428 - ATRAVÉS DOS TEMPOS...

Há coisas que a consciência não percebe pela razão, mas o coração sente no seu íntimo, e há coisas que o coração é incapaz de perceber, mas o intelecto percebe através da razão.

Esse conceito era ventilado na antiga Grécia, onde os iniciados gregos antigos buscavam a via do conhecimento através da arte, da expansão do sentimento, da música, da poesia, do questionamento singelo e pacífico das verdades da vida.

Porém, se na Grécia esse caminho era buscado através da arte pura, no Egito esse conhecimento era mais sistematizado. O adepto era mais exigido, as provas eram mais difíceis. Exigia-se grande grau de concentração, de desapego e de sacrifício. Havia sistematização da própria energia e dos próprios valores. Havia uma iniciação poderosa que jogava naturalmente os fracos de coração e de consciência para fora. Quem não fosse forte, não era iniciado.

Os gregos buscavam a Espiritualidade pela arte, e os egípcios pela sistematização de energia (ou seja, a manipulação correta das bioenergias, que por então era chamada simplesmente de Magia). (1)

Já os hindus buscavam, através do corpo mental, a ligação com a Fonte Primária que a tudo gera. Essa ligação (mente pura), conexão mental total, sintonia cósmica... Chamada de Samadhi. (2)

Os hindus, então, buscavam um trabalho que unisse coração e consciência (chacra cardíaco e chacra coronário unidos na expansão da consciência).

Os gregos buscavam a arte, os egípcios a sistematização das energias, e os hindus o Yoga – que significa União. A união com o Todo, com o Absoluto, através de práticas acéticas, de domínio do próprio corpo e dos chacras, de elevação dos sentimentos, de intuição, e de pensamento elevado, através de processos que visavam o pleno comando da consciência sobre seus veículos de manifestação, e o total controle da consciência sobre o ego. E assim os hindus caminhavam ao seu modo...

Se os gregos buscavam a arte, os egípcios a sistematização da energia e os hindus a conscientização da união com o Todo, os tibetanos e os chineses buscavam os mesmos processos através da manipulação da energia da Natureza, através do CHI (3), que flui pelo espaço e entra no ser humano pelo alto da cabeça, pelo centro do plexo solar e pelo hara (4), no baixo ventre, através de gestos de equilíbrio, de captação de energia no ar, da união do ser humano com a energia, no oxigênio puro, no contato com a Natureza.

Então, observamos a arte dos gregos, a sistematização energética dos egípcios, a união dos hindus com o Todo, e a energia da Natureza com os tibetanos e chineses.

A união desses processos diferentes era necessária em função de novas etapas, de outros lugares, outras épocas; outras maneiras de ver, de sentir e de pensar.

Hoje, esses mesmos iniciados da antiguidade se encontram trabalhando, alguns na Terra e outros no Espaço, ventilando idéias que tragam a consciência justa das coisas, e um clima espiritual que leve às consciências na direção do Amor. E esses mesmos iniciados que continuam trabalhando, são luzes do passado iluminando o presente na direção do futuro maior. E as consciências não se apagam nunca: elas se encontram e se reencontram por toda a eternidade. E onde um ato luminoso é feito, onde uma união é formada (5) nada pode quebrá-la.

Essas mesmas consciências, misturadas no vendaval cármico de erros e incompreensões, são jogadas, vida após vida, umas com as outras em lugares diferentes, buscando o conhecimento agora na prática do dia-a-dia, nas grandes cidades, na correria e com o pé encaixado no chão. É necessário, então, que os conhecimentos do passado sejam ventilados no presente para que vocês vislumbrem um futuro maior na busca de galáxias do Universo incomensurável.

Aquilo que é conhecido como OM entre os hindus, RÁ entre os egípcios, OM MANI PADME HUM entre chineses e tibetanos, é o mesmo que o sábio Sócrates resumia simplesmente no seguinte enunciado: HOMEM, CONHECE A TI MESMO!

OM NAMO NARAYA NAYA, OM MANI PADME HUM, RÁ...

TUDO significa a mesma coisa: LUZ! (6)


- OS INICIADOS – (7)
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges; São Paulo, 17 de maio de 1995.)

1. Magia: No contexto esotérico antigo era a arte de "estar em contato" com o Invisível para realizar efeitos no mundo visível.

Ou melhor dizendo, a condensação do invisível e intangível para exercer certas influências no plano visível e tangível. Posteriormente, na Europa medieval, por causa da influência da ignorância dos homens que conduziam a Religião Cristã nessa ocasião, o termo Magia passou a ter uma conotação negativa e supostamente contrária ao bem comum.

Obs. (Escrita em 07 de maio de 2003): Ainda agora, enquanto eu passava esses escritos a limpo para o grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB, um dos amparadores dos Iniciados surgiu e resolveu passar uma atualização do texto.

Segue abaixo o toque espiritual importante que ele passou:

"Na verdade, a Magia é uma expressão da Natureza Invisível tornando-se expressão material mediante certos procedimentos de ancoragem vibracional em pessoas ou objetos (que também são expressões da energia).

