341 - SAUDAÇÕES DE UM HOMEM BEM VIVO


Quem lhes fala é um homem comum além da carne, mas ainda homem, bem humano mesmo.

Quando o véu da morte se dissipa, surge a primeira surpresa: você é o mesmo que era antes, nem mais nem menos. É apenas você mesmo, sem o corpo físico, mas portando um corpo energético que em tudo duplica as condições psíquicas às quais a mente condicionou-se ao longo da vida.

É incrível como essa estrutura energética reflete o que pensamos e sentimos. Todos os detalhes da anatomia física são reproduzidos fielmente, pois temos guardada na memória a aparência física a qual nos acostumamos por toda uma vida.

Enquanto for presente a identidade da última existência, as características psicossomáticas se apresentarão por repercussão disso.

Por isso, sinto-me perfeitamente igual ao que eu era antes. Sei que isso mudará com o passar das experiências que terei por aqui e poderei vislumbrar novas condições.

Contudo, minha condição presente é a de um ser humano num plano de manifestação da natureza extrafísica, alguns meses após a partida do corpo carnal. Falando claramente: estou no lucro. Perdi o corpo, mas não perdi a vida; levando em conta que para mim vida é consciência.

E agora percebo que aquele corpo era só um invólucro da natureza. Esse atual é mais interessante. Sinto-me mais vivo agora do que nunca. O corpo doente e todas aquelas sensações horríveis ficaram para trás. Sei que esse corpo da alma é a minha vestimenta de luxo.

O corpo carnal é a roupa velha que foi para o lixo. Descobri aqui que só fico doente se eu quiser. As energias do meu corpo refletem o que penso.

Por isso, basta lembrar-me de algo desagradável e ficar preso a isso para imediatamente ser tomado por ondas de mal-estar. Isso é chamado aqui de melancolia extrafísica. O antídoto contra isso é pensar em coisas reais e benéficas. O problema é: sendo um ser humano que ainda carrega as dualidades emocionais, experimento momentos alternados de êxtase e de saudade. Mas estou pegando o jeito da coisa e adaptando-me.

Outro dia, alguém me perguntou: por que eu apareço sempre de bigode e vestido de terno? Ora, se sou assim e gosto, o que me impede de aparecer como eu bem quiser? Parece que as pessoas imaginam que o plano extrafísico está cheio de fantasminhas vestidos de branco e tocando harpas ridículas, num céu cheio de anjos com olhares vazios.

Não sei tocar nem violão, como saberia tocar harpa agora? O motivo dessas linhas é passar algo da experiência que tenho vivido aqui para as pessoas que ainda arrastam seus corpos pela Terra.

O pessoal que ajuda* a todo mundo por aqui, pediu-me para passar algo do meu jeito, aproveitando que minha condição é temporária e que em breve vou passar para parâmetros diferentes e mais compreensíveis só para espíritos desencarnados mesmo (essa é boa!). Eles querem passar informações direcionadas para as pessoas comuns. Nada daquele papo espiritual egoísta de falar de transcendência e grandes coisas.

Muitos falam disso, mas sequer entendem das pequenas coisas. O meu negócio e falar de coisas humanas. Aliás, como eu poderia falar de outra coisa? Não sou anjo, sou só pessoa. Como eles me autorizaram a expressar-me com total liberdade, tomo a liberdade de deixar um recado a quem estiver lendo essas linhas: Cada pessoa é o que é!

Ninguém é anjo ou demônio, é só pessoa. A morte não muda o que somos, só tira nossa roupa de carne e nos joga vivos no Astral. Quem for esperto, que não faça o mal para ninguém. Já vi aqui muitas pessoas chorando arrependidas pelo que tinham feito em vida.

Também encontrei diversos amigos que me deram toques preciosos e me ajudaram a entender melhor como a coisa funciona por aqui. Por isso, não posso deixar de dizer-lhes com toda força:

"ALGUNS AMIGOS SÃO DE OURO E O ABRAÇO DELES SÓ FAZ BEM!"

Não encontrei santos nem diabos por aqui. Mas encontrei a mim mesmo em muitas coisas e sei que os seres humanos são capazes de coisas medonhas e de coisas elevadas. Os anjos que vi pareceram-me mais pessoas luminosas do que seres com asas.

Uma coisa é inquestionável: as estrelas brilham mais aqui. Para mim, o céu continua lá em cima. E continuo perguntando-me se existe vida extraterrestre nessas estrelas. Até agora, nenhum deles baixou por aqui. Se acontecer, vou dar um aperto nos ets e cobrar deles porque nos abandonaram à sanha das emoções desencontradas e a essa solidão cósmica de lascar.

Aqui e aí o tempo não pára, por isso é hora de dar o fora. De todo modo, o objetivo principal dessas linhas é só para dizer que NINGUÉM MORRE DE JEITO NENHUM!

E que dentro do corpo ou fora dele somos apenas pessoas precisando aprender urgentemente a arte de conhecer a si mesmo. Que santos e diabos me perdoem, mas sou mais os seres humanos. Tenho quase certeza de que os anjos que vi eram humanos que conheceram a si mesmos e evoluiram a um estágio em que parecem diferentes. Estou indo agora, mas quem sabe se ainda aprenderei a tocar algum instrumento por aqui? Violão, flauta, piano... estou vivo e no lucro mesmo.

- Anônimo -
(Recebido por Wagner Borges;
São Paulo, 24 de maio de 2002, às 19h55mim )
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Nota: Esses escritos foram direcionados originalmente para as 200 pessoas presentes na palestra pública do IPPB)

Texto <341><17/06/2002>