366 - ESTRELINHAS
Preso aqui na Terra,
olho-as bem distantes.
Que saudade da liberdade!
Que vontade de abraçá-las!
Admirando-as daqui,
dá vontade de voar até aí,
para conhecer melhor o brilho de todas
e beijá-las com alegria.
Sou uma estrelinha encarnada,
buscando mais brilho na experiência.
Prisioneira de um corpo opaco,
minha luz se obscureceu.
Venero a liberdade.
Porém não a reconquistei ainda:
me falta muita coisa.
Há muito o que aprender...
Às vezes a coragem me falta...
Olho para o céu em busca de ajuda,
observo o brilho
e a saudade bate forte,
o coração aperta,
as lágrimas brotam nos olhos,
o desejo impossível aflora:
quero voltar para casa!
É a crise da estrela caída,
a princesinha do espaço
está presa nos grilhões do corpo,
chorando de saudade,
clamando pela liberdade!
Estrelinhas queridas,
faróis da liberdade,
acho que Deus as criou
com o intuito de fazer lembrar
a toda estrela encarnada
de sua real destinação:
aumentar o próprio brilho
através da experiência vivenciada.
O brilho de vocês me recorda
de que, além de ser um mero humano,
sou também um filho do céu,
pedacinho do espaço sideral
grudado na superfície da Terra.
Observando o tapete estelar
coalhado de pontinhos luminosos,
me dou conta da minha limitação.
Mas inspirado pela intuição cósmica,
compreendo o que sou realmente.
Vivo uma experiência evolutiva
que é dualística na essência:
fui adotado pela Mãe Terra,
mas sou filho autêntico do espaço sideral.
Tenho um corpo humano limitado,
entretanto, o fogo cósmico
arde em meu interior.
Sou carne e luz!
Humano e estrela!
Mortal e imortal!
Compreendo agora meu papel
no intrincado labirinto da vida:
devo crescer,
expandir meu brilho,
amadurecer no amor,
transformar minha carne em luz,
para fazer brilhar na Terra
um amor muito maior.
Estrelinhas, estrelinhas, mensageiras da luz.
Brilharei, brilharei, brilharei,
e então, um dia,
estaremos juntos em um brilho só,
enriquecendo o Cosmo
como pérolas de Deus!
- Rama -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 18 de agosto de 1991. Texto extraído do livro "Viagem Espiritual I"; Ed. Universalista)
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Texto <366><12/09/2002>
