284 - INICIAÇÃO NO TEMPLO DO CORAÇÃO


Era o momento da iniciação no verdadeiro templo, o lar do Eterno.

Ali, sem as máscaras e sem a indumentária arrogante do seu ego, ele seria provado intensamente.

Os mestres o esperavam em silêncio. Eram as testemunhas de seu renascimento.

Ele se lembrou do ensinamento chave que eles lhe haviam ensinado: "O AMOR É A BASE DE TUDO!"

Em silêncio, ele agradeceu e entrou na câmara secreta do coração, o lar-anahata*.

Imediatamente, vários véus cinzentos foram projetados à sua frente, bloqueando sua passagem. Ele sabia que cada um deles era a expressão de sentimentos pesados e antigos acalentados com o fervor de maya**. Sim, eles eram filhos de suas ilusões, o pedágio emocional de seus sentimentos mal-resolvidos cobrando-lhe o preço na passagem do coração. Então, ele lutou da única maneira possível: Reconheceu os véus e com humildade pediu perdão ao coração. Não havia ego em seu pedido, era puro e despojado, digno de quem reconhece os erros e procura melhorar.

Na caverna-anahata, o iniciado chorou o pranto dos heróis que não temem a dor do renascimento. Suas lágrimas luminosas, filhas diretas do seu amadurecimento, dissolveram os véus e ele entrou no sol do samadhi***.

Ele agora era um alquimista completo, pois havia transformado o vil metal de suas antigas aspirações egoístas no ouro brilhante da consciência esclarecida e servidora dos bons propósitos. A sua passagem pelo cadinho iniciático do coração encheu seu espírito daquela paz e contentamento que os homens ainda desconhecem.

Ele finalmente despertara dentro de si mesmo.

No céu de seu coração, os mestres o abençoaram e voaram com ele na luz do samadhi.

ELE ESTAVA EM PAZ! ELE ESTAVA EM CASA!

Ele sorria e pensava: O AMOR É A BASE DE TUDO!

É nas luzes do templo do coração que o grande contato espiritual acontece.

A grande iniciação é interna e só os fortes de espírito conseguem passar por ela, pois são impulsionados pela disposição de dissolverem os sentimentos obscuros que corrompem a sua paz interior.

O mundo não sabe, mas os iniciados choram muito no silêncio do coração. O legal é que as suas lágrimas são luminosas e os mestres voam com eles... Forever!

(Esses escritos são dedicados a Toth, o Hermes Trismegisto, que um dia ensinou: "O INEFÁVEL É INVISÍVEL AOS OLHOS FÍSICOS, MAS É VISÍVEL À INTELIGÊNCIA E AO CORAÇÃO.").

- Wagner D. Borges -
São Paulo, 17 de julho de 2001.
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* Anahata (do sânscrito): "Invicto"; "Inviolado". Na tradição hinduísta o atman, o espírito, a essência de Brahman, o Todo, entra no corpo pelo alto da cabeça (Brahmarandra) e se aloja no centro espiritual da câmara secreta do coração por uma vida. Ele é imortal, não nasce e nem morre, apenas entra e sai dos corpos perecíveis. A água não pode molhá-lo, o fogo não pode queimá-lo, nada pode causar-lhe dano, pois é a centelha do Eterno fulgurando no coração. É invicto, inviolado na câmara secreta do espírito. Por essa associação com o divino, o chacra cardíaco é chamado em sânscrito de "anahata", o lar do Eterno.
** Maya (do sânscrito): "Ilusão".
*** Samadhi (do sânscrito): "Expansão da consciência"; "Consciência cósmica". "A fusão com o infinito interdimensional".

Texto <284><22/07/2001>