha dignamente.

É aquela LUZ no coração que nada pode apagar.

É um agradecimento contínuo ao INEFÁVEL que lhe permitiu ascencionar, mesmo em meio a tantas encrencas diárias.

É aquela sensação de imortalidade enchendo sua consciência de confiança e esperança no melhor para todos.

Aos iniciados de plantão, um recado: quanto mais profundo o grau iniciático, mais forte será a sensação de que se é um eterno neófito da vida e do GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO.

PAZ E LUZ.

PS: Escrevi esse texto sob a orientação de um amparador extrafísico, amigo de longa data, que não quer nenhuma ostensividade em relação a sua presença.

Dedico esses escritos ao Pai Joaquim de Aruanda, amigo extrafísico ligado às vibrações da Umbanda, e ao sábio espiritual Boghanata, mestre de Krya Yoga e que ensinou-me várias práticas fora do corpo.

- Wagner D. Borges -
(Aprendiz da arte de viver e que também acha que piadas são esotéricas para as pessoas irritadas, que nunca as entendem e ainda acham o cúmulo alguém ser espiritualista e alegre ao mesmo tempo).

São Paulo, 07 de outubro de 2000.

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Texto <240><29/10/2000>