445 - VIAJANDO NO AMPLEXO DA ALMA

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Inspirado por ele, entro num estado alterado de consciência e sinto-me permeado por ondas sutis de contentamento sereno.
Sinto-me tocado por suaves harmonias que não sei explicar, só sentir.

E escrevo o que o coração-menino me ordena:

"Quando o Cristo-menino surge na manjedoura dos amores secretos que viajam no peito sutil, quem poderá dizer que é senhor da inspiração que voa pelo céu do coração?

Quando o Buda-menino surge no desabrochar das pétalas espirituais do lótus da serenidade que mora nos jardins da alma silente, quem poderá dizer não às ondas de compaixão que em suave amplexo portam o acalanto sutil?

Quando os acordes sutis da flauta de Krishna viajam pelo interior da alma e o convidam para a alegria serena e o despertar da consciência, quem poderá dizer que não escutou as notas celestes compondo a sinfonia do amor em seu próprio íntimo?

Quando ecoam os passos sutis das consciências livres pelas alamedas secretas do coração, quem poderá sentir-se isolado do grande concerto cósmico da vida?

Quando o transitório redescobre o Eterno em si mesmo, é hora de festa no céu do coração. O Divino desperta do sono de Maya, e canta a lucidez!

E nas linhas do horizonte do despertar da consciência surge o sol do samadhi (2).

Então, uma voz terna (e eterna) sussurra aos sentidos da alma:

TE AMO, TE AMO, TE AMO..."

Nesse instante, o chacra frontal começa a brilhar muito, como se fosse um pequeno sol incrustado na testa interna, e não consigo mais escrever, só sentir.

Vejo o amigo filósofo novamente, e ele apenas faz um ligeiro gesto de saudação com a cabeça e sorri simpaticamente. Sinto que ele sofreu muito em vida, por sentir a dor do encarceramento da alma no corpo, e por isso a sua via de escape eram os seus escritos inspirados, onde ele podia cantar como pássaro engaiolado a liberdade de consciência que tanto almejava em seu coração.

Ele percebe que notei isso, e me diz:

"A liberdade é um estado de consciência. Independe de estar encarnado ou não. É valor íntimo a ser descoberto pelo próprio ser. A dor da saudade do Eterno desaparece quando se vê o seu amplexo divino em tudo."

Agradeço a ele pela visita e inspiração, e agora tenho que correr para o curso que começa daqui a pouco. Tomara que ele possa ir junto para inspirar mais ainda os nossos estudos.

Paz e Luz.

(Esses escritos são dedicados ao 110 participantes do curso Estudos Parapsíquicos que foi realizado no IPPB com uma atmosfera espiritual maravilhosa por parte de todos os presentes, físicos e extrafísicos).

- Wagner Borges -
(Ser humano com qualidades e defeitos, 41 anos de estrada, carioca radicado em Sampa, pai da Helena e da Maria Luz, tentando deslizar pelas ondas da vida de forma pelo menos razoável e sem tantas encrencas como em outras vidas)

São Paulo, 12 de julho de 2003, às 14h50min.

1. Maya (do sânscrito): Ilusão.
2. Samadhi (do sânscrito): Expansão da consciência, Consciência cósmica.

Texto <445><18/07/2003>