331 - O LOUCO
Foi assim: - Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras haviam sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas. Corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando: "Ladrões, ladrões. Malditos ladrões!"
Homens e mulheres riam de mim e alguns corriam com medo para suas casas. Quando cheguei à praça do mercado, um menino trepado no telhado de uma casa gritou: "Você é um louco!"
Olhei para cima para vê-lo. O sol brilhou pela primeira vez em meu rosto descoberto. Pela primeira vez o sol beijava meu rosto nu e minha alma se encheu de amor pelo sol e nunca mais desejei usar máscaras.
Assim me tornei um louco. E encontrei tanto liberdade como segurança em minha própria loucura. A liberdade da solitude e a segurança de não ser compreendido. Pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
- Gibran Khalil Gibran -
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Texto <331><04/04/2002>
