505 - VIAJANDO NO ASSOMBRO DA PRESENÇA

Eterna Presença,
Acolhe o terno assombro
Que sinto em tua luz.
Abraça o meu espírito!

Na longa noite dos meus desencontros
Carreguei falsos fardos na mente,
E apenas me lamentei.
Cansado na alma, lembrei-me de Ti.

Porém, acostumado só a pensar,
Me esqueci de Te sentir no coração,
Tua casa, Teu templo.
Perdido na mente, chorei na solidão.

No vácuo do meu sofrer,
Terna mão luminosa surgiu
E apontou o caminho do coração.
Ali, o Anjo da Presença me tocou.

E fui possuído pela prece.
E a canção chegou no coração.
E algo me iluminou por dentro.
Fui tomado pelo assombro!

E a luz do céu desceu em minha noite.
E lembrei-me de quando eu era criança,
E ajoelhado em minha inocência
Abria o meu coração para Te sentir.

Eterna Presença, agora eu sei.
Te sinto no coração novamente.
Acolhe o meu assombro,
E abraça o meu espírito!

Saindo da escuridão de minhas confusões,
Tornei-me criança novamente.
Recebe o meu coração no Teu, bem abraçado.
Acolhe o meu assombro em Tua luz.

Agora eu me lembro!
Dos anjos secretos que embalavam o meu sono
E cantavam a Tua glória.
Eles cantavam dentro do meu coração.

Eterna Presença, agora eu sei!
De corpo e alma, tudo é Tua luz.
Acolhe o meu assombro,
E abraça o meu espírito.

Paz e Luz.

(Esses escritos são dedicados aos iniciados celtas de todos os tempos.)

- Wagner Borges -
São Paulo, 12 de abril de 2003.

- Nota (Escrita em 28 de janeiro de 2004):
Quando os antigos iniciados celtas admiravam os momentos mágicos do alvorecer e do crepúsculo, costumavam dizer: “Isso é um assombro!”
E assim era para todas as coisas consideradas como manifestações grandiosas da Natureza e do ser humano.
Ver o brilho dos olhos da pessoa amada, a beleza plácida da lua, a alegria do sorriso do filho, ou o desabrochar de uma flor eram eventos maravilhosos.
Então, eles ousavam escutar os espíritos das brumas, que lhes ensinaram a valorizar o Dom da vida e a perceber a pulsação de uma PRESENÇA em tudo.
A partir daí, eles passaram a referir-se ao TODO QUE ESTÁ EM TUDO como a PRESENÇA que anima a Natureza e os seres.
Se a luz da vida era um assombro de grandiosidade, maior ainda era a maravilha da PRESENÇA que gerava essa grandiosidade.
Perceber essa PRESENÇA em tudo era um assombro!
E saber que o sol, a lua, o ser amado, os filhos, as flores e a Natureza eram expressões maravilhosas dessa totalidade, levava os iniciados daquele contexto antigo da Europa a dizerem: “Que assombro!”
Hoje, inspirado pelos amigos invisíveis celtas, deixo registrado aqui nesses escritos o “terno assombro” que sinto ao meditar na PRESENÇA que está em tudo.
E lembro-me dos ensinamentos herméticos inspirados no sábio estelar Hermes Trismegisto, que dizia no antigo Egito: “O TODO está em tudo! O Inefável é invisível aos olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração.”
O TODO ou A PRESENÇA, tanto faz o nome que se dê.
O que importa mesmo é a grandiosidade de se meditar nisso; essa mesma grandiosidade de pensar nos zilhões de sóis e nas miríades de seres espalhados pela vastidão interdimensional do Multiverso, e de se maravilhar ao se perceber como uma pequena partícula energética consciente e integrante dessa totalidade, e poder dizer de coração: “Caramba, que assombro!”

Texto <505><23/03/2004>