265 - HOMEM UNIPAZ


As flores exalavam um aroma de compaixão e os raios de sol beijavam a grama verdinha enquanto o yin e o Yang da natureza se mesclavam naquela dança multicolorida do Chi expressando pura vida.

Ele abriu os olhos e sorriu ao me ver.

Logo disse: "Chegou o viajante espiritual. Já sei! Vem cheio de piadas novas! Conta aquela do Buda."

Então, contei-lhe daquele ensinamento budista que diz o seguinte:

- Se durante a meditação você ver o Buda, mate-o!

Esse ensinamento significa que a mente deseja ver o Buda e por isso cria o apego sensorial e só aumenta o ego.

Daí, fiz uma ligeira adaptação e contei para ele:

"Se durante a meditação você ver o Buda, conte-lhe uma piada. Se ele rir, ótimo. Em caso contrário, desapareça com ele e ria sozinho da piada."

Depois, contei-lhe umas outras mais picantes, como sempre.

Já é de praxe rirmos juntos de muitas piadas.

Enquanto ele ria, notei uma luz rosa emanando de seu peito.

Era a luz da paz brilhando no homem-unipaz.

Ao vê-la, soube que um Buda estava sentado em seu coração.

Não o vi, mas meu coração escutou a sua canção pacífica.

E o melhor: eu sabia que o Buda estava sorrindo junto.

O homem-unipaz sente a dor do mundo em si mesmo e muitas vezes chora em silêncio, mas suas lágrimas são búdicas.

São inspiradas pela compaixão e o lavam internamente.

Mas, quando encontra o viajante espiritual, ele ri como menino.

E em seu coração o Buda ri e canta:

OM MANI PADME HUM! OM MANI PADME HUM! OM MANI PADME HUM!

Então, o rosa do amor invade tudo e nós nos abraçamos.

Ele sabe que quando um coração pacífico encontra outro, o resultado é uma fusão de luz rosa e a compaixão emanando por todas as dimensões para todos os seres sencientes.

O homem-unipaz, eu e o Buda invisível do coração éramos ali apenas meninos pacíficos rindo e cantando o OM MANI PADME HUM!

E a compaixão era uma linda menina sutil que guiava nossos corações nas artes da paz imperecível.

(Esses escritos são dedicados ao amigo unipaz Pierre Weill).

- Wagner D. Borges -
Salvador, 31 de janeiro de 2000 às 19:35h.

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Texto <265><18/02/2001>