360 - TRECHO DO BAGAVAD GITA
12
Nunca houve nenhum tempo em que Eu fosse inexistente, nem você nem esses reis, nem haverá futuro em que não existiremos.
13
Como a alma que se encarna passa sucessivamente no mesmo corpo, da infância à juventude e à velhice, igualmente, após a morte, ela toma um novo corpo. E os sábios não se perturbam com essa transmigração.
14
Da percepção dos sentidos felicidade e tristeza surgem e desaparecem no seu devido momento, como o inverno e o verão. Você precisa aprender a tolerar isso tudo sem nunca perder a calma.
15
Ó valoroso entre os homens, saiba que quem não se altera na tristeza ou na alegria, e em ambas se mantém firme, é digno da eternidade.
16
Aqueles que podem ver a verdade face a face concluíram, estudando a natureza dos dois: o inexistente não dura e o que existe não tem fim.
17
Aquilo que pelo corpo se espalha, dando-lhe vida, é de natureza eterna. Ninguém pode destruir a nossa alma imperecível.
18
Só o corpo material certamente morrerá, mas a entidade viva é eterna, sem dimensão e também indestrutível. Lute, pois, com convicção, ó descendente de Bhárata.
19
Quem pensa que o ser vivente pode matar ou morrer não entende a realidade, mas quem tem conhecimento sabe que o Ente não mata e que não pode ser morto.
20
Nem nascimento nem morte pode acontecer ao Eu. Ele existe eternamente, transcendental ao devir. Por isso o Eu continua quando este corpo perece.
21
Como pode alguém que sabe, ó descendente de Pritha, que o Ser é indestrutível, não nascido e imperecível, matar alguma pessoa, ou fazer com que alguém mate?
22
Como quem muda de roupa e abandona as roupas velhas, a alma aceita um novo corpo descartando o corpo inútil.
23
Ninguém pode ferir a alma com nenhuma espécie de arma; não há fogo que a queime; a água não pode molhá-la nem pode o vento secá-la.
24
Nossa alma individual sendo imóvel e imutável, insolúvel e inquebrável permanece sempre a mesma.
25
Sabendo, pois, que a pessoa é invisível e imutável, imóvel e inconcebível, não lamente pelo corpo.
26
Se no entanto você pensa que só se nasce uma vez e que se morre pra sempre, mesmo assim você não tem razões para lamentar, Árjuna de braços fortes.
27
A quem nasce a morte é certa; quem morre tem que nascer; por isso, no inevitável cumprimento do dever, não há por que lamentar.
28
Todos os seres viventes são latentes no começo. Manifestam-se apenas no estado intermediário; quando são aniquilados, ficam latentes de novo. Então, por que lamentar?
29
Alguns imaginam a alma como algo assombroso; há também quem a descreva como algo assombroso; alguns ouvem falar dela como algo assombroso; mas existem alguns outros que, mesmo depois de ouvir sobre a alma muitos informes, não conseguem compreendê-la.
30
Ó descendente de Bhárata, aquele que habita o corpo é eterno por natureza; não há quem possa matá-lo; portanto, nunca lamente pelas entidades vivas.
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Texto <360><26/08/2002>
