300 - A IRMANDADE INVISÍVEL


Me tornei anônimo do meu velho ego,

Esse ego faminto de nomes...

E ingressei na Fraternidade Branca

Dos irmãos anônimos,

Incolores,

Amorfos,

Invisíveis,

Onipresentes...

Ingressei na mística "ekklesía"

Dos arautos da Divindade,

Das vestais do Fogo Sagrado.

Que operam no mundo inteiro,

Em todos os universos do Cosmos.

Mas ninguém os conhece,

Esses anônimos,

Envoltos no manto branco

Do eterno silêncio,

De inefável beatitude...

Onde quer que haja uma dor

A ser suavizada,

Uma alegria

A ser compartilhada,

Onde quer que agonize

Um coração chagado,

Lá estão os Irmãos Anônimos

Da Fraternidade Branca...

Nenhum monumento ostenta seus nomes,

Nenhuma estátua perpetua seus atos,

Nenhum obelisco lhes canta as glórias,

Nenhum poema celebra a grandeza

Desses invisíveis arautos do bem,

Dessas alvas vestais do amor...

Somente nas páginas brancas

Do livro da vida eterna

Estão escritos seus nomes,

Com as tintas da reticência,

Em perpétuo anonimato...

Suas obras ocultam sempre

Suas pessoas...

A presença do seu visível "agir"

Coincide com a ausência do seu invisível "ser"...

Porque anônimos como Deus

São esses ignotos filhos de Deus,

Benéficos raios solares

Do Grande Sol do universo,

Sempre ausente de mim

E sempre presente a Ti...

Na Tua longínqua transcendência,

Na Tua propínqua imanência...

Desde que me encontrei com o grande Anônimo

Me tornei anônimo do meu eu humano,

Eclipsado por seu Tu divino,

Pelo eterno Eu divino

Em mim...

- Huberto Rohden -
(Texto extraído do inspirado livro "Escalando o Himalaia"; Editora Alvorada)


Texto <300><07/10/2001>