399 - OLHOS BRILHANTES, BRISA SECRETA
Fico um tempo apreciando o seu brilho intenso e contente por poder apreciar as artes maravilhosas da natureza.
Depois, entro na sala do apartamento e sinto o ambiente cheio de energias suaves. Parece que sou acariciado vibracionalmente pela própria aura do ambiente. Fico contente de poder curtir um clima espiritual legal e sinto-me muito agradecido à Espiritualidade Maior por dar-me a chance de transitar interdimensionalmente de maneira consciente e responsável.
Ligo a secretária eletrônica para pegar os diversos recados do final de semana.
Anoto os recados e começo a rir.
Uma pessoa pede que eu localize urgente um parente seu que desencarnou há alguns dias. Quer notícias dele.
Porém, sequer conheci a pessoa por aqui. Fico pensando que muitas pessoas imaginam que há uma seção de achados e perdidos do "lado de lá" e que é só dar os dados da pessoa para algum sensitivo localizá-la.
Uma outra deixa um recado pedindo para eu irradiar energias para ela, pois está se sentindo mal e desconfia de que há uma obsessão espiritual em cima dela. Há algum tempo, ela procurou-me e disse-me que tinha altas orientações espirituais para editar um livro. Olhei o material e o mesmo estava cheio de coisas confusas, mais parecendo um processo espiritual obsessivo.
Falei para ela com todo o tato e educação de que aquilo não parecia um material mediúnico sadio, e que ela poderia estar sendo vítima de um espírito sacana que estava se aproveitando de sua sensibilidade.
No entanto, como ocorre frequentemente, as pessoas não ponderam bem sobre as coisas quando o seu ego toma a frente e lhes tolhe a capacidade de discernimento. Ela ficou aborrecida com o que eu disse, e ainda prometeu-me que pegaria diversas orientações espirituais para passar-me posteriormente, pois eu não estava capacitado para apreciar o alto nível do material.
Como sempre faço, espero o tempo passar e as "fichas caírem". Trabalhando há tantos anos com temas espirituais e com o público dessa área, já estou acostumado demais com os rolos psíquicos que as pessoas fazem.
Uma outra quer saber se orando o salmo 23 da Bíblia ela conseguirá afastar os espíritos que estão aparecendo para ela.
Penso que talvez seja melhor ela fazer o salmo vivo do amor em seu coração e perder o medo de espíritos e irradiar energias a favor dos caras que estão na sua cola espiritual. Porém, presumo que ela não irá gostar desse tipo de dica.
No último recado, uma surpresa. É um amigo dizendo que está com saudades e que acordou rindo muito ao lembrar de uma piada que lhe contei há um tempo atrás.
Fico pensando se as pessoas que deixaram recados com os seus rolos psíquicos lembrassem mais de piadas e estivessem rindo mais, se isso já não seria uma maneira de libertá-las de suas dúvidas.
Às vezes, não é de um salmo religioso que alguém precisa, mas sim de mais coragem para enfrentar de frente as coisas que estão enroscadas.
Em outros casos, não é de um trabalho espiritual que ela necessita, mas apenas de namorar um pouco e sorrir mais.
E na maioria das vezes, basta estudar, refletir, meditar e se esforçar um pouco para descerrar novos horizontes conscienciais por sua própria vontade e capacidade. Discernimento, amor e alegria são estados de consciência interiores. Mas dá trabalho e leva tempo para se chegar a algo melhor dentro de si mesmo. Talvez seja por isso que as pessoas estão sempre dependendo de alguma coisa fora delas mesmas para serem felizes.
De toda maneira, faço a minha parte. Sento no sofá da sala e fecho os olhos. Em torno, o silêncio da madrugada e a brisa que entra de mansinho. Penso naquelas pessoas e irradio energias sadias na intenção de que o melhor para a evolução delas aconteça.
Em dado momento, surgem várias imagens dentro da tela mental frontal interna. São diversos rostos.
Caramba! São rostos dos corpos que ocupei em outras vidas.
Olho aqueles rostos e presto muita atenção. São brancos, negros, vermelhos e amarelos. São diferentes de aparência, mas o jeito de olhar é o mesmo.
Vejo-os como pessoas diferentes, mas sei que sou eu mesmo.
Engraçado. Esses corpos viraram pó, eu não.
Começo a rir ao pensar nisso.
Aqueles corpos eram transitórios, mas as experiências adquiridas por seu intermédio eram reais e necessárias, como são as que ocorrem nesse presente momento.
Quantas idas e vindas dentro da carne já passei?
Sei lá! E isso pouco importa agora.
Dentro da relatividade das experiências, o que importa é o que faço com elas.
Se erro, aprendo. Se acerto, aprendo.
E aí, o importante é saber como lidar com cada situação relativa sem perder de vista a realidade que brilha atrás do véu ilusório de nossas percepções.
A Terra não dá os corpos, apenas os empresta por um tempo de aprendizado necessário. Em contrapartida, o espírito também não dá à Terra o brilho estelar do qual procede, apenas o empresta por um tempo de vida ao corpo transitório.
