281 - MANI


Devido à essa essência, os mestres hindus chamaram-na de MANI, a incomensurável essência do equilíbrio.

Com as duas mãos em cima do coração, visualize um diamante verde, irradiando a essência da cura e da estabilidade.

Nos centros de tratamento espiritual, muitos desencarnados portando a enfermidade do apego são ensinados a se concentrarem nessa jóia verde. Fazendo assim, eles deslocam o foco de suas lembranças, fonte de todo apego, para a luz essencial. Mergulhados na essência verde, eles então encontram em si mesmos o equilíbrio.

Nesse processo terapêutico, a música também é utilizada para formar a atmosfera apropriada por onde os amparadores vibram suaves harmonias que induzem a uma interiorização pacífica.

É possível desprender-se da agitação da mente e da turbulência das preocupações e das lembranças tristes mergulhando na jóia verde do coração espiritual.

Com as mãos no peito e o MANI brilhando, é possível encontrar o centro de estabilidade e sentir as suaves harmonias de todas as esferas, comunicando a canção da paz no centro da alma.

* * *

Vá, meu filho. Atravesse o mar da agitação navegando serenamente. Os filhos de Maya (ilusão) não o atormentarão, pois a Mãe Divina abençoou sua travessia.

Navegue com amor e ensine aos seus irmãos o mergulho na paz do Atman**, essência de Brahman. Viaje com confiança, pois a nau está repleta de recursos brilhantes. Os tesouros imperecíveis da espiritualidade abundam em sua embarcação. Distribua os tesouros da Mãe entre os miseráveis que se perdem nas ondas revoltas de seus carmas.

O sol brilha, mas os cegos não o vêem. Sentem o calor, mas duvidam. As águas estão quentes, mas eles sentem frio.

Olhe a luz do sol do espírito brilhando nas águas do Atman que revela o mergulho pacífico na luz mais doce que existe.

Destranque o ferrolho do coração e abra a porta da gaiola carnal e voe como Hamsa***, além dos picos do ego, singrando o céu azul.

Olhe o vasto oceano abaixo. Perceba que as ondas revoltas fazem parte do cenário e não tema. Perceba as embarcações dos homens batendo umas nas outras, perdidas sem ver o sol, feridos, tristes, cegos. Olhe de cima e perceba, além da linha do horizonte, o sol de todos despontando.

Voe mais. Sinta o vento da liberdade novamente. Olhe para baixo e veja os homens aprisionados nas embarcações sem rumo. Por isso, a Mãe guiou a embarcação dos avatares**** a navegar por entre os homens, para guiar o caminho rumo ao porto da paz.

Voando livre, seja capaz de admirar o brilho do sol nas águas ou a luz do luar na calmaria.

Brilhe como um sol irradiando dinamismo e motivação espiritual, mas saiba também ser suave como a luz do luar.

Viaje com o vento da esperança.

* * *

Imagine-se perdido em meio às trevas, sentindo uma dor que nunca se acaba. À sua volta, gritos lancinantes ecoando e mil imprecações sendo vociferadas por espíritos turbulentos que gritam sem parar.

Por onde você vai, imagine que o peso da culpa verga seus ombros e o som das correntes do passado fazem que seus pensamentos reviverem milhões de vezes os erros, e você corre, corre e a dor não passa. E você também grita.

Por vezes, você esbarra em outros e sente que seus corpos espirituais estão em chagas, pústulas sanguinolentas, carne pútrida quedando no solo. Imagine-se em tal situação.

Imagine, então, que um portal de luz se abre sobre você e mãos amigas resgatam-no dessa atmosfera sombria e que em meio à luz você sente uma onda de amor banhando seu corpo, tratando-o com respeito, sem cobrá-lo nada; sem julgamento, só luz benfeitora jorrando sobre você com o carinho de uma mãe. E que você é transportado para um lugar suave onde você pode repousar. Um ambiente musical onde você pode repensar e sentir esperança. E, para sua surpresa, você descobre que aquele portal salvador foi aberto não somente por seres de luz que operam nas trevas, mas também por irmãos encarnados que também exteriorizam bençãos energéticas, e você então sabe que há amparadores no Céu e na Terra.

Você agradece e sabe o quanto são importantes as vibrações de quem trabalha. Você valoriza os momentos espirituais e olha com admiração a luz que emana desses homens e mulheres encarnados e desencarnados que estendem as mãos e ajudam sem que o mundo os perceba.

E você reza por eles e pede a Deus para abençoá-los e diz para os outros que há homens e mulheres virtuosos e responsáveis trabalhando na crosta da Terra e além.

- Os Amigos de Ramakrishna -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges; Itapetininga, 24/12/2000)

Nota: Passando a limpo esses escritos lembrei-me de um texto do pesquisador inglês John Blofeld sobre o Mani dentro do contexto do mantra da compaixão "Om Mani Padme Hum":

"O Mani pode ser usado em qualquer momento, sem preparo especial, por aqueles que possuem algum conhecimento dos métodos do Ioga contemplativo, ou por aqueles capazes de imbuir a forma do ser compassivo (Kwan-Yin) com o poder advindo das associações que ele desperta em suas mentes. Sua recitação por adeptos é, em geral, acompanhada da visualização da forma divina e das sílabas, cada qual com sua cor apropriada; simultaneamente, brota na mente do adepto o desejo profundo pelo bem-estar dos seres sensíveis e a vontade de experimentar compaixão por todos eles - não só por aqueles que é fácil amar, como amigos, cavalos, elefantes e cachorrinhos, mas também pelas criaturas até então consideradas repelentes, como insetos nocivos, répteis, bandidos, fantasmas e demônios. A princípio, mesmo sendo incapazes de amá-los, é possível ao menos simpatizar com suas tristezas e alegrar-se com suas transitórias alegrias, vendo-os como seres igualmente condenados, como nós mesmos, a vagar de nascimento em nascimento, era após era, até alcançar a Luz."

(Texto extraído do excelente livro "Mantras - palavras sagradas de Poder"; Editora Pensamento).

* Mani (do sânscrito): "Jóia".
** Atman (do sânscrito): "Essência espiritual"; "Espírito"; "Centelha eterna de Brahman, o Supremo.
*** Hamsa (do sânscrito): "Cisne divino"; "Cisne que serve de veículo a Brahma, O Criador."
**** Avatares (do sânscrito): "Emissários divinos"; "Canais conscientes do Amor Supremo". Por exemplo: Rama, Krishna, Jesus ou Buda são considerados avatares do Divino.

Texto <281><02/07/2001>