386 - A MÚMIA

- Por Raul Serrano -
(Ao Dr. Gerson Paula Lima, meu preclaro Mestre)

No silêncio letal, de um sarcófago antigo,
Sepultada no pó dos séculos em fora,
Ela esconde, por certo, ainda guarda consigo
Um segredo de amor que o tempo não devora.

Ruína humana que foi, talvez, o doce abrigo
De uma alma virginal que conteve uma aurora
É a macabra expressão do sonho que eu bendigo,
Sonho que se fez pó, mas que foi luz, outrora...

Múmia! Que vejo em ti, com a alma comovida?
Não vislumbro a Matéria - o pó que te reveste,
Na eterna sucessão de outras formas de vida;
Vejo o casulo, de onde, em mágico transporte,
O Espírito Imortal - borboleta celeste
Voou para outra vida, além do véu da morte.

(Esse texto foi extraído da revista "O Pensamento" - n. 496; Janeiro, 1950)


Texto <386><21/11/2002>