Aqueles rostos pertenciam aos corpos da Terra, mas o brilho do olhar era meu.
Eles se foram. Eu também fui, mas voltei... em outro corpo.
E esse outro corpo também passará!
Aceito isso naturalmente, pois já estou mais acostumado a valorizar o brilho do olhar que levarei comigo para outras etapas à frente.
E sei que é assim com todas as pessoas, independente de raça, sexo, cultura ou condição. É o brilho estelar que importa. É ele que persiste além das ilusões transitórias de fama, poder, beleza e força baseados apenas nos corpos perecíveis.
Não sei quantas vezes mais ocuparei corpos para as experiências que preciso aprender. Entretanto, isso pouco importa a essa altura do campeonato.
Importa mais é o que se faz, com corpo denso ou sem ele.
Estar encarnado, projetado ou desencarnado, tanto faz. O que importa é o que se é e o que se faz em cada momento de experiência.
Poder e miséria, já os tive. Beleza e feiúra, já os tive. Juventude e velhice, já os tive. Bondade e maldade, já os tive.
Tudo isso era relativo. Real era só esse brilho no olhar.
Esse brilho imperecível é o que ficou. É o mesmo que olha agora.
É o mesmo que olhará amanhã e sempre...
A diferença é que antes esse olhar via pouco e permitia muitos rolos relativos.
Hoje, vê um pouco mais além do relativo.
Amanhã, verá mais além de si mesmo e dos rolos...
E na eternidade, verá o real: O TODO QUE ESTÁ EM TUDO!
Enquanto isso, no relativo do aqui e agora, sinto a brisa da madrugada e sinto-me agradecido por poder apreciar os toques sutis que chegam junto com ela no silêncio interdimensional aqui do apartamento.
Daqui a pouco irá raiar mais uma aurora. Vou esperá-la com os olhos brilhando.
PS: Será que eu devo ligar para a pessoa do salmo 23 e acordá-la para ver o despontar da aurora? Será que eu devo dizer para a pessoa que quer receber uma mensagem do seu parente extrafísico para ela prestar atenção na brisa e captar as mensagens secretas que ela porta?
Ou será melhor escrever algo sobre tudo isso e deixar o brilho do olhar espiritual interpenetrar esses escritos e enviar por eles a mensagem direto no brilho do olhar delas quando lerem?
Paz e Luz.
- Wagner Borges -
(ser humano com qualidades e defeitos, 41 anos de carcaça, que continua achando que a espiritualidade é a maior riqueza de alguém, e que sabe que a grande defesa espiritual é quando o olhar de alguém brilha cheio de discernimento, amor e alegria.)
São Paulo, 20 de janeiro de 2003.
Texto <399><24/01/2003>
Depois, entro na sala do apartamento e sinto o ambiente cheio de energias suaves. Parece que sou acariciado vibracionalmente pela própria aura do ambiente. Fico contente de poder curtir um clima espiritual legal e sinto-me muito agradecido à Espiritualidade Maior por dar-me a chance de transitar interdimensionalmente de maneira consciente e responsável.
Ligo a secretária eletrônica para pegar os diversos recados do final de semana.
Anoto os recados e começo a rir.
Uma pessoa pede que eu localize urgente um parente seu que desencarnou há alguns dias. Quer notícias dele.
Porém, sequer conheci a pessoa por aqui. Fico pensando que muitas pessoas imaginam que há uma seção de achados e perdidos do "lado de lá" e que é só dar os dados da pessoa para algum sensitivo localizá-la.
Uma outra deixa um recado pedindo para eu irradiar energias para ela, pois está se sentindo mal e desconfia de que há uma obsessão espiritual em cima dela. Há algum tempo, ela procurou-me e disse-me que tinha altas orientações espirituais para editar um livro. Olhei o material e o mesmo estava cheio de coisas confusas, mais parecendo um processo espiritual obsessivo.
Falei para ela com todo o tato e educação de que aquilo não parecia um material mediúnico sadio, e que ela poderia estar sendo vítima de um espírito sacana que estava se aproveitando de sua sensibilidade.
No entanto, como ocorre frequentemente, as pessoas não ponderam bem sobre as coisas quando o seu ego toma a frente e lhes tolhe a capacidade de discernimento. Ela ficou aborrecida com o que eu disse, e ainda prometeu-me que pegaria diversas orientações espirituais para passar-me posteriormente, pois eu não estava capacitado para apreciar o alto nível do material.
Como sempre faço, espero o tempo passar e as "fichas caírem". Trabalhando há tantos anos com temas espirituais e com o público dessa área, já estou acostumado demais com os rolos psíquicos que as pessoas fazem.
Uma outra quer saber se orando o salmo 23 da Bíblia ela conseguirá afastar os espíritos que estão aparecendo para ela.
Penso que talvez seja melhor ela fazer o salmo vivo do amor em seu coração e perder o medo de espíritos e irradiar energias a favor dos caras que estão na sua cola espiritual. Porém, presumo que ela não irá gostar desse tipo de dica.
No último recado, uma surpresa. É um amigo dizendo que está com saudades e que acordou rindo muito ao lembrar de uma piada que lhe contei há um tempo atrás.