Como na Natureza não existe o bem ou o mal (o maniqueísmo é filho da ignorância do próprio ser humano), apenas polaridades (Yang e Yin) que se expressam no equilíbrio do meio ambiente energético, é óbvio que o uso da Magia como expressão da própria Natureza não é bom ou ruim, tudo dependendo da aplicação e do objetivo dado às energias pelos pensamentos e sentimentos do próprio ser humano, o agente intermediário desses processos interplanos.

No contexto esotérico antigo, os iniciados não brincavam com tais energias nem faziam uso de suas influências para objetivos mesquinhos. Pelo contrário, procuravam trabalhar sob a orientação dos elevados princípios herméticos, e jamais permitiam que os seus desejos pessoais interferissem nos rigorosos estudos e práticas que realizavam em seu "mister" iniciático.

Cabe aos estudantes espirituais do presente a mesma responsabilidade de lidar com os assuntos do espírito com dignidade e generosidade em seus labores.

O Grande Invisível se expressa no coração do homem.

É tarefa dos estudantes espirituais de todas as linhas tornar-se canal lúcido e irradiante desse Amor do TODO, principalmente para aqueles homens confusos que caminham no mundo ignorando o precioso tesouro que carregam dentro do próprio peito.

A Grande Magia é tornar-se desperto, lúcido quanto ao desenvolvimento do próprio potencial consciencial, para avançar na senda do equilíbrio vital.

O "mago desperto" é sereno, sensato, amoroso e generoso.

Ele não é senhor da Natureza, é amigo dela!

Os espíritos da natureza (elementais) o adoram, e os anjos do Céu o acompanham, pois sabem que em seu peito está acesa a tocha da sabedoria.

Ele converte a Luz do Invisível Imanente em poderosos pensamentos e atos de amor manifestados entre os homens. Ele converte a Luz do Céu dentro de seu coração e abraça o mundo dos homens tristes.

Enquanto isso, grande número de pessoas de mente fraca e presas ao jogo ilusório dos fenômenos transitam pelos meios espirituais em busca de "jogos de magia", para preencher os seus corações cheios de mágoas e desejos de vingança.

Sem perceberem, tornam-se vítimas de magotes de entidades inferiores que gravitam em torno de suas energias nos processos nefandos do vampirismo psíquico.

A Magia não é boa ou ruim, apenas reflete psiquicamente os objetivos das pessoas.

Quem quer crescer, que apresente os seus talentos e ofereça-os para o bem de todos os homens, da Terra e do Espaço.

Quem quer avançar na senda espiritual, que tome atitudes sadias e procure estudar e laborar com confiança e determinação.

Quem quer ser rico de luz, que entre no próprio coração e agradeça ao Supremo Mestre pelas chances de crescimento.

Quem quer melhorar, que apresente as credenciais dos pensamentos luminosos e das energias irradiantes a favor da humanidade.

Quem quer o acesso aos planos elevados, que comece a "subir os degraus dos atos diários" no mundo com firmeza e bom senso.

Quem quer mais luz, que seja luz em si mesmo.

Quem quer se desvencilhar das emoções agarradiças, que assuma o magno objetivo de despertar do sono de Maya (ilusão).

Que o Amor possa ser a Magia que brilha nos objetivos de todos os estudantes espirituais, da Terra e do Espaço.

O TODO ESTÁ EM TUDO!"

- Os Iniciados -

2. Samadhi (do sânscrito): Expansão da consciência, Consciência cósmica.

3. CHI (do chinês): Força Vital, Energia.

4. Hara (do japonês): Parte inferior da barriga, baixo ventre.

Obs. Os taoístas chineses chamam esse centro de "Ching", a essência vital que se manifesta no "tan t´ien inferior", ou seja, a esfera do elixir interior (energia) que metaforicamente é associada a região do baixo ventre.

5. Esotericamente, quando uma união de pensamentos, sentimentos e energias é formada espiritualmente por um grupo virtuoso para a prática do bem, isso é chamado de "Egrégora", um campo psíquico de alto nível que pode ser utilizado por seres espirituais elevados no aporte de assistência extrafísica às pessoas que precisam de ajuda (encarnadas e desencarnadas).

6. Explicação desses mantras:

Om (do sânscrito): O Verbo Divino, A Vibração do TODO em tudo.
Om Namo Naraya Naya (do sânscrito): Dentro da cosmogonia hinduísta é o mantra de evocação de Vishnu, o Divino Preservador e Protetor da Vida.
Om Mani Padme Hum (do sânscrito): Mantra da compaixão evocado pelos budistas tibetanos e por vários espiritualistas de todo o mundo.

Sua tradução literal é: "Salve a jóia no lótus". Esse é um mantra de evocação do bodhisattva da compaixão entre os budistas tibetanos e chineses. Om é a vibração do TODO. Mani é a "Jóia espiritual que mora no coração", ou seja, é o próprio espírito, a essência divina. Lótus é o chacra cardíaco que envolve energeticamente essa jóia sutil. Hum é a vibração dessa compaixão do TODO vertendo a luz pelo chacra cardíaco a favor de todos os seres.
Rá (Hermetismo): Esse é considerado um mantra de evocação da LUZ que está em todos e em tudo. Era muito usado pelos iniciados egípcios de outrora, e atualmente por alguns grupos ocultistas e espiritualistas.

7. Os Iniciados: Grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. Segundo eles, são "iniciados" em fazer o bem sem olhar a quem.

Texto <428><12/05/2003>