290 - EQUILÍBRIO NA SENDA


Essa é uma preocupação constante no meu trabalho. Por isso, sempre toco nisso nos meus cursos e palestras.

Não gosto de ver as pessoas reclamando da vida e de suas obrigações e dizendo que tudo é maya (ilusão). E é aí o grande perigo do deslumbramento do pessoal que vai participar de vivências espirituais, principalmente em comunidades alternativas que vivem fora da correria dos grandes centros.

É legal participar de atividades de desbloqueio e de desenvolvimento espiritual em meio a natureza. Porém, ao voltar para a cidade, que é o campo de provas reais dessas pessoas, o local de sua verdadeira iniciação, elas voltam reclamando e achando que a vida na comunidade é o legal.

Elas voltam e sentem o choque da realidade cinzenta em torno delas. E daí reclamam de maya.


A meu ver, maya é essa reclamação. É não saber manter o coração aceso no meio do caos urbano. É se perder no maya interior, que mora dentro do próprio peito. É não saber harmonizar o que vivenciaram com a realidade cotidiana.

Quem não aguenta o tranco das provas externas do dia a dia, com certeza não aguentará o tranco das provas internas no combate com o próprio ego.

Se o deslumbramento de algumas pessoas ficar evidenciado em suas posturas, é necessário alertá-las e chamar a sua atenção para o valor da experiência diária.

Viver na cidade grande é complicado. Por isso, quem vive em uma e consegue ainda manter a sanidade e a espiritualidade é realmente uma pessoa forte.

Viver no meio do cinza e não ser cinzento é prova viva de equilíbrio espiritual.*

- Wagner D. Borges -

* Escrevendo isso, lembrei-me de uma bela canção da banda progressiva mineira Sagrado Coração da Terra chamada "Manhã dos 33". A letra é belíssima e o seu autor, Marcus Viana, tocou no ponto certo: "A vida não é uma viagem de férias, mesmo que a saudade das estrelas esteja presente."
Segue abaixo a letra da canção:

continua


Texto <290><23/08/2001>