Fico pensando se as pessoas que deixaram recados com os seus rolos psíquicos lembrassem mais de piadas e estivessem rindo mais, se isso já não seria uma maneira de libertá-las de suas dúvidas.
Às vezes, não é de um salmo religioso que alguém precisa, mas sim de mais coragem para enfrentar de frente as coisas que estão enroscadas.
Em outros casos, não é de um trabalho espiritual que ela necessita, mas apenas de namorar um pouco e sorrir mais.
E na maioria das vezes, basta estudar, refletir, meditar e se esforçar um pouco para descerrar novos horizontes conscienciais por sua própria vontade e capacidade. Discernimento, amor e alegria são estados de consciência interiores. Mas dá trabalho e leva tempo para se chegar a algo melhor dentro de si mesmo. Talvez seja por isso que as pessoas estão sempre dependendo de alguma coisa fora delas mesmas para serem felizes.
De toda maneira, faço a minha parte. Sento no sofá da sala e fecho os olhos. Em torno, o silêncio da madrugada e a brisa que entra de mansinho. Penso naquelas pessoas e irradio energias sadias na intenção de que o melhor para a evolução delas aconteça.
Em dado momento, surgem várias imagens dentro da tela mental frontal interna. São diversos rostos.
Caramba! São rostos dos corpos que ocupei em outras vidas.
Olho aqueles rostos e presto muita atenção. São brancos, negros, vermelhos e amarelos. São diferentes de aparência, mas o jeito de olhar é o mesmo.
Vejo-os como pessoas diferentes, mas sei que sou eu mesmo.
Engraçado. Esses corpos viraram pó, eu não.
Começo a rir ao pensar nisso.
Aqueles corpos eram transitórios, mas as experiências adquiridas por seu intermédio eram reais e necessárias, como são as que ocorrem nesse presente momento.
Quantas idas e vindas dentro da carne já passei?
Sei lá! E isso pouco importa agora.
Dentro da relatividade das experiências, o que importa é o que faço com elas.
Se erro, aprendo. Se acerto, aprendo.
E aí, o importante é saber como lidar com cada situação relativa sem perder de vista a realidade que brilha atrás do véu ilusório de nossas percepções.
A Terra não dá os corpos, apenas os empresta por um tempo de aprendizado necessário. Em contrapartida, o espírito também não dá à Terra o brilho estelar do qual procede, apenas o empresta por um tempo de vida ao corpo transitório.
Aqueles rostos pertenciam aos corpos da Terra, mas o brilho do olhar era meu.
Eles se foram. Eu também fui, mas voltei... em outro corpo.
E esse outro corpo também passará!
Aceito isso naturalmente, pois já estou mais acostumado a valorizar o brilho do olhar que levarei comigo para outras etapas à frente.
E sei que é assim com todas as pessoas, independente de raça, sexo, cultura ou condição. É o brilho estelar que importa. É ele que persiste além das ilusões transitórias de fama, poder, beleza e força baseados apenas nos corpos perecíveis.
Não sei quantas vezes mais ocuparei corpos para as experiências que preciso aprender. Entretanto, isso pouco importa a essa altura do campeonato.
Importa mais é o que se faz, com corpo denso ou sem ele.
Estar encarnado, projetado ou desencarnado, tanto faz. O que importa é o que se é e o que se faz em cada momento de experiência.
Poder e miséria, já os tive. Beleza e feiúra, já os tive. Juventude e velhice, já os tive. Bondade e maldade, já os tive.
Tudo isso era relativo. Real era só esse brilho no olhar.
Esse brilho imperecível é o que ficou. É o mesmo que olha agora.
É o mesmo que olhará amanhã e sempre...
A diferença é que antes esse olhar via pouco e permitia muitos rolos relativos.
Hoje, vê um pouco mais além do relativo.
Amanhã, verá mais além de si mesmo e dos rolos...
E na eternidade, verá o real: O TODO QUE ESTÁ EM TUDO!
Enquanto isso, no relativo do aqui e agora, sinto a brisa da madrugada e sinto-me agradecido por poder apreciar os toques sutis que chegam junto com ela no silêncio interdimensional aqui do apartamento.
Daqui a pouco irá raiar mais uma aurora. Vou esperá-la com os olhos brilhando.
PS: Será que eu devo ligar para a pessoa do salmo 23 e acordá-la para ver o despontar da aurora? Será que eu devo dizer para a pessoa que quer receber uma mensagem do seu parente extrafísico para ela prestar atenção na brisa e captar as mensagens secretas que ela porta?
Ou será melhor escrever algo sobre tudo isso e deixar o brilho do olhar espiritual interpenetrar esses escritos e enviar por eles a mensagem direto no brilho do olhar delas quando lerem?
Paz e Luz.
- Wagner Borges -
(ser humano com qualidades e defeitos, 41 anos de carcaça, que continua achando que a espiritualidade é a maior riqueza de alguém, e que sabe que a grande defesa espiritual é quando o olhar de alguém brilha cheio de discernimento, amor e alegria.)
São Paulo, 20 de janeiro de 2003.
Texto <399><24/01/2003>
