435 - FLOWERS IN BABAJI AND KRISHNA

Escuto uma música, e lembro de ti.
E o meu coração sussurra no silêncio:
"Nagaraja, Nagaraja, Nagaraja (2) ..."

Em meio a agitação do mundo moderno,
Sinto o teu toque sereno.
Em meio ao burburinho das vozes desencontradas,
Escuto o teu silêncio.
Em meio ao sono consciencial,
Percebo o teu chamado ao despertar da lucidez.
Em meio as sombras do meu ego,
Recebo o teu chamado à Luz imperecível.

Por tua ação secreta em meu Ser,
Resolvo SER.
E respiro o Amor... serenamente...

E lembro-me de Jesus, Buda, Krishna, Lao-Tzé,
E de tantos outros avatares do Amor Maior.
E o meu coração lembra-me das Mães do mundo:
Mataji, Yemanjá, Maria, Kuan-Yin...

Em meio a isso, sinto um abraço invisível no mundo.
O vento da compaixão está soprando em silêncio...
Mas os homens não sentem a brisa passando em seus corações,
E choram perdidos no calor de suas confusões.

Continuo escutando a música, lembrando de ti,
E respirando o Amor.
E orando pelo bem dos homens tristes.
Torcendo para que outros também sintam o vento da compaixão
Tremulando as bandeiras da paz em seus corações.

Bábaji,
Entre as notas musicais escuto o teu silêncio,
E nas asas da inspiração escrevo o que sinto.
E isso irá para outros homens, que também
Sentem o vento da compaixão em seus corações,
Mesmo em meio a turbulência da vida moderna,
Mas sem esquecer do espírito eterno.

Escuto a música, e agradeço o dom da vida.
E lá na base da coluna, no centro do chacra básico,
Por onde as energias da Mãe Terra entram,
Escuto o som de um zumbido suave.
Ao mesmo tempo, o som de uma flauta entra no ventre,
Sede do chacra sexual, morada da essência vital, centro de vida.
E os toques da harpa chegam no centro umbilical,
Chamando para o devido apaziguamento emocional.
No templo do coração tocam pequeno sinos cheios de Amor,
Pois é ali que o Grande Chamado secreto ocorre.
E a música da alma segue por entre os chacras...

Continuo agradecendo ao Amor Maior que Gera a Vida,
E encanto-me, pela música, pela Luz, pelo Amor, pelos chacras,
E por sentir o teu toque no silêncio das notas musicais.

Voando nas asas da prece quietinha, toco o céu do coração.
Penso não só nos homens e mulheres da Terra,
Mas também nas muitas outras humanidades,
Irmãs nossas espalhadas pela imensidão sideral,
Filhas do mesmo Amor incomensurável do TODO.

Também penso nos desencarnados de todos os lugares,
E na saudade daqueles que os perderam temporariamente.
Sei da dor da separação, como também sei que a vida segue...
Aqui e Lá, na Terra e nas estrelas, na carne e no espírito.

Penso em tudo isso e oro quietinho, e penso em ti.
Em meio as lágrimas quietinhas que rolam no rosto agora,
Vejo tua figura serena e silenciosa em pé,
Bem embaixo de uma imensa figueira.
Pela expressão dos teus grandes olhos amendoados
Sei o que vem a seguir, e me preparo espiritualmente.

Fecho os olhos, e lembro-me do menino Krishna sorrindo.
Então, parece que o azul do céu vem sobre mim, e por instantes,
Torno-me canal da compaixão divina.
Parece que toco a muitos homens e mulheres em vários lugares.
Recebo suas chagas e dores em mim mesmo,
E algo em meu coração as transforma em flores espirituais
E devolve como toques espirituais de esperança e luz na jornada.
Ao mesmo tempo em que os toco, sou eles também.
Sou os seus defeitos e as suas virtudes, a sua dor e a sua alegria.
Nasço e morro com eles... e viajo junto pela eternidade.

Percebo a aura da cabeça bastante dilatada,
E sei que até mesmo as lágrimas vertidas estão tocando alguém
Na imensidão desse Amor que toca a tudo,
Na imensa sinfonia sideral da Criação, eterna música de Deus.

