258 - NOSSO OBJETIVO


Se estas coisas não me satisfazem, que procuro eu?

Procuro uma luz que seja nova, muito embora antiga, na realidade, a mais antiga de todas as luzes.

Procuro uma autoridade que aceitando, iluminando e harmonizando toda verdade humana, ainda assim rejeite e livre-se de todo erro humano, explicando-o.

Procuro um texto e um shastra que não estejam sujeitos à interpolação, modificação e substituição, que a mariposa e o térmita não possam destruir, que a terra não possa sepultar, nem o tempo mutilar.

Procuro um ascetismo que me dê pureza e que me liberte do egoísmo e da ignorância, sem anular Deus e Seu universo.

Procuro um ceticismo que duvide de tudo, mas que tenha a paciência de não negar nada que tenha possibilidade de ser verdade.

Procuro um racionalismo que não provenha da suposição insustentável de que todos os séculos da história do homem tenham sido séculos de loucura e de superstição, exceto o décimo nono, mas que se incline para descobrir a verdade, em vez de limitar a investigação por um novo dogmatismo, obscurantismo e furiosa intolerância que escolha de chamar senso comum e iluminação.

Procuro um materialismo que reconheça a matéria e a use, sem se tornar seu escravo.

Procuro um ocultismo que apresente todos seus processos à luz do dia, sem mistério, sem prestidigitação, sem a estúpida chamada à humanidade "Seja cego, homem, e veja!"

Resumindo, não procuro ciência, nem religião, nem Teosofia, porém Veda - a verdade sobre Brahma, não apenas sobre sua essencialidade, mas sobre Sua manifestação, não uma lâmpada no caminho para a floresta, mas uma luz e guia para ter regozijo e ação no mundo, a verdade que está além da opinião, o conhecimento que todo pensamento persegue - yasmim vijñãte sarvam vijñãtan.

Acredito que o Veda seja a base do sanatam dharma; acredito que seja a divindade oculta dentro do Hinduísmo - porém, um véu tem que ser posto de lado, uma cortina tem que ser levantada. Acredito que isso possa ser conhecido e descoberto.

Acredito que o futuro da Índia e do mundo dependam dessa descoberta e da sua aplicação, não para a renúncia da vida, mas para viver no mundo e entre os homens.

- Sry Aurobindo -

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Texto <258><04/01/2001>