538 - CONVERSANDO ESPIRITUALMENTE COM FERNANDO PESSOA II

Num tom mais informal, um pouco impessoal,
Às vezes, pessoal, passo como o vento na campina.
Sopro onde me der na telha!
Hoje, reconheço tudo como sagrado,
Mas não preciso usar um manto vistoso para isso.
Foi a vida que me encantou e me consagrou,
Pois descobri a mim mesmo, sagrado humano,
Pessoa!
Não me encantei com balangandãs e badulaques,
Muito menos dos religiosos, desencantados do divino,
Parecendo meninos tristes de manto.
Não, não vejo santos, só pessoas.
Pois eles morrem também, alguns em vida... se lastimando.
E quando fazem a travessia do mar astral,
Só encontram a si mesmos... apenas pessoas!
De Pessoa à pessoa, digo ao leitor:
Seja consagrado pela vida, não pela moral dos homens.
Religiosos ou não, são pessoas.
E elas julgam muito o critério e a conduta alheia
(Autorizados por quem?).
Só vejo pessoas... ainda bem.
Isso é a beleza da vida: simplicidade!
Sendo Pessoa, sinto-me igual a todos... ainda bem.
E como dizem nas rodas de amigos do Algarve**:
Se é Pessoa, está bem. E o vinho também!
Brindemos às pessoas... ainda bem.

P.S.: Com o tempo as pessoas mudam, e eu mudei, sim.
Mas continuo sendo Pessoa.
E é ótimo poder repartir idéias com as pessoas.
Aos olhos do mundo, não mais existo.
Aos olhos de Deus, sempre existi.
E aos meus olhos, sou só Pessoa.


- Fernando Pessoa -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 03 de julho de 2004.)

* O primeiro texto está postado na seção de textos periódicos de nosso site – www.ippb.org.br - É o texto número 525.

** Algarve: Região ao sul de Portugal.

Texto <538><23/07/2004>