322 - FLEXIBILIDADE
Ser flexível é algo assim: na hora de perfurar as nossas camadas da ignorância e de orgulho, ser igual à flecha certeira; na hora de afagar as pétalas da flor que se abre, ser terno.
Equilíbrio é flexibilidade!
O bambu novo é flexível e se curva à força do vento, mas não quebra e sabe balançar sem cair ou ser destruído.
O bambu velho é alto e seco e enfrenta o vento. Devido à sua rigidez, ele não se curva e quebra.
Flexibilidade é ser igual ao bambu novo para administrar os ventos da vida.
A fibra do guerreiro e a sensibilidade do artista moram no mesmo ser.
O guerreiro sabe lutar, mas também canta. As mãos que tensionam o arco e disparam a flecha são as mesmas que afagam as florzinhas.
Que essas mãos obedeçam a razão e o amor na hora de flechar e na hora de afagar.
Flexibilidade é saber levar a vida e as pessoas com o melhor do guerreiro e do artista.
Paz e Luz.
- Wagner Borges -
São Paulo, 06 de fevereiro de 2002.
PS: Esses escritos são dedicados aos amigos Luiz Otávio Zahar (médico e excelente pesquisador das projeções da consciência, além de ser dotado de alta capacidade de produzir tiradas inteligentes e bem humoradas), Valdomiro Kornetz (amigo de alma taoísta e sempre com toques inteligentes em seus apontamentos) e Dirce Bustamante (amiga leal e excepcional massagista e pesquisadora das bioenergias).
Nota: Enquanto digitava essas linhas, lembrei-me de um texto inspirado do filósofo e escritor brasileiro Huberto Rohden exatamente sobre o equilíbrio e a flexibilidade no caminho espiritual:
"O homem crístico é como o sol, suavemente poderoso,
poderosamente suave. É poderoso - mas não exibe poder.
É puro - mas não vocifera contra os impuros.
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo.
É amigo de servir - mas sem servilismo.
Ama - sem importunar a ninguém.
Vive alegre - com grande compostura.
Sofre - sem amargura. Goza - sem profanidade.
Ama a solidão - sem detestar a sociedade.
É disciplinado - sem fazer disto um culto.
Jejua - mas não desfigura o rosto para mostrar a vacuidade do estômago.
Pratica abstinência de muitas coisas - sem fazer disto uma lei ou uma mania.
É um herói - mas ignora qualquer complexo de heroísmo.
É virtuoso - mas não é vítima da obsessão de virtuosidade.
Trabalha intensamente, com alegria e entusiasmo
mas renuncia serenamente, cada momento, aos frutos do seu trabalho.
Assim é o homem que se tornou luz do mundo."
- Huberto Rohden -
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Texto <322><17/02/2002>
