257 - CONVERSANDO COM HELENINHA, UMA DAS MINHAS ESTRELINHAS


Olhei para ela e uma palavra brotou espontaneamente de meus lábios: egoísmo. É ele o grande causador de tudo isso, filha. É o gerador do orgulho e pai das dores.

Daí, ela me perguntou: - Mas, pai. Por que é assim?

Quem tem filhos pequenos sabe que, por mais respostas que arranje, a criança sempre perguntará novamente em cima da resposta dada pelos pais. Por isso, somente lhe disse que não havia apenas uma causa para isso, mas sim uma soma de coisas íntimas de cada pessoa, que detona no mundo exterior um monte de encrencas.

A menina não se deu por vencida e perguntou-me: - Mas, pai. Você não é adulto? Como é que você não sabe explicar? Você escreve livros, tem que saber. Pergunte para os espíritos, eles sabem.

Abracei a pequena e fiquei quietinho com ela. Respondi a única coisa honesta que poderia dizer-lhe:

- Filha, o papai é apenas um ser humano, não sabe muitas coisas. No caso dos espíritos, eles sabem mais do que eu, mas também são apenas seres humanos, apenas vivem fora do corpo, cada um na sua freqüência vibracional. Há mestres espirituais que sabem um monte de coisas, mas o acesso a eles é difícil. Papai estuda temas espirituais para pelo menos poder compreender sua própria natureza interna e deixar o coração e a consciência cheios de alegria, amor e discernimento. Fora isso, o pai é um ser humano normal, igual a todos, com defeitos e qualidades.

Continuei abraçadinho com ela e fechei os olhos.

Pensei na imensa quantidade de crianças com fome espalhadas pelo mundo e naquelas que não tinham carinho e nem atenção de seus pais.

Pensei que o futuro do mundo estava ali nos meus braços, mas eu não tinha como responder sua pergunta.

Pensei na miséria de bilhões de seres humanos e na devastação que o homem causa no meio ambiente.

Timidamente, disse-lhe:

- Sim, o egoísmo é o pai de tudo isso. E os homens o adoram! Não sei qual é a solução para a manifestação desequilibrada do homem na Terra. Só sei tentar melhorar o que sou, e isso já é uma tarefa muito difícil. Mas, quem sabe, tentando melhorar o que existe em meu íntimo, eu não consiga exteriorizar no mundo um ser humano mais criativo e digno, mesmo com todas as falhas?

Filha, o papai não tem o poder de mudar o mundo sozinho. Mas, tem o poder de mudar a si mesmo e de ser um bom pai.

E, se tudo der certo ao longo da experiência de vida, tornar-se um ser humano razoável, criativo, benéfico, pelo menos digno de sua pergunta.

A menina olhou-me e disse: - Tá bom, pai. Mas você escreverá sobre isso, né?

- Sim, filha. E um dia, quando adultas, você e sua irmã lerão esses escritos. A essa altura, espero que vocês tenham melhores respostas para seus filhos do que as minhas para vocês.

- Wagner D. Borges -

(Ser humano com qualidades e defeitos, 39 anos de estrada, pai da Heleninha (9 anos) e da Maria Luz (5 anos), as duas estrelinhas que O Grande Arquiteto do Universo lhe emprestou por um tempo de vida terrestre).

* Digitando estes escritos, lembrei-me da bela música "Canção Perdida" da banda brasileira Asa de Luz:

De que vale um coro de anjos
Cantando em plena harmonia
Se não há ninguém pra escutar.

De que vale uma orquestra de deuses, fadas, gnomos,
Sereias, se a gente não pode estar lá.
É preciso fazê-los cantar, é preciso fazê-los sorrir
É preciso fazê-los dançar, é preciso fazê-los chorar.

De que vale a arte mais pura
No coração de homens impuros
Que não querem se modificar.
De que vale uma poesia que faça sorrir as crianças
Se os adultos as fazem calar.

É preciso fazê-los cantar, é preciso fazê-los sorrir
É preciso fazê-los dançar, é preciso fazê-los chorar.

De que vale o sonho do homem
Que ao acordar se esquece de seu sonho realizar.
De que vale o momento da glória
Se a platéia no fim vai embora
Sem lembrar o que houve lá.

É preciso fazê-los cantar, é preciso fazê-los sorrir
É preciso fazê-los dançar, é preciso fazê-los chorar.

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Texto <257><24/12/2000>