419 - PARVATI, A MÃE DOS VIAJANTES ESPIRITUAIS

Ela percebia completamente os meus defeitos e qualidades, de todas as vidas.
Ela via as luzes e sombras de um homem... E vertia o amor em silêncio.
Ela abriu os braços e acolheu-me num abraço profundo.
E eu naveguei no colo da Mãe Divina com as estrelas.
Ali eu não era mais o homem dualista, era só unidade e amor.
Eu não era mais o homem adulto, era sua criança-ananda.
Ela me levou aos planos das consciências serenas em seu regaço.
No seio do silêncio interdimensional, eu fui tocado pela alma dos rishis.
Vi várias de minhas vidas anteriores passando em frações de segundo...
As luzes e as sombras de um espírito... as experiências e lições da vida.
Permeando a todas elas havia uma luz intensa, um sol de amor silencioso velando e aguardando o momento do encontro estelar.
Era Ela! Aquela a quem os próprios rishis se curvam em respeito.
Aquela Mãe Divina da qual Ramakrishna tanto falava.
A Mãe do samadhi, a senhora das estrelas radiantes, a Mãe dos iogues.
Aquela que brilha no lótus das mil pétalas sorrindo com Shiva.
Aquela que cativou o Mahadeva com sua beleza e graça.
Ela, a Mãe dos viajantes espirituais que reencarnam na Terra.
A mesma Mãe que tocou Vyasa e Sukadeva, e velou por Shankara.
A Mãe do Amor Que Gera a Vida!
Ela, a consorte de Shiva, que me abraçou como filho.
Parvati, a Mãe da alegria e senhora das energias.
Que com o seu olhar amoroso me disse:

"Viaje junto com os homens, lado a lado, como um igual. Senta junto com eles e lhes fale de Espiritualidade e Amor. Brinque com eles, faça-os sorrir no serviço e anime-os na jornada. Projete as clarinadas da consciência cósmica em seus caminhos e espere o tempo do despertar de cada um. Ensine a eles a arte de prestar ajuda aos outros dentro da realidade humana e espiritual.
Quando eles despertarem para o sol de amor que os acompanha silenciosamente, os véus que encobrem suas percepções será dissolvido.
E eles voarão nas luzes eternas do samadhi.
Segue com eles em nome do Amor que interpenetra a todos."

Parvati, a Mãe graciosa que conquistou o coração de Shiva, e que tocou-me silenciosamente nas ondas serenas de um olhar amoroso.
Ela, o sol que vela invisivelmente pelos viajantes espirituais.


Om Namah Parvatiai.

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
São Paulo, 01 de outubro de 2002, às 19h33min.

Notas do sânscrito:

- Parvati: No Hinduísmo, o Absoluto (Brahman) é subdividido em três aspectos fenomênicos de manifestação: Brahma, o criador; Vishnu, o preservador; e Shiva, o transformador. Cada um dos três aspectos possui uma consorte divina (sua shakti, ou manifestação feminina na criação). Parvati é a consorte de Shiva. É a deusa da alegria e da energia. É um dos aspectos fenomênicos da Mãe Divina.

O seu mantra é Om Namah Parvatiai (Ou Om Parvatiya Namah)

Outros aspectos fenomênicos de sua manifestação: Kali, Durga, Devi, Tripurasundari, Jagadamba, Uma.

- Samadhi: Expansão da consciência; Consciência cósmica.

- Ananda: Bem-aventurança; Êxtase espiritual.

- Rishis: Sábios repletos de serenidade e amor - Mentores dos Upanishads.

- Mahadeva: Maha: Grande - Deva: Divindade, Grande Deus.

- Vyasa, Sukadeva e Shankara: Mestres iogues admirados pelos iniciados.

Vyasa é o mentor do épico "O Mahabharata" (que contém numa de suas seções o "Bhagavad Gita" – "A Canção do Senhor" – que fala de Krishna e Arjuna) - Sukadeva é o filho do glorioso Vyasa (e considerado por muitos como um ser de luz mais avançado do que o próprio pai) - Shankara foi o grande reformador do Hinduísmo no século IX d.C. (é autor do célebre livro "Viveka Chuda Mani" – "A Jóia Suprema do Discernimento).

- Para enriquecer a explicação sobre os aspectos da Mãe Divina, reproduzo logo abaixo um texto de um pesquisador do Hinduísmo:
continua

Texto <419><11/04/2003>