342 - RECADO DAS ESTRELAS III*
"Cemitério não é casa de ninguém! Enquanto os homens choram embaixo, as naves flutuam logo acima. Porém, eles não sentem: as suas feridas emocionais bloqueiam os seus canais. Eles choram e reclamam apenas porque uma estrelinha espiritual largou o invólucro carnal e voltou para a casa cósmica. Eles não sabem e até negam, mas a estrelinha nunca foi deles. Ela sempre pertenceu aos céus do Criador. No cemitério, lar de bactérias e depósitos de ossos, não há nenhum dos nossos. As tumbas e os esquifes são elos do passado."
Enquanto isso, as estrelas cantam e as naves observam a tristeza da humanidade. Uma estrelinha saiu da terra e voltou para a abóbada celeste. Ela escutou a canção do céu e desprendeu-se do orbe terráqueo cheia de alegria. No cemitério, "homens mortos" enterrando cadáveres ocos e chorando as dores de sua ignorância. Nos ares, uma frota de naves assistindo ao desprendimento da estrelinha espiritual. No céu, a ascensão da estrelinha. Na terra, o drama dos homens cegos! Tanta dor acompanhou o cadáver oco para o seio da terra. Contudo, tanta vida acompanhou a estrelinha em seu rumo. Enquanto os homens choravam , as estrelas riam muito. Depois de se despedirem do cadáver oco, os "homens mortos" foram lamber as suas feridas e vestir-se com o luto de sua ignorância. As naves voltaram para o Cosmos. No entanto, alguém ficou para uma mensagem. Um irmão das estrelas, amigo dos homens infelizes, um amigo com um recado azul:
"Cemitério não é casa de ninguém! Quem quiser ver as estrelas que olhe para o céu! Na terra, os homens mortos e os seus cadáveres ocos, elos do passado! No espaço, lar das estrelinhas brilhantes, o futuro da humanidade! Cada Homem é um pedaço do céu em forma de gente. Por isso ninguém morre, é só a estrelinha que sobe!" **
Paz e luz.
- Wagner Borges -
São Paulo, 17 de agosto de 2001.
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* Os textos "Recado das Estrelas I e II" estão no nosso site na seção de textos projetivos e espiritualistas (respectivamente os textos 29 e 36). ** Enquanto digitava esses escritos, lembrei-me de um poema brilhante de Olavo Bilac:
Texto <342><21/06/2002>
