350 - BALADAS DO CÍRCULO CELTA
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As brumas revelam o segredo Que só os poetas vêem: O invisível acima da campina Onde as almas inspiram as canções.
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O canto do galo expulsou a madrugada. Os pássaros vieram cantar A benção do novo dia, Filho do Deus da luz.
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Nasci no ventre de uma Deusa. Renascerei na luz do dia. O círculo ensinou-me isso. Estarei sempre indo e vindo.
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O machado cortou fundo e a árvore quedou. No chão, ela sentiu medo. Porém, a terra lhe disse: "Acalma-te! Viverás no fogo da lareira!"
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O dia e a noite são meus irmãos. Com um eu trabalho, no outro descanso. Eles são iguais as almas dos homens: Estão sempre indo e vindo...
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O trigo não quebra contra o vento. A teia da tarântula não parte na grama. O trigo e a aranha sabem a verdade: Flexibilidade é firmeza!
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Os olhos são dois faróis Transmitindo o brilho das canções Enviadas pelo coração, Antigo poeta celta em corpo de bebê.
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O poeta iniciado vê algo além... Ele vê o mistério das brumas. Dentro dela, as almas cantam. E ele canta junto o que ninguém vê.
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As baladas são filhas do círculo. Elas vão e vem... O poeta é capturador das baladas. Pois ele sabe viajar com elas.
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As gotinhas de orvalho me chamaram. Elas disseram-me: "A natureza o saúda! Umedeça o seu coração com o orvalho da paz. Que o dia e a noite lhe sejam justos."
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Veja a luz amarela do círculo a sua frente. Respire essa luz com modéstia. Desperta o guerreiro pacífico e sobe a montanha. O cume é o topo de sua cabeça, onde o sol é visível.
(Esses escritos são dedicados ao músico celta Medwyn Goodall
e ao maravilhoso poeta português Fernando Pessoa)
Nota: Esses escritos foram feitos de improviso no quadro de aula durante o curso "Tambores Celtas" na presença de 60 pessoas.
- Wagner Borges -
São Paulo, 25 de maio de 2002
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* Médium (do Latim): Intermediário.
Texto <350><19/07/2002>