Lembro-me dos mestres iogues Boganathar e Agastyar (3),
E sinto que alguém invisível acaricia os meus cabelos.
Então, ouço o som de uma poderosa correnteza.
No centro de minha nuca surge uma cascata de luz,
Que verte por dentro da coluna até o centro do coração,
Onde surge um plácido lago branco-prateado recebendo a correnteza.
Em meio às suas águas brilhantes, dissolvo-me serenamente.
Em meio ao brilho, vejo o sorriso do menino Krishna,
Que parece dizer-me: "O Amor é tudo!"

Fico sem saber o que fazer, tremendo como criança,
Consciente de que isso é muita "areia para o meu caminhão".
Lembro-me de Ramakrishna e agora compreendo o que ele
Não conseguia expressar em palavras.

Penso nas minhas duas filhas, e abraço-as com o coração,
Sabendo que a distância jamais poderá limitar o Amor.

Penso também, que se a morte me visitar hoje, partirei contente,
Sabendo que nada morre e que a consciência segue mesmo...

Bábaji, meu amigo,
Foi só lembrar de ti para tudo isso acontecer.
Por isso, peço a tua inspiração para escrever aos homens e mulheres
Que também sentem o vento da compaixão nos ares do mundo,
Que não precisam ser iniciados em nenhuma linha espiritual ou iogue para
receberem o teu abraço espiritual ou sentirem os toques secretos dos mestres
espirituais no centro de seus corações.
Que para sintonizar as ondas espirituais da bem-aventurança, basta SER!
Que para nadar nas plácidas águas do lago do Amor, basta AMAR!
Que para ser lúcido, basta DESPERTAR!
Que para ser pacífico, basta querer deixar de brigar!
Que para ouvir a sinfonia cósmica da Criação, basta escutar com o coração!
Que para irradiar algo bom, basta SER LUZ!
Que para ser digno não precisa perfeição, basta ser trabalhador de algo bom!
Que para ir ao paraíso, basta voar pelo céu do próprio coração!
Que para fazer algo bom, basta viver, amar, sorrir e seguir...

Bábaji, mais uma vez, obrigado por tudo.

OM KRYA BABAJI NAMAH!

P.S: No mais profundo da meditação surgiu uma estrela brilhante no centro de uma esfera azul opalina, circundada por um círculo luminoso amarelo-dourado. Ela revelou-me um segredo:

"Quem viaja com o OLHO ESPIRITUAL desperto pelas linhas da consciência cósmica percebe o desdobramento das camadas dimensionais do Universo e a abertura dos portais interdimensionais. Os devas (anjos) lhe abrem as passagens, e ele vê Brahman em tudo.

Então, o seu coração canta alegremente: TUDO É ELE! TUDO É ELE! TUDO É ELE! O Amor é o grande Hierofante (4)..."

(Esses escritos são dedicados ao brilhante poeta hindu Rabindranath Tagore (1861-1941), e aos meus amigos Mauricio Santini e Aurio Corrá, e a família Cortijos – Fernando, Naná e Luciana.)

- Wagner Borges -
São Paulo, 03 de junho de 2003.

1. Flowers (inglês): Flores.

2. Nagaraja (do sânscrito): Serpente real. Ou melhor, o iniciado espiritual de alto nível. Ver explicação no texto que anexei na nota de rodapé n. 5.

3. Boganathar e Agastyar: São dois grandes mestres de Krya Yoga que viveram na Índia há séculos atrás.

4. Hierofante: O mestre iniciador.

5. Para explicar melhor alguns aspectos desse texto, que contém nas entrelinhas muito mais do que aquilo que está evidenciado claramente, e levando em conta de que quando posto em aberto algo revelando alguns aspectos esotéricos ou iogues, muitas vezes recebo e-mails irados reclamando de que eu não deveria estar postando algo assim, ou mesmo com ameaças de que a lei do carma irá me fritar só porque ousei compartilhar informações de forma aberta (fora os membros de alguns grupos que chegam ao cúmulo de achar que só eles é que sabem das coisas porque foram iniciados em algum sistema iogue ou esotérico), reproduzo logo abaixo um texto que foi postado pelo nosso site em 2001, e que principalmente nas notas de rodapé deixa bem explicado o que muitos gostariam de que não fosse evidenciado.

Texto <435><06/06/2003>