289 - DOIS POEMAS DE TAGORE


Todavia, sem que eu pedisse,

entraste em meu coração como um desconhecido qualquer,

e marcaste os momentos fugazes da minha vida com Teu selo de eternidade.

Hoje, quando me deparo ao acaso com esses momentos

e neles vejo a Tua marca,

percebo que eles ficaram espalhados no pó,

misturados com a lembrança de alegrias

e tristezas dos meus dias esquecidos.

Tu não desprezava os meus brinquedos de criança pelo chão, e os passos que eu ouvia em meu quarto de brincar

são os mesmos que agora ecoam de estrela em estrela.

* * *

No dia em que a flor de lótus desabrochou,

a minha mente vagava, e eu não a percebi.

Minha cesta estava vazia, e a flor ficou esquecida.

Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.

Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro

de um perfume no vento sul.

Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.

Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.

Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim,
que ela era minha, e que essa perfeita doçura tinha desabrochado no fundo do meu próprio coração.

- Rabindranath Tagore -
(Textos extraídos do livro "Gitanjali"; Edições Paulinas).

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Texto <289><19/08/2